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“Sem comentários”: o dirigente que fez a queixa contra o Sporting e Amorim lamenta que a justiça desportiva ande “devagar, devagarinho”

José Pereira, líder da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, vai manter-se em silêncio até que o Conselho de Disciplina decida, "num sentido ou noutro", a alegada fraude na inscrição de Rúben Amorim, acusação deduzida pela Comissão de Instrutores da Liga um ano depois da participação feita pela Associação Nacional de Treinadores de Futebol. Em causa está a falta de habilitações do treinador para dirigir uma equipa da I Liga

Isabel Paulo

ANDRÉ KOSTERS

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O presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) recusa comentar a acusação contra o Sporting e Rubén Amorim, enquanto o processo estiver a ser analisado pelo Conselho de Disciplina da FPF. José Pereira justifica o silêncio para não ser acusado de perturbar o caso, após a Comissão de Instrutores da Liga ter sustentado que a direção do Sporting terá incorrido numa presumível fraude ao contratar um técnico sem habilitações para ser treinador-principal da I escalão do futebol português.

José Pereira confirma que a participação foi feita à Liga há um ano, na altura da contratação de Amorim ao Sporting de Braga, inscrito como treinador-adjunto, um artifício há muito utilizado pelos clubes para driblar a legislação desportiva quando os técnicos escolhidos não têm o nível IV do Curso de Treinadores.

O líder da ANTP diz ao Expresso que não quer tecer comentários para que os membros do Conselho de Disciplina possam julgar o caso sem pressões, garantindo que aceitará a decisão "seja ela num sentido ou noutro". Sobre o facto de só agora ter sido deduzida acusação, José Pereira diz ser alheio aos prazos da justiça desportiva, que “anda devagar, devagarinho”.

Em janeiro foi divulgado que Rúben Amorim inscreveu-se no nível 4 do curso de treinadores da FPF, situação que o permitiu ser colocado como técnico principal da ficha de jogo dos encontros do Sporting, inibição a que se viu obrigado desde que em março de 2020 foi contratado pelos 'leões'. Na prática e aos olhos de todos, Amorim era o treinador principal, mas no papel e para efeitos normativos da competição surgia como adjunto de Emanuel Ferro.

Umas das indignações do Sporting é não ter a ANTF participado a sustentada ilegalidade quando Rúben Amorim era treinador do Sporting de Braga. José Pereira também não comenta a questão, apesar de ter sido pública a oposição da ANTF à contratação do técnico para treinador principal do Braga, na sequência da saída de Sá Pinto, em dezembro de 2019.

“Uma vergonha” e mais ”um triste episódio que mancha a classe” foram algumas das críticas feitas, então, pelo organismo de classe e que mereceu uma forte reação de António Salvador. Em comunicado, a ANTF tornou público o seu repúdio pela contratação à margem dos regulamentos, situação recorrente no futebol português, como já aconteceu com Paulo Bento, e repetida por Frederico Varandas no Sporting após ter contratado Silas, também sem as devidas habilitações.

Refira-se que o nível IV e último da hierarquia de cursos da UEFA é exigível pela Liga Portugal, regulamento também validado pela FPF em 2012.