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Sebastián Coates, o seu santo milagreiro

Tal como em Barcelos, houve Sebastián Coates to the rescue. O central uruguaio salvou o Sporting nos descontos, num jogo fraco dos líderes do campeonato, que só acordaram quando o Santa Clara empatou o jogo aos 84’

Lídia Paralta Gomes

NurPhoto/Getty

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Há quem tenha uma medalhinha ao pescoço, há quem leve uma imagens no bolso, um terço no espelho do carro, a superstição é assim, cada um agarra-se ao que lhe dá força e o Sporting este ano bem que pode fazer um qualquer altar a Sebastián Coates, santo milagreiro de Montevideu, padroeiro do eixo da defesa, o homem to the rescue nos momentos mais complicados do leão.

Depois de marcar duas vezes nos últimos 10 minutos em Barcelos, virando uma derrota já certa para uma vitória, o central do Sporting voltou a salvar a equipa com um golo aos 90’+3, minutos depois do Santa Clara empatar um jogo em que o líder do campeonato pareceu sempre algo adormecido, talvez demasiado confiante na consistência lá atrás, deixando o tempo correr na demanda de uma vitória magra, numa altura em que, ofensivamente, o Sporting parece mais frágil.

Provavelmente porque há mais equipas a saber como lidar com o modus operandis leonino e a entrada do Santa Clara mostrou isso mesmo: muita pressão, tentativa imediata de travar os ataques rápidos do Sporting, atenção ao espaço nas costas - nos primeiros 10 minutos de jogo, o Sporting raramente conseguiu sair do seu meio campo.

Acontece que o Sporting, mesmo muito limitado em termos de opções no ataque, é uma equipa fria e terrivelmente eficaz para a matéria prima que tem. E aos 22’, na primeira vez que irrompeu pela área do Santa Clara, marcou: o lance começou numa recuperação de Palhinha, seguiu para João Mário que encontrou Tabata entrelinhas. O brasileiro, com classe, desmarcou Pedro Gonçalves que de primeira rematou para o golo.

Não foi preciso muito. Aliás, quando o tema é Sporting, o cântaro não tem de ir assim tantas vezes à fonte.

Depois do golo do Sporting, a qualidade de jogo caiu a pique e a 2.ª parte não trouxe exatamente nada de melhor, apesar do Santa Clara entrar novamente mais forte, instalado no meio-campo do Sporting. Ainda assim, e mesmo com a baliza dos leões acossada por vários livres e cantos, os açorianos não criavam verdadeiro perigo, face a uma sempre coesa linha defensiva do Sporting.

Terminada a ofensiva do Santa Clara, o Sporting voltou a equilibrar o jogo e ter mais bola com a entrada de Matheus Reis e Daniel Bragança, mas ainda assim a sentir grandes dificuldades em ligar jogo, com pouco acerto, pouca velocidade e a aposta demasiadamente regular em bolas longas, estratégia que raramente tem trazido resultados a uma equipa com pouca capacidade de ganhar duelos na frente. O jogo seguia pobre, praticamente sem oportunidades ou remates, porque o Sporting defendia bem, mas daí para a frente não conseguia controlar o jogo com ou sem bola. Por esta altura, o 1-0 parecia um resultado perigoso, um risco demasiado grande que os jogadores de Rúben Amorim corriam.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

E esse perigo materializou-se aos 84’, numa abertura para a direita que Carlos Jr. ainda conseguiu em esforço transformar em cruzamento. Feddal falhou o corte e deixou a bola à mercê de Rui Costa, que rematou para o empate.

Bastou um erro e a atitude soporífera do Sporting era castigada. Ninguém sai ileso a toda a hora.

E foi só com o credo na boca que o Sporting partiu para o seu melhor momento, provando que a questão não era falta de capacidade, mas de atitude. Logo a seguir ao empate, e recém-entrado, Jovane Cabral quase marcava, num bola cabeceada para a área por Coates.

Era como se o uruguaio já estivesse a preparar o seu milagre do dia, milagre que apareceria já bem para lá dos descontos: após uma bola longa vinda da esquerda, João Mário cruzou para o central-santo milagreiro, que em frente à baliza encostou para o golo. Quando o jogo pede heróis, Coates, seja lá atrás ou na área adversária, tem dito sempre presente.

Servirá de lição este jogo para o Sporting, que vai assim manter pelo menos nove pontos de vantagem para o 2.º classificado. Uma lição para que não adormeça à sombra dos louros, uma lição para que não confie demasiado. O campeonato vai entrar na sua fase decisiva, há quem precise de pontos para chegar à Europa, para se manter, para não descer: cada ponto ficará cada vez mais caro e deixar tudo nas mãos de uma linha de cinco homens não será, em muitos jogos, suficiente.

E quando tudo falha, dá muito jeito levar uma medalhinha de Coates ao peito.