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Rúben Amorim: "O tudo por tudo tem de ser mais para o Sporting, porque o Sporting é que não ganha há muito tempo. Temos de ter mais fome"

Na antevisão ao clássico de sábado (20h30, Sport TV1) contra o FC Porto, no Estádio do Dragão, o treinador do Sporting garantiu que a semana de trabalho que passou foi normal, que conhece o rival, que "todas as equipas precisam de sorte". E defendeu, também, que este não será o jogo do título

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Jose Lorvao/Getty

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Como foi a semana de trabalho?

"Antes de mais, quero deixar um abraço à família do [Alfredo] Quintana, um abraço forte ao FC Porto, que o ano passado viveu isto também com o Casillas, teve um desfecho completamente diferente. Esta situações metem um pouco as coisas na perspetiva certa, sabendo que às vezes é só por 20 minutos, mas faz-nos pensar no que é realmente importante. Portanto, um abraço para eles.

Em relação ao jogo, vai ser muito complicado, contra o campeão nacional e uma equipa que já está habituada a este tipo de jogos, já com muito tempo de trabalho, e como o seu treinador disse, já habituada a jogos a eliminar, que não é o caso, mas é um jogo muito importante.

A nossa preparação foi igual, como tivemos uma semana maior chamámos alguns jovens para treinarem com a equipa principal. A nossa forma de trabalhar não muda consoante os jogos. Temos aqui um plano muito maior do que um jogo ou um título, é muito maior do que isso. A preparação foi normal, com o mesmo tipo de treino, quando há semanas de jogos grandes chamamos miúdos para conhecerem o que é ser jogador da equipa principal do Sporting, com a máxima tranquilidade, obviamente."

Sérgio Conceição disse que o Sporting é uma equipa fácil de desmontar

"Em certa medida concordo, porque é fácil olhar para o Sporting e perceber mais ou menos a forma como joga. Claro que diferentes jogadores mudam a nossa forma de jogar, já temos algumas nuances diferentes, mas é fácil. Qualquer pessoa, não só um treinador experiente como o Sérgio Conceição, olha para o Sporting e sabe como se vai apresentar de uma forma geral.

Concordo, em certa medida, com o Sérgio Conceição. Em relação ao FC Porto, pode variar consoante os jogadores que tem, neste momento tem um 4-4-2 muito forte e penso que se vai apresentar nesse 4-4-2, com o Taremi e o Marega na frente, que se complementam bastante - um mais com velocidade, outro com outro tipo de futebol.

Depois, pode haver uma mudança entre o Luís Díaz e o Otávio, o Corona deve jogar, o Sérgio Oliveira e o Uribe, o Pepe, o Mbemba, o Manafá e pode ser o Zaidu ou o Sarr, que muda um pouco a construção. Da mesma forma que o FC Porto nos conhece, também conhecemos o FC Porto.

É muito experiente e habituada a estes momentos, mas nós temos o outro lado, não passámos por isto muitas vezes, mas temos essa vantagem - não sabemos, mas também não queremos saber. Vamos atirar-nos ao jogo como sempre e jogar da mesma maneira."

Como se lida com esta semana?

"Quer sejam mais novos ou mais experientes, os jogadores são muito atentos a tudo. Se vamos mudar muito o nosso comportamento por ser uma semana de clássico eles ficam mais ansiosos.

Fizemos tudo igual, tratámos tudo da mesma maneira, obviamente que sabemos que o FC Porto é um clube habituado a ganhar e foi dito que será o tudo por tudo, mas acho que o tudo por tudo tem de ser mais para o Sporting, porque o Sporting é que não ganha há muito tempo, temos de ter mais fome e essa vontade de jogar esses jogos. Faz parte do nosso crescimento. É o tudo por tudo também para nós e é assim que temos de encarar o jogo. Já estamos habituados à pressão, temos sempre de ganhar desde o início.

Há um equilíbrio muito grande na equipa, os mais experientes se calhar sentem mais estas semanas, os miúdos não tanto. Estão preparados para o jogo, já jogámos duas vezes com o FC Porto, duas vezes com o Braga, um vez com o Benfica... Já estamos algo preparados, sabendo que o jogo é um pouco diferente por nos estarmos a aproximar do fim do campeonato.

Não há jogos iguais e temos a prova disso nos dois últimos jogos: empatámos [2-2] em Alvalade e penso que o Sporting foi superior; jogámos na Taça da Liga [2-1] e, sem problema nenhum, acho que o FC Porto teve algum ascendente no jogo e nós acabámos por marcar porque também fizemos por isso. Nós queremos ser melhores do que fomos no último jogo com o FC Porto, é isso que vamos tentar fazer."

