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O carteiro tocou duas vezes

E chegou. Competente e eficaz, o Sporting marcou nas duas oportunidades de golo que teve com o Sp. Braga que, por sua vez, foi de desperdício em desperdício até à derrota por 2-0. A equipa de Rúben Amorim, mesmo sem jogar bem, foi mais sólida nos momentos certos e vai manter a liderança no campeonato neste início de 2021

Lídia Paralta Gomes

Pedro Fiúza/NurPhoto via Getty Images

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Uma pessoa revisita as últimas equipas do Sporting e haverá muitos adjetivos para lhes colar, mas nenhum deles será certamente “competente” ou “eficaz”. Ou até “sólida”.

Mas é isso que o Sporting transpira por estes dias, principalmente desde que a qualidade de jogo que mostrou no início da época se desvaneceu. Mas talvez seja esse o segredo das equipas candidatas a algo: ganhar mesmo nos momentos menos bons, quando os melhores jogadores desaparecem (olá Pedro Gonçalves).

Frente ao Sp. Braga, o Sporting tinha o primeiro grande teste em muito tempo, pelo menos o primeiro grande teste desde que é líder e, não tendo sido provavelmente a equipa que melhor jogou em Alvalade, foi aquela que definiu melhor e controlou os momentos essenciais do jogo, algo que Rúben Amorim até já vem falando, pelo que, provavelmente, não será por acaso.

O Sporting ganhou por 2-0, porque colocou a bola dentro da baliza nas duas únicas oportunidades que teve no jogo, numa altura em que o Sp. Braga já poderia até estar a ganhar confortavelmente, se tem acertado as três bolas de golo que teve no seu melhor período, o final da 1.ª parte, em que conseguiu deixar o Sporting muito vulnerável. Primeiro por Ricardo Horta aos 33’, a tentar um chapéu que Adan adivinhou bem, depois de novo pelo médio português, ao lado após um canto e aos 40’ por Al Musrati, que enviou um remate rasteiro de fora da área ao poste.

Depois disso, o Sp. Braga continuou a jogar melhor, mas faltou-lhe a competência deste Sporting pragmático, duro. À equipa da casa faltou magia, mas houve três centrais de grande sacrifício; quando estes falharam, Adan estava lá com segurança e ainda tirou mais um golo a Ricardo Horta aos 63’, num remate à queima-roupa. E muito do balanço para o ataque veio de Pedro Porro, provavelmente o melhor do Sporting, um lateral de uma disponibilidade para os vários momentos que o colocam, talvez, até num nível aparte neste campeonato entre os homens na sua posição.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

Ainda assim, foi até do outro lado, dos pés do outro lateral que nasceu o primeiro golo do Sporting, aos 54’. Nuno Mendes cruzou para a área, Nuno Santos ganhou o lance a Sequeira e tocou para Pedro Gonçalves que, na única vez que apareceu no jogo, marcou. Até nisto o Sporting foi competente - mas talvez seja preciso saber o que se passa com o antigo jogador do Famalicão.

E depois também houve dedinho do banco. Se a entrada de Tabata, logo a seguir ao 1-0, pouco trouxe de diferente face a Nuno Santos, as trocas de Tiago Tomás por Sporar e Pedro Gonçalves por Matheus Nunes foram essenciais para o Sporting. O avançado foi um autêntico saltimbanco à procura da bola e o médio, descaído para a direita, trouxe alguma da dinâmica que faltou a Pote. E foi destes dois que nasceu o 2-0, aos 78’: Sporar arrancou pela esquerda, a defesa do Sp. Braga não conseguiu parar a jogada e já com pouco ângulo rematou. A defesa de Matheus ficou incompleta e estava lá o outro Matheus para a recarga.

O carteiro só precisou de tocar duas vezes e com tudo isto, já são 14 jogos seguidos sem perder para este Sporting. Uns foram mais bem jogados, outros menos, mas o certo é que a equipa de Rúben Amorim começa 2021 a vencer um dos jogos mais importantes deste janeiro terrível, que pode definir muito do que vai ser a temporada dos leões.