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Onde vai um míssil Paulinho, vão todos

O avançado português encheu-se de fé e arrancou o pontapé que entrou direto para a galeria de melhores golos do campeonato e selou uma vitória importantíssima (e tranquila) do Sporting por 2-0 que coloca os leões cada vez mais próximos do título e à espera do resultado do Benfica-Porto

Tiago Oliveira

Paulinho foi a figura do jogo

Getty Images

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O futebol gosta de histórias assim não é? Como se naquele pontapé, aos 63 minutos, Paulinho colocasse todas as críticas e desconfianças de que foi alvo, desde a sua transferência por €16 milhões em janeiro e o parco pecúlio de um golo pelos leões. Como se, com aquele golpe de inspiração, o avançado de Barcelos mostrasse que não era bem assim. E se o mostrou.

Na perspetiva do Sporting, escolheu a altura ideal para o fazer. Porque vale a pena perceber que falamos não só de um golo ao nível dos melhores, mas de um tento que poderá ser decisivo nas contas do título. Tudo começou com um passe alto, em profundidade, metido na direção da grande área do Rio Ave e que Borevkovic alivou para a frente. A bola foi na direção de Paulinho e havia várias opções à escolha do avançado. Parar, contemporizar, passar, várias alternativas. Nenhuma tão difícil como a que escolheu por executar. O minhoto matou de peito e, sem deixar a bola cair, encheu o pé esquerdo para um remate de longe, sem hipótese para Kieszek, que selou a vitória por 2-0 frente ao Rio Ave e deixa o Sporting cada vez mais próximo do objetivo que foge há quase 20 anos.

A história de redenção de Paulinho, que teve também papel principal no primeiro golo, e da vitória do Sporting, teve como palco o Estádio dos Arcos. Pela frente o Rio Ave, sem vencer há oito jogos e numa posição periclitante na tabela, à procura de pontos importantes e a prometer fazer frente ao primeiro classificado.

Para enfrentar mais esta etapa, Rúben Amorim promoveu quatro alterações relativamente ao último onze, com os regressos de Adán, Gonçalo Inácio, João Mário e a estreia a titular de João Pereira no lugar do lesionado Pedro Porro. Sem perder tempo, o Sporting lançou-se desde o primeiro minuto à procura da vitória, com uma entrada muito forte a não deixar o Rio Ave respirar.

As oportunidades surgiram naturalmente e, em dois lances quase tirados a papel químico, o Rio Ave pode agradecer ao poste direito não ter ficado em desvantagem. Na sequência de dois cantos, aos 7 e aos 13 minutos, Coates e Palhinha cabecearam ao ferro, e mostravam um leão impositivo, com Nuno Santos, pelo meio, a obrigar Kieszek a aplicar-se

Bomba rumo ao título

Se, tecnicamente, pode-se dizer que a primeira bola no poste do jogo pertenceu ao Rio Ave, após um cruzamento desviado de Ivo Pinto logo no início do jogo, também é certo que a jogada não teve grande perigo e, a partir daí, os vila-condenses mal se viram. Basta dizer, aliás, que o primeiro remate só chegou aos 40 minutos do jogo.

O Sporting continuava a pressionar, Pedro Gonçalves, obrigou a mais uma intervenção do guarda-redes adversário e o golo adivinhava-se. Chegou aos 34 minutos. O lance teve origem num canto, com Paulinho a rematar uma bola aparentemente perdida e a protestar de imediato mão de Ivo Pinto. Fábio Veríssimo foi chamado pelo VAR e, após visionar as imagens, apontou para a marca da grande penalidade. Aí coube a Pedro Gonçalves a responsabilidade, com o médio ofensivo a não vacilar e a mandar o guardião do Rio Ave para o lado contrário.

O 1-0 premiava o ascendente leonino e a exibição autoritária do Sporting, que não mereceu contestação até ao final da primeira parte. No reatamento do jogo, o treinador vila-condense, Miguel Cardoso, lançou Carlos Mané, e o ex-sportinguista ainda agitou as águas a ponto de levar Rúben Amorim, no duelo de bancos, a reforçar o miolo com a entrada de Matheus Nunes.

A mexida teve o condão de voltar a dar mais segurança aos leões que depois só tiveram que festejar ao assistir à bomba de Paulinho. O 2-0 matou o jogo e lançou festejos audíveis no exterior do estádio, com o Sporting a aproximar-se do objetivo do título e a equipa a lançar-se tranquila para vitória. Houve muitos espaços para aumentar a vantagem, mas o resultado aguentou-se até final e o Sporting tornou-se na primeira equipa do campeonato a estar invicta 31 jogos consecutivos. Agora é assistir de cadeirão ao Benfica - FC Porto.