O clássico da primeira volta

"Foi importante porque era uma altura inicial e havia alguma desconfiança, não dentro da nossa casa, mas fora, e quando digo fora, os adeptos também fazem perto e são uma parte importante do nosso clube, se não a mais importante.

Mas foi importante pela forma como jogámos, como nos batemos contra uma equipa muito mais madura. Lembro-me que acabámos o jogo com mais opções atacantes porque quisemos ganhar o jogo. Acho que ajudou a construir esta dinâmica, porque ainda não perdemos e esse empate ajuda. Mas nesse jogo perdemos dois pontos."

Mas este é o jogo do título?

"Não, é mais um jogo. Vejo muito pelas ações, temos de estar atentos, tendo algum tempo vimos muito o FC Porto e a forma como os jogadores do FC Porto, no banco, festejaram o golo da vitória no Marítimo - obviamente a equipa do FC Porto não deitou a toalha ao chão.

Ontem [quinta-feira], o Braga fez um golo com dois de desvantagem e foram buscar a bola à baliza com 85 minutos. Ou seja, o Braga está bem vivo e joga muito bem. E o Benfica, pela forma como festejou o golo do Rafa, não está morta nem tão desunida como se diz. Olho para as ações e para estes pormenores, que às vezes falam mais do que os resultados e dizem muito sobre as equipas que estão à nossa volta. Nós temos de dormir com um olho aberto e estarmos sempre preparados para as dificuldades. E temos de ganhar, e vamos ao Dragão para vencer."

As palavras de André Horta e as equipas portuguesas na Europa

"Podemos sempre melhor, mas, há pouco tempo, o FC Porto ganhou à Juventus e os orçamentos não se comparam. Nós perdemos com o LASK Linz, equipa que pouca gente conhece na Europa, e o Leicester, 3.º da Premier League, foi ontem [quinta-feira] eliminado pelo Slavia de Praga.

Será preciso estrelinha para ir ganhar ao Dragão?

O futebol é muito assim, às vezes é o momento, é uma sorte, toda a gente precisa da estrelinha. Todas as equipas precisam de sorte. Todas as equipas que ganharam o campeonato e atingiram objetivos precisam sempre de sorte. Nós também temos tido, mas temos tido ainda mais competência. Portanto, o que precisamos de fazer no sábado é de jogar bem, melhorar a nossa performance nestes jogos, crescer e ganhar o jogo. Basicamente, é isso."

Os penáltis

"Não vou comentar, espero que seja uma boa arbitragem e um bom jogo, sem casos."

Os gritos durante os jogos

"A culpa é do Nuno Santos, porque ele grita muito alto e, não havendo público, a culpa é dele. Quando houver público ninguém vai ouvir os gritos. Toda a gente grita, toda a gente se levanta nos bancos, é normal, não há público e nota-se mais. O que espero é que seja um excelente jogo. Se não for, que o Sporting ganhe, isso é o mais importante."

A vida de Paulinho

"O Paulinho é o único indisponível, não vai estar neste jogo e dificilmente estará no próximo. Vamos é recuperar bem o Paulinho, porque teve uma fase complicada em que se lesionou no Braga, recuperou rápido para jogar a final-four [da Taça da Liga], mudou de casa, mudou de vida, teve ali um período difícil no fecho do mercado que mexe sempre com os jogadores.

Vamos é recuperá-lo bem, é um jogador para cinco anos e quando estiver pronto voltará às opções da equipa."

O que muda na forma de jogar do Sporting sem Paulinho?

"Não só um sistema se pode mudar por aí, como a forma de jogar de uma equipa. O Paulinho não é tão rápido como o Tiago Tomás, nem como o Jovane, mas é mais forte a segurar e a ligar do que o TT. O Jovane é um misto dos dois. O Tabata jogou no meio pela seleção olímpica do Brasil em um ou outro jogo. O Nuno Santos não pode jogar ali.

Nós vamos fazendo a nossa avaliação sobre o que é melhor para o jogo. O Paulinho tem condições únicas porque é um número 9 mais clássico, com outra capacidade dentro da área e por isso é que o contratámos, por ser diferente dos jogadores que já tínhamos."

A época passada, o FC Porto garantiu o título contra o Sporting

"Não sei se espicaçou, obviamente que o final da época passada ajudou jogadores como o Matheus Nunes, o Nuno Mendes e o próprio Eduardo Quaresma, que não tem jogado tanto. Tiveram um crescimento muito grande também pela forma como começámos a preparar esses momentos.

Passado menos de um ano as coisas tão diferentes, mas não estamos à distância de um jogo de sermos campeões, como aconteceu com o FC Porto. São apenas três pontos, ainda falta muito, temos de jogar contra toda a gente. Temos é de estar preparados e fazer um jogo muito competente."