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Rúben Amorim: "Mestre e aprendiz? Houve coisas que ficaram comigo de Jorge Jesus, mas somos completamente diferentes"

Jorge Jesus não estará no banco de suplentes no dérbi de segunda-feira (21h30, Sport TV1) entre Sporting e Benfica, mas isso não retira ao jogo uma das suas narrativas: é o primeiro encontro entre Amorim e o seu antigo treinador no Belenenses e Benfica

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Pedro Zenkl/Sporting

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Importância do dérbi

“São importantes para o crescimento da equipa, ganhar ajuda sempre. Mas não vai ter influência, são jogos completamente diferentes, equipas diferentes, ainda não defrontámos o Benfica. É um jogo com peso diferente. Já tive do outro lado e sei desse ponto. Mas vale três pontos. A equipa tem respondido bem neste tipo de jogos. Estamos bem neste momento, tivemos uma fase menos boa a nível de resultados, mas agora estamos num bom momento outra vez. Temos uma estratégia, levar o jogo para onde queremos, para o nosso estilo e a equipa vai estar preparada”

Jogo decisivo?

“Nada fica decidido amanhã, ainda nem entrámos na segunda volta. Há muitos jogos, muitas equipas boas. Pode acontecer tudo neste campeonato. Se o Sporting ganhar isso não tira o Benfica do título nem dá o título ao Sporting, mas dá-nos mais confiança, é mais um jogo sem perder”

Ausência de Palhinha

“Não estamos preocupados. Obviamente que é um jogador importante, com características muito específicas neste plantel. Mas iremos lá de outra forma. Quem jogar naquela posição terá outras características. Podermos perder na questão física, na capacidade de luta, até na capacidade de construir - não se fala muito nessa característica do Palhinha, mas tem vindo a melhorar. Os dois jogadores que jogarem ali terão de dividir mais as funções, dará outro estilo ao jogo. Não estou preocupado, mas é pena que fique de fora, é um jogador importante para nós. TAD? O Palhinha não está apto. Seria incapaz de tirar o jogador que esteve a treinar para jogar na vez dele. Para mim é um dado adquirido que ele não vai jogar. Seria incapaz de tirar um jogador da equipa à ultima hora. Já ando aqui há uns tempinhos e sei que isto não vai ser assim tão rápido. Nunca tive muitas esperanças que o Palhinha pudesse jogar, ele nem para estágio vai”

Ausência de Jesus

“Também nós tivemos dois jogos em que não esteve o treinador no banco, no início do campeonato. O que eu desejo é a recuperação do mister. Teremos a 2.ª volta para nos encontramos. O que eu desejo é que ele se recupere. A equipa do Benfica é muito forte e penso que não estará fragilizada”

Mestre e aprendiz?

“Passei muito tempo com o mister Jesus, como passei com outros. Retive muitas coisas, como de outros. Não vejo como mestre e aprendiz porque somos completamente diferentes, temos personalidades completamente diferentes. Mas já o disse numa entrevista, houve coisas que ficaram comigo, a exigência que tem é algo que trabalhando sete anos com o mister Jorge Jesus é algo que se adquire, mas não mais que isso, somos completamente diferentes”

Há segredos neste Benfica?

“Tem vários segredos. Há coisas que ainda estão lá da primeira passagem do Benfica e também do Sporting. E nós temos observadores que trabalharam com o Jesus, temos o Coates que trabalhou com ele e partilhamos ideias durante a semana em todos os aspectos, bolas paradas, etc. Mas as características do jogadores mudam a forma de jogar e aqueles jogadores eu não os conheço. Depende muito de quem jogar. No Dragão jogou por exemplo o Grimaldo à frente, pode jogar o Cebolinha, é completamente diferente. Há todas essas possibilidades. Depende também da inspiração dos nossos jogadores e dos jogadores do Benfica”

Abel Ferreira

“Quero dar os parabéns ao Abel, excelente treinador português. Ele não tinha nenhum título, mas o trabalho que tinha feito cá e na Grécia é de realçar. Torna difícil agora para os treinadores portugueses irem para o Brasil porque cada um que vai ganha a Libertadores, a pressão começa a ser muito forte. Também não faço intenção de ir!”

Diferenças enquanto jogador e treinador num dérbi

“A intensidade é diferente, a pressão é diferente, a preparação do jogo é completamente diferente. Mas há certas características da minha personalidade que eu mantenho, a forma de encarar os jogos, mas não há comparação possível. Não há muito que se possa retirar de um papel para o outro”

O que se mantém neste Benfica do seu tempo

“A saída a três, na altura fazíamos muito isso. A forma como os centrais vão buscar os alas às vezes e entra o médio defensivo para central. A forma como os alas jogam muito por dentro e quem dá largura são os laterais. Há sempre um avançado que escolhe muito um lado, o Darwin vai muito para o lado esquerdo. Nós na altura tínhamos o Lima, o Saviola, que tinham essas características. Retiro alguns posicionamentos, não mais que isso. Se jogasse a lateral direito era impossível fazer de Porro, porque ele é muito mais ofensivo que eu, mais habilidoso, tem muito mais talento que eu. O Gilberto é mais defesa do que talvez o Porro, também joga numa linha de quatro. Sinceramente a defesa direito não queria fazer nenhuma posição. Houve dias que preferia não ter jogado do que jogar a defesa direito, não é muito bonito de se dizer [risos], muito mais quando somos treinadores, mas eu não gostava de jogar naquela posição”

Mais pressão no Benfica?

“Espero que os meus jogadores estejam pressionados porque queremos ganhar. Estamos melhor na classificação mas espero que os meus jogadores tenham a mesma pressão que os jogadores do Benfica, temos responsabilidade e queremos continuar na frente, com esta vantagem”

Plata

“O Plata é uma questão de gestão de expectativas, não podemos esquecer que ele tem 20 anos. É uma questão de plantel… acontece muita coisa na vida de um jogador e nós estrutura temos de estar atentos. Nós queremos fazer o melhor por um jogador. Às vezes é subir, outras descer à B, ter uma conversa com ele, não ter uma conversa com ele. Estamos a tentar fazer dele um grande jogador, ele tem muito talento mas às vezes é preciso algo mais. É o que estamos a tentar fazer”