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Sporting. Um ponta-de-lança é um ponta-de-lança, mas Pote é outra coisa qualquer e está bem assim

O bis de Pedro Gonçalves, que se faz passar por Pote, assegurou a sexta vitória consecutiva do Sporting - a quinta para a Liga -, o que significa que, daqui para a frente, os adversários terão de morder a língua quando lhes passar pela cabeça que esta equipa não é candidata ao título

Pedro Candeias

Gualter Fatia

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O tipping point deste Sporting terá acontecido ali entre a derrota com o LASK, o triunfo com o Portimonense e o empate com o FC Porto. De então para cá, a equipa de Rùben Amorim foi marcando bastante (20 golos, sete deles ao Sacavenense, é verdade), sobretudo para quem não tem um ponta-de-lança goleador.

Mas, pronto, como agora se diz em questões orçamentais, se não há cão, há gato e Pedro Gonçalves serve perfeitamente para os gastos: hoje, com o Moreirense, fez dois golos, o primeiro numa pequena confusão na pequena área, que resultou no empate; o segundo, decisivo, com a colaboração involuntária de Pasinato que pré-anunciara um desastre antes, tantas tinham sido as vezes que a bola lhe escorregara das mãos como gelatina.

Seja como for, o Sporting venceu o Moreirense e todos quantos viram o jogo estarão de acordo que foi um resultado justo; difícil, talvez mais do que o esperado - e este é o mérito de Amorim, pois as goleadas anteriores criam lastros de expectativas -, mas inteiramente justo.

Os de Alvalade entraram em campo com Sporar, Pedro Gonçalves e Nuno Santos na frente, João Mário e Palhinha no meio, lá atrás os cinco do costume. O estilo também era o habitual: velocidade, transições rápidas, olhos na baliza e mudanças posicionais.

O golo sofrido - ou melhor, auto-golo, de Luís Neto - no arranque remexeu por instantes o guião, mas logo depois foi remediado pelo inevitável Pedro Gonçalves, aproveitando um erro de Pasinato e um ressalto em Fábio Pacheco que o beneficiou.

Fábio Pacheco que, por sua vez, terminaria o encontro como o melhor jogador do Moreirense, embora a sua tarefa se adivinhasse complicada: foi trinco com bola e líbero sem esta, uma dupla função com a qual César Peixoto pretendia equilibrar contas a meio-campo e na defesa.

Na maior parte das vezes, Pacheco foi excelente, a cortar lances no limite quando se adivinhava o pior para o Moreirense; por outro lado, o desacerto e o desalento de Sporar (acertou uma bola no ferro, ok), que se traduziu em passes errados e más escolhas e em curtos-circuitos no proverbial fio de jogo, favoreceu mais os rapazes de Moreira de Cónegos do que os disparates de Feddal diante de Pires.

Mas, e regressando à cronologia do Sporting - Moreirense, o encontro chegou ao intervalo com a de posse de bola e os remates e oportunidades e os passes efetuados, tudo isto, a cair para o lado dos de Alvalade.

Na segunda-parte, o Moreirense manteve o tom fúcsia desmaiado, objetivamente mais preocupado em suster do que romper, e o Sporting falhou um lance por Sporar, após cruzamento de Nuno Santos, e Pedro Gonçalves ensaiou um golo olímpico que bateu com estrondo na trave de Positano.

Entre um momento e outro sucedeu isto: César Peixoto substituiu três jogadores de uma só vez (entraram Lacerda, David Tavares e Matheus Silva), sem grandes proveitos; Rúben Amorim retirou Nuno Mendes e pôs Jovane Cabral, recuando Nuno Santos e deslocando Pedro Gonçalves para a esquerda, com o objetivo de…

Bom, com o objetivo de abrir o ataque, forçar a nota e dar uma sacudidela, musculada e final, no encontro: foi dali que Pedro Gonçalves desferiu o tal remate à barra - e foi dali também que disparou para o frango de Positano, aos 76’.

O bis de Pedro Gonçalves, que se faz chamar por Pote, assegurou a sexta vitória consecutiva do Sporting - a quinta para a Liga -, o que significa que, daqui para a frente, os adversários terão de morder a língua quando lhes passar pela cabeça que esta equipa não é candidata ao título.

Entre os quais, está obviamente Taarabt, a quem Amorim agradecera previamente pela desconsideração.