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O Colégio Eleitoral do Sporting escolheu o presidente Pedro Gonçalves

Em dia de mudanças na capital do mundo livre, no Sporting também há uma passagem de testemunho. Bruno Fernandes já pode ser esquecido, em Alvalade há agora um novo líder, Pedro Gonçalves, que com mais dois golos e uma assistência na vitória dos leões por 4-0 em Guimarães, aparece como o futuro do clube, que vai terminar a 7.ª jornada no topo da tabela

Lídia Paralta Gomes

Quality Sport Images/Getty

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E depois de vários meses de orfandade de talento, de exibições macilentas, de resultados esquálidos, de desconfiança, desânimo, caras fechadas, o Sporting tem um novo commander in chief. Bruno Fernandes, a incumbente estrela, pode finalmente ser esquecido, deixado a repousar nos belos livros da história - está aí Pedro Gonçalves, e se me permitem vou continuar a tratá-lo por Pedro Gonçalves, porque foi assim que o conheci.

Pedro Gonçalves, Governador de Wolverhampton, Senador de Famalicão, agora escolhido pelo Colégio Eleitoral como presidente dos estados finalmente unidos do Sporting Clube de Portugal, o regresso da esperança a Alvalade depois de tempos de trevas. Sim, eles podem, talvez ninguém estivesse à espera, mas eles podem, eles parece que recuperaram a alma do Sporting, que no final desta jornada 7 vai ser líder do campeonato com maioria absoluta, depois de mais uma vitória expressiva nos números e na forma, frente ao Vitória, em Guimarães, por 4-0.

Dos pés de Pedro Gonçalves saíram dois golos e uma assistência, o terceiro bis em três jogos, mas entre Pedro Gonçalves e o Bruno Fernandes de há um ano haverá uma diferença de fundo: nos últimos dias de Sporting, Bruno era uma estrela solitária num plantel depauperado, descafeinado, feito de erros de casting, de gente destalentada. Pelo contrário, Pedro Gonçalves tem ao seu lado João Mário e João Palhinha. Pode combinar com Pedro Porro e Nuno Mendes. E pode dar para Sporar, que não será o avançado mais talentoso do planeta, mas parece fazer o máximo com as suas limitações, jogando mais para a felicidade da equipa do que para si próprio.

E isso está a fazer toda a diferença neste Sporting.

Intratável na pressão e nas transições, o Sporting parece também finalmente jogar mais à imagem de Rúben Amorim, que chegou a meio da época passada, mas já a pensar nesta. O mercado magro mas, aparentemente, cirúrgico parece ter sido a cola necessária para unir as ideias do treinador, que isto sem gente boa de bola também não iria lá.

Em Guimarães, o Sporting arrancou logo a todo o gás e ainda nem havia um minuto no relógio e já João Mário enviava uma bola à barra. Aos 7’, Sporar ficou a centímetros do golo e aos 11’ apareceria o primeiro, que começou com uma recuperação de Pedro Gonçalves a meio-campo e com um passe para a área onde Nuno Santos dominou mal, mas ainda conseguiu encontrar posição para rematar para a baliza.

Nesses primeiros minutos, o campo foi do trio João Palhinha, João Mário e Pedro Gonçalves, nos equilíbrios, na ligação entre setores, na condução, na reação rápida à perda da bola. Foi só quando estes três momentaneamente adormeceram que o Vitória teve o seu momento, equilibrando sem no entanto criar muito perigo, a não ser um remate de Suliman à figura de um seguro Adan, na sequência de um livre direto.

Quality Sport Images/Getty

Foi talvez no melhor momento do Vitória que o Sporting fez o 2-0, a três minutos do intervalo. João Mário conduziu, libertou para Sporar (incansável nos apoios) e o esloveno combinou bem na direita com Pedro Porro. O cruzamento atrasado do espanhol encontrou Pedro Gonçalves, que rematou de primeira para a baliza de Bruno Varela - a bola ainda seria desviada por Suliman antes de entrar.

Na 2.ª parte repetiu-se um pouco o filme do final da 1.ª. O Vitória entrou bem e chegou mesmo a marcar aos 50’, num lance anulado por fora-de-jogo de André André. Cinco minutos depois, Pedro Gonçalves apareceu isolado em frente a Bruno Varela depois de um pontapé de baliza de Adan e fez o 3-0, com Suliman novamente mal no lance, a falhar completamente o timing para travar a bola longa de Adan.

A partir daí só deu Sporting. Mesmo com as substituições, os leões dominaram, com transições fortes e recuperações constantes, com o 4-0 a surgir a 15 minutos do apito final. Um golo saído do banco: Mateus Nunes conduziu e Jovane fez o resto, deixando Pepelu de rins no chão pelo caminho.

Parece tudo certo com este Sporting, de quem esperávamos pouco, mas assim mesmo são as expectativas. Mesmo com um plantel curto, os leões parecem ter acertado em cheio no mercado e na antecipação que fizeram à nova época, fazendo brilhar num plano superior um Pedro Gonçalves que já no Famalicão tinha pinta de craque. Para já, são líderes, com vitórias e futebol convincente.