Tribuna Expresso

Perfil

Sporting

Rúben Amorim abriu o livro: “Tenho estrelinha, uma boa equipa, aprendi com psicólogos, investi na carreira e sou cunhado do Antero Henrique”

Numa animada conversa com a SportTV, o treinador do Sporting revelou um pouco das suas ideias, quais as suas inspirações e porque decidiu ser treinador. E avisa: "Se me quiserem tirar do Sporting, vão ter de pagar tudo, porque estou feliz aqui"

tribuna expresso

CARLOS COSTA

Partilhar

O sabor da final

"Tem um sabor diferente como jogador e como treinador. Este ano é especialmente diferente, por causa da juventude deste grupo, a inexperiência destes jogadores e o que eles sofreram, a remodelação do presidente e do Hugo Viana. Deixo uma palavra para o Tabata, que não pode estar aqui, e ao nosso enfermeiro Alex também".

As expulsões

"Foi um jogo muito difícil, com a expulsão dos dois treinadores. Acho que devia ser um cartão amarelo: o jogo estava confuso, o momento era importante para os dois clubes, é preciso ter um bocado de paciência. Faço mea culpa também. Não havia necessidade de sermos ambos expulsos."

O resto

"Esta vitória dá outra confiança, consolida o projeto porque olhamos sempre para os resultados. Isto é importante, dá-nos balanço, porque vamos ter de arriscar. Vamos ter um jogo no Bessa, portanto, há que festejar mas também manter o foco. Tenho de trazer já os jogadores à terra amanhã. Mas seria pior se tivéssemos perdido."

A estrelinha

"Nós procuramos a estrelinha. É o espírito, para mim. O Coates é tão importante como o enfermeiro Alex. Sofremos, cometemos alguns erros, mas acreditamos muito e essa é a nossa maior força."

Nasceu uma estrelinha

Rúben Amorim conquistou a sua segunda Taça da Liga, num jogo que não foi bem jogado, mas em que a confiança, a competitividade, a solidariedade - e também uma palavrinha que dá título a esta crónica e que o treinador costuma repetir - prevaleceram sobre tudo o resto: um relvado lastimável e duas expulsões provavelmente inéditas

Os jogadores do Braga

"Tinha de os cumprimentar. Aqueles rapazes do Braga deram-me tudo, foram eles que me levaram na anterior Taça da Liga. São espectaculares, é uma cidade espectacular. Chateei-me com o treinador da outra equipa, acontece, mas tinha de cumprimentar os jogadores".

O segredo

"Temos o mesmo sistema e as pessoas falam muito nisso. Precisamos de tempo, para nos consolidarem. Até aqui tive a estrelinha de arranjar pessoas como quem trabalha comigo, tive muita sorte. Nós neste momento começamos a ter algumas nuances, com dois na frente e outro a jogar atrás deles, mas é preciso tempo e calma. Eu penso como jogador, não posso ir para lá com dez ideias, vou apenas com três. Agora, ter melhores jogadores, ajuda. Se tivermos um bom encaixe defensivo, haverá sempre uma bola [uma oportunidade] e hoje foi o Inácio que descobriu o Porro que conseguiu marcar o golo. Depois, é difícil bater o Sporting, porque os meus jogadores passam os treinos a defender. Foste treinado pelo Jorge Jesus, como eu, tento beber as ideias de todos por quantos passei. "

Os três defesas

Comecei no Casa Pia em 4x4x2 e os meus dois primeiros jogos foram duas derrotas e disse que se perdesse o terceiro jogo, desistia. Tive a sorte de ganhar e, depois, olhei para os centrais que tinha e decidi jogar com três centrais. E como já tenho alguns anos - quer dizer, dois anos, estou para aqui a dizer que treino há muito tempo [risos] - a treinar com 3x4x3... Um dia vou ter que mudar, vai ser bom para evoluir. Se a estrelinha está aqui, se calhar o sistema..."

Candidatos?

"Quando começam a falar nisso, acontece sempre qualquer coisa. Aconteceu em Famalicão, depois a eliminação da Taça com o Marítimo... Se temos um grupo batido, posso assumir coisas, estou mais descansado. Com estes miúdos, não sei. Tenho um grupo muito jovem. E também sei o clube onde estou, a instabilidade e a pressão que vive. Não quero ser mais um factor de instabilidade."

A comunicação

"Eu estudei, tirei uma pós-graduação na Faculdade, tenho contactos com psicólogos. Parece que é tudo do ar, mas eu investi muito na minha carreira e é fundamental fazer isso. Eu não sei tudo. Irei falhar muito na vida e se calhar iremos ver outro Rúben. Estou preparado para isso, porque sei que isto não é sempre assim com bons resultados. Agora, eu não me lembrei de ser treinador há pouco tempo; eu terminei a carreira com 31 anos para ser treinador. Quando cheguei do Qatar, fui logo fazer a pós-graduação: depois, fui ao estrangeiro falar com treinadores, estagiei semanas em clubes, há muito para além do querer ser treinador. E sou cunhado do Antero Henrique, passo o Natal a falar com alguém que percebe muito de futebol, E, depois, tenho muita sorte. Tenho uma equipa técnica incrível e bons jogadores."

Porquê treinador?

"Eu quis muito ser treinador, até porque tive muitas frustrações como jogador. Passei muito tempo no banco de suplentes, tive muitas lesões também, havia um vazio para preencher. Tenho também outras prioridades na vida - a família que tenho -, sou muito mais equilibrado agora.

O futuro?

"Este projeto do Sporting tem a minha cara, os meus filhos estão bem na escola, adoro o dia-a-dia, se isto se mantivesse durante muitos anos... Se os resultados continuarem, aviso já que vão ter de me pagar tudo para me tirarem de lá [risos]."

  • Nasceu uma estrelinha
    Sporting

    Rúben Amorim conquistou a sua segunda Taça da Liga, num jogo que não foi bem jogado, mas em que a confiança, a competitividade, a solidariedade - e também uma palavrinha que dá título a esta crónica e que o treinador costuma repetir - prevaleceram sobre tudo o resto: um relvado lastimável e duas expulsões provavelmente inéditas