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Sporting

Mais uma rodada

Seja no campeonato, na Taça da Liga, na Supertaça, seja em 2020 ou 2021, seja com mais ou menos sofrimento - e este sábado houve muito -, o Sporting de Rúben Amorim não perdoa o SC Braga. Segunda vitória (2-1) dos leões em duas semanas frente aos minhotos e primeiro grande teste da I Liga ultrapassado

Lídia Paralta Gomes

Quality Sport Images/Getty

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A temporada 2021/22 será, necessariamente, diferente para o Sporting. Acabou-se o efeito surpresa, a Champions vem aí, os adversários reforçaram-se mais, o volume de jogos será outro, o mercado ainda não está fechado.

Mas, enquanto se arranjam e contam motivos para a queda do leão, o Sporting continua a ganhar.

E em duas semanas já são duas vitórias frente ao SC Braga, a primeira para a Supertaça, agora na 2.ª jornada da I Liga, dois testes essenciais para o campeão nacional encarar o início desta temporada em que leva o escudo ao peito com outra tranquilidade. Uma tranquilidade talvez inesperada porque, lá está, aparentemente tinham-se acabado as surpresas.

Só que o Sporting versão 2021/22, e aqui falemos apenas dos primeiros 80 minutos, antes da expulsão de Matheus Reis que deu a volta ao jogo, tem nuances que o Sporting da época passada não tinha. E o que parece ter perdido em vertigem, ganha com um melhor jogo posicional, com outras formas de chegar lá à frente, com outras soluções.

Soluções como o pé direito de Esgaio, que deu aquele cruzamento para Jovane, aos 40’, que de cabeça abriu então o marcador de um jogo que estava amarrado, dividido, com duas equipas que se conhecem bem a anularem-se mutuamente.

Ou dinâmicas ofensivas como a que resultou no 2-0, no início da 2.ª parte, com Matheus Nunes a aguentar bem a pressão do meio-campo do Braga e a deixar para o espaço onde Palhinha pode preparar o passe que mudou o flanco à jogada e desequilibrou o Sp. Braga. A grande receção de Jovane na esquerda e depois o talento de Pedro Gonçalves na finalização fizeram o resto.

E por esta altura, ainda com 40 minutos para jogar, o Sporting parecia um natural senhor dos acontecimentos na Pedreira, seguro no controlo do jogo, fosse com ou sem bola, confiante no seu coletivo, forte mentalmente. Um upgrade claro à reta final do último campeonato.

MIGUEL RIOPA/Getty

A expulsão de Matheus Reis, num lance despropositado a 10 minutos do fim, abalou essas fundações, o que prova que as equipas têm sempre algo que aprender e que convém não embandeirar em arco cedo demais. Com menos um a equipa desorganizou-se, recuou em demasia e sofreu, principalmente depois de Abel Ruiz reduzir no segundo dos sete minutos de compensação. Valeram um par de intervenções decisivas de Antonio Adan e alguma precipitação dos minhotos, que ainda assim melhoraram ofensivamente com a entrada de Iuri Medeiros e Rui Fonte.

Mas como já vem sendo habitual em jogos com o Braga, o Sporting de Rúben Amorim aguentou. Desde que o treinador trocou o Minho por Alvalade que a sua anterior equipa é cliente: são cinco vitórias em cinco jogos. Esta foi apenas mais uma rodada. Seja no campeonato, seja na Taça da Liga ou na Supertaça, seja em 2020 ou 2021, seja com maior ou menor sofrimento, o certo é que Rúben não perdoa o Braga, o que também diz muito sobre um certo estado de graça, de maturidade e de solidez que esta equipa do Sporting parece ter construído - e aprimorado - com Amorim no banco.

Os últimos 10 minutos são um aviso importante, mas o Sporting não é um one-off, não é um evento fortuito, um acontecimento circunstancial. O mercado e o que ele poderá vir a tirar a Alvalade será um factor de desestabilização, mas se mantiver as suas principais peças o Sporting vai voltar a ser uma equipa difícil de bater nesta nova época. Para já, o arranque é promissor.