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3% de probabilidades, 100% de alegria

No jogo mais importante da vida do Sporting dos últimos 19 anos, aos leões não faltaram oportunidades para uma festa do título mais descansada. Mas foi mesmo sofrido até ao fim, com uma vitória por 1-0 frente ao Boavista. No início da época ninguém acreditava neste Sporting, mas a beleza do futebol também está nas improbabilidades

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Os números existem para que as improbabilidades também possam acontecer, no futebol eles não vivem uns sem os outros e este Sporting época 2021/21 é a prova disso mesmo. Esteve longe de ser a equipa que mais investiu, não é a equipa que paga salários mais elevados e esta semana soube-se até que no início da época uma casa de apostas colocava a equipa de Alvalade com apenas 3% de hipóteses de levantar o caneco, menos que o Sp. Braga e longe, muito longe de Benfica e FC Porto.

Mas o futebol é mais bonito quando 3% de probabilidades dão direito a 100% de alegria, porque é difícil os níveis de serotonina não estarem no máximo quando se festeja um título 19 anos depois, 19 anos de algumas luzes e muitas sombras, agora esquecidos com uma equipa liderada por um rapaz com 36 anos, treinador há apenas três, com um equipa feita de miúdos e veteranos reabilitados. Já vos falei mesmo de improbabilidades?

Improvável seria também que a vitória do Sporting desta terça-feira, a última, a que era necessária para garantir o título, não fosse feita de sofrimento, essa é a marca do Sporting, foi a marca do Sporting neste ano de tantas vitórias conseguidas à última, mas frente ao Boavista tal não teria sido necessário se a equipa de Rúben Amorim tivesse tido aquilo que foi na 1.ª volta e foi perdendo ao longo da temporada: a eficácia.

Só na 1.ª parte, foram duas as bolas aos postes, a primeira logo aos 5 minutos, num remate cruzado de Nuno Santos; depois aos 24’, Nuno Mendes lançado por Nuno Santos, num diabólico lado esquerdo impossível de domar pelo Boavista durante largos períodos. Antes disso, já Pedro Gonçalves tinha falhado à boca da baliza a bola redondinha que Nuno Mendes lhe havia colocado nos pés num cruzamento, num lance em que o Sporting perderia Pedro Porro por lesão.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

A falta do lateral, que até estava a ser um dos melhores do Sporting, não se sentiu, com João Pereira a dar a segurança defensiva necessária e o lado esquerdo a continuar a fazer as despesas do ataque, por onde nasceu o golo dos leões, o único do jogo: aos 36’, João Mário aguentou bem a pressão, deu para Nuno Santos que cruzou para o golo de Paulinho.

Ao golo do Sporting, o Boavista respondeu com a única oportunidade clara que teve ao longo de todo o jogo, um remate de Nuno Santos na área que Adan conseguiu defender mesmo apanhado em contra-pé.

O segundo tempo começou com o Sporting em toda a força, logo com duas oportunidades para Paulinho, a primeira a passe de Nuno Mendes, a segunda depois de uma desmarcação de Pedro Gonçalves, antes do jogo entrar numa fase menos intensa, em que o Boavista aproveitou para ter mais bola. O Sporting só conseguiu voltar a assustar já dentro dos últimos 15 minutos, com Pote a rematar ao ferro após passe de João Mário.

Os últimos minutos já foram de defesa da área, de aguenta coração, de esperar impacientemente pelo apito final. O tal sofrimento que Rúben Amorim disse que ia acontecer, mas num jogo em que o Sporting não necessitava de penar tanto.

Mas 19 anos depois, não poderia ser fácil, não é?