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Sporting avança com despedimento coletivo

No total, serão 20 funcionários. O clube de Alvalade quer emagrecer os custos com o pessoal para fazer face à quebra de receitas provocada pela pandemia

Pedro Candeias e Diogo Pombo

MÁRIO CRUZ

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O Sporting vai avançar com o despedimento coletivo de 20 funcionários do clube. Os mesmos elementos já receberam, esta quarta-feira, a carta que dá por início um processo que os dirigentes de Alvalade planeavam há algum tempo. Também neste dia, alguns destes trabalhadores começaram a ser chamados a comparecer numa reunião nas instalações do clube.

A razão para estas dispensas - o argumento usado pela direção de Frederico Varandas - prende-se com o emagrecimento dos custos com o pessoal, para fazer face à crise provocada pela pandemia.

Paulo Cintrão (ex-jornalista da TSF que era agora assessor de imprensa da equipa de futebol profissional e presença assídua nas conferências), André Leitão (coordenador do gabinete de estratégia e planeamento das modalidades), Rosa Duarte (secretária do Sporting), José Quezada (responsável pelo departamento de sócios), Carla Pereira (coordenadora do backoffice das modalidades) e Carmo Tavares (atleta, velocista e antiga campeã nacional que desempenhava funções administrativas) são alguns dos nomes que irão negociar os termos do fim da ligação ao clube.

Contactado pela Tribuna Expresso, Paulo Cintrão escusou-se a tecer comentários.

O balanço e o contexto

Em setembro último, o Sporting apresentou, um lucro de 12,5 milhões de euros no exercício de 2019-20, saindo dos prejuízos de 7,9 milhões da temporada anterior. O motivo: a venda de Bruno Fernandes ao Manchester United, por 55 milhões de euros.

Neste último balanço já estavam contempladas as reduções com os gastos com o pessoal, em cerca de 3.347 milhares de euros, uma poupança que foi em grande parte esgotada a pagar a indemnização a Mihajlovic, treinador contratado por Bruno de Carvalho.

Esta poupança deveu-se, sobretudo, ao facto de o Sporting ter aderido ao regime de lay-off do Governo entre abril e junho, que afetou 95% dos trabalhadores. A Tribuna Expresso apurou que, na altura, foi dito aos funcionários que esta seria a única forma de salvaguardar os seus postos de trabalho.

Aquando do início da pandemia, o Sporting revelou um deslizamento das receitas, justificado "pela redução das receitas relacionada com a suspensão da Liga NOS em Março de 2020 e a retoma dos jogos sem público e pelo facto de os memos terem sido realizados em Julho de 2020, ou seja, já no exercício de 2020/21". Os resultados operacionais foram, então, negativos: 39 milhões de euros.

Em setembro, realizou-se uma Assembleia Geral do Sporting na qual o 3.115 sócios chumbaram o Relatório e Contas relativo à época passada (2019/20) e o Orçamento para a temporada atual (2020/21). Ou seja, o processo de despedimento coletivo em causa, neste momento, está a acontecer sem as contas e o orçamento mais recentes do clube terem sido aprovados pelos associados.

Em comunicado, o Sporting informou então que iria “oportunamente, submeter os documentos à Assembleia Geral de sócios” para nova votação e que ponderava "introduzir alterações no Orçamento, ajustando-o à realidade entretanto já conhecida desde o início do exercício".