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Este Sporting não defrauda: mais tarde do que cedo, há sempre uma estrelinha que desponta

O Sporting partiu para o assalto final nos derradeiros 15 minutos, onde - manda a tradição amoriana - a magia acontece: aos 81’, Nuno Mendes aproveitou um falhanço do Tondela, cruzou, Martínez não foi esperto a despachar a bola, Pedro Gonçalves assistiu e Tiago Tomás chutou para glória. Depois, foi a altura de pensar, recuar e de trancar a porta – e ninguém faz isto tão bem quanto o Sporting e isso não iria mudar em Tondela

Pedro Candeias

Octavio Passos

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Bem-vindos a Tondela, façam o favor de deixar as vossas expectativas arrumadas à porta porque aqui dentro não cabem sonhos largos num campo apertado que os locais tornam mais exíguo ainda pela forma como o defendem. Pois é em Tondela que está uma das melhores equipas caseiras, com apenas duas derrotas e dois empates, e sete vitórias, cinco delas consecutivas que permitem contrabalançar o péssimo histórico nos jogos fora de casa.

Mas que essa parte da história não vos ocupe o tempo, porque esta noite é ali perto de Viseu que o Sporting joga mais uma jornada no caminho que espera levá-lo ao título de campeão, 19 anos depois. O contexto não é o mais favorável, por questões teóricas e outras um bocadinho mais práticas. Comecemos por estas últimas: o Sporting não tem Paulinho, o único ponta de lança do plantel, o que encurta as opções ofensivas de Rúben Amorim.

Por outro lado, e aqui entra o plano subjetivo, parece-nos haver um declínio exibicional progressivo no Sporting, apesar da consistência dos resultados. Porquê? Provavelmente, porque os adversários já encontraram forma de abrandar o jogo leonino, que assenta nos constantes movimentos verticais dos seus avançados e na elevada taxa de eficácia de quem chuta à baliza. O Sporting não precisa de trabalhar muito ou de vários apoios para conseguir catapultar a bola até lá à frente para então se chegar ao golo: às vezes, bastam coisas simples, como um passe comprido e por alto ou um cruzamento.

Em Tondela, houve muito de ambos, mas a formação de Pako Ayestarán também estava avisada para o que ia enfrentar, obrigando sistematicamente o Sporting a ir para as linhas laterais, retirando João Mário e Pedro Gonçalves da equação. Com uma pressão bem efetuada por Murillo, um meio-campo baixo e uma defesa coordenada e intensa, o Tondela levou toda a primeira-parte a esconder a baliza de Pedro Trigueira, conseguindo-o na maior parte das ocasiões – exceto naquelas em que Porro se apanhava solto de Khacef para cruzar com perigo, como no lance ao minuto 43’ que o brigão Tiago Tomás desperdiçou, cabeceando ao lado. Antes deste instante, o Sporting criara uma ou outra ocasião, como o remate de TT que nunca saberemos como resultaria, porque Ricardo Alves fez um corte excecional, no limite (27’).

Para a segunda-parte, o Tondela quis ser mais ambicioso e chegou a colocar problemas a Adan e à defesa leonina, primeiro por Murillo e depois por Murillo também: o venezuelano foi particularmente inteligente a pressionar Feddal e a procurar o espaço nas costas. O Sporting foi respondendo de bola parada, apontando sempre à testa de Coates, mas nada parecia resultar para Rúben Amorim que, de uma vez só, fez entrar Tabata (saiu Porro), Matheus Reis (Feddal) e Jovane Cabral (João Mário). Como é habitual nele, homens diferentes não significam modelos diferentes, são apenas as dinâmicas que mudam. E assim o Sporting partiu para o assalto final nos derradeiros 15 minutos, onde – manda a tradição amoriana – a magia acontece: aos 81’, Nuno Mendes aproveitou um falhanço do Tondela, cruzou, Martínez não foi esperto a despachar a bola, Pedro Gonçalves assistiu e Tiago Tomás chutou para glória.

Depois, foi a altura de pensar, recuar e de trancar a porta – e ninguém faz isto tão bem quanto o Sporting e isso não iria mudar em Tondela. Numa semana em que tanto se falou de fraude técnica, a equipa de Amorim demonstrou que não está para defraudar as suas expetativas.