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Para jogar futebol humano não são precisas balizas

Sporting e Rio Ave empataram, com um golo para cada lado, num jogo em que raramente houve momentos de perigo nas respetivas balizas

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ANTÓNIO COTRIM

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Não é preciso saber as regras para nos lembrarmos daquele jogo que se costumava fazer nas aulas de educação física, chamado futebol humano. Uma equipa de um lado, outra de outro e ambas com muita gente a correr para várias direções, a tentar fintar os adversários para não acabarem apanhados.

Não havia bola e não havia balizas, e, por isso, não havia golos, e às tantas foi isso que o Sporting-Rio Ave desta noite pareceu. É verdade que houve, ainda assim, dois golos em Alvalade, mas nem a equipa da casa nem os visitantes pareceram particularmente incisivos naquilo que lhes podia dar a vitória: atacar as balizas nas pontas do relvado.

Com mudanças forçadas no onze - Nuno Mendes e Neto (e Sporar) têm covid-19 e Feddal está castigado; entraram então Plata, Quaresma e Borja -, o Sporting pareceu sempre algo apático no jogo, com um ritmo sonolento que raramente ameaçou o espaço de Pawel Kieszek.

O líder da Liga ia dominando claramente o jogo, mas com a concordância evidente do Rio Ave, quase sempre remetido para o seu próprio meio-campo: nos primeiros 45 minutos, a equipa de Vila Conde não fez um único remate à baliza de Adán.

Com dificuldades em entrar no bloco defensivo dos visitantes, o Sporting só se chegava mais perto da área quando variava rapidamente o jogo de corredor para corredor e foi numa dessas investidas que fez o 1-0, já em cima do intervalo. Porro encontrou Plata, esta noite ala esquerdo, sozinho no flanco oposto: o equatoriano cruzou rapidamente para a área e Pedro Gonçalves mostrou, com eficácia, por que razão é o melhor marcador da Liga.

Na 2ª parte, a história começou bem diferente. O Rio Ave, agora a perder, entrou, finalmente, com mais ímpeto ofensivo e começou a acercar-se da área adversária, através das investidas, curiosamente, de dois ex-sportinguistas, Francisco Geraldes e Gelson Dala.

Aos 61', foram precisamente Geraldes e Dala, com outro ex-sportinguista pelo meio, Carlos Mané, a criar o único golo do Rio Ave no jogo, com uma excelente jogada de ataque.

O empate, obviamente, de pouco servia ao líder, mais ainda sabendo que esta noite haveria clássico entre FC Porto e Benfica, equipas que seguiam quatro pontos atrás do Sporting.

A equipa de Rúben Amorim começou a tentar inverter a tendência dos segundos 45 minutos - e o treinador tirou Quaresma para fazer entrar Tabata - mas as dificuldades de definição no ataque mantinham-se, com o Sporting a criar menos oportunidades de golo que é habitual.

Tiago Tomás e João Mário ainda estiveram perto de ter sucesso, mas não houve mesmo mais golos em Alvalade, já que o Rio Ave se defendeu com unhas e dentes até final, mantendo o ponto no bolso.

Já o Sporting somou o terceiro empate na Liga (antes houve empates com FC Porto e Famalicão) e ficará à espera do desfecho de um clássico que pode agora deixar um dos rivais mais perto do topo, em caso de vitória.