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O doce sabor da vitória, o melhor pára-choques

Na ressaca da goleada sofrida contra o Ajax, descrita por Rúben Amorim como “uma pancada muito forte”, o Sporting voltou aos triunfos três partidas depois, batendo (1-0) o Estoril num duelo competitivo, só decidido por um penálti marcado por Pedro Porro aos 67 minutos

Pedro Barata

CARLOS COSTA/Getty

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O futebol é um estado de ânimo, já o dizia Jorge Valdano, essa espécie de consciência falante do jogo. E o Sporting de Rúben Amorim sabe-o bem, não tivesse o fator psicológico sido tão importante para expulsar traumas de Alvalade e vencer o título de campeão nacional na época passada. Crença, união, estrelinha, muitos nomes foram dados a essa força mental que os leões, indiscutivelmente, têm apresentado desde que, em março de 2020, Amorim chegou ao clube.

Ainda assim, nem o mais imperturbável dos estados anímicos resiste à ditadura imposta pelos resultados. E esses diziam que o Sporting se apresentou no António Coimbra da Mota com três jogos seguidos sem vencer, a uma partida sem ganhar de chegar a um registo que Amorim nunca viveu em Alvalade. E, mais do que isso, os leões fizeram a curta deslocação dias depois de sofrerem contra o Ajax aquilo que o seu próprio técnico apelidou de “pancada muito forte”.

Pois bem, as vitórias são o melhor antídoto para a instabilidade emocional, o melhor atalho para recuperar confiança. E o triunfo, por 1-0, do Sporting no terreno do Estoril é um autêntico pára-choques para os campeões nacionais, uma doce maneira de recuperar da pancada sofrida na Liga dos Campeões e reencontrar-se com os bons resultados numa altura em que este jovem plantel está, pela primeira vez, a lidar com as exigências de dividir atenções entre a principal prova de clubes da Europa e o campeonato nacional.

CARLOS COSTA/Getty

Mas o reencontro leonino com o gosto pelo triunfo não foi fácil. O Estoril acabou de regressar à elite do futebol luso, mas não tem acusado, de todo, a subida de nível. Liderados por Bruno Pinheiro, eleito o melhor treinador do mês de agosto, os homens da linha realizaram o melhor arranque de campeonato da sua história, com quatro vitórias e um empate que dão corpo a uma ideia de equipa sólida, com bons princípios e, sobretudo, confiante.

E foram mesmo os donos da casa a criar a primeira grande oportunidade de golo. Aos 15 minutos, na sequência de um canto da direita da esquerda, Patrick William antecipou-se à defesa visitante, cabeceando para defesa apertada de Adán, com o espanhol a voltar a fazer excelente intervenção para impedir o golo de Gamboa na recarga.

Com três alterações face à formação inicial que defrontou o Ajax, com Coates de volta, Matheus Reis como central do lado esquerdo e Sarabia a estrear-se a titular, a equipa de Amorim sentiu dificuldades, no começo do duelo, para penetrar na defesa do Estoril. Os homens de Bruno Pinheiro recuavam, muitas vezes, o seu bloco para bem perto da sua área, desenhando praticamente uma linha de seis defesas, com o médio Gamboa a juntar-se aos centrais e o extremo Chiquinho a recuar para a direita da zona recuada. Com tanta concentração de gente atrás, o Sporting não podia explorar a profundidade, arma muito do agrado dos leões, e carecia de criatividade.

Gualter Fatia

Só aos 27 minutos os verde e brancos remataram pela primeira vez, e logo para criar muito perigo em dose dupla. Paulinho começou por rematar dentro da área para defesa de Figueira, sendo que, no canto posterior, o avançado cabeceou a escasos centímetros da baliza, mas Joãozinho evitou o tento adversário, para desespero de Paulinho.

O intervalo chegou com um nulo no marcador que fazia juz às dificuldades do Sporting, isto perante um Estoril que, sem se aproximar regularmente de Adán, apresentava claras marcas de confiança, expressas em Patrick William a fazer um corte de calcanhar, João Gamboa a realizar um passe sem olhar ou Arthur a tentar túneis e chapéus. O futebol é um estado de ânimo.

E o estado de ânimo de Paulinho em frente ao golo, apesar do tento apontado ao Ajax, não tem sido o melhor. Logo no reatar do desafio, o avançado rematou de pé esquerdo, mas o esférico, caprichoso, acertou no poste. O Sporting entrou na segunda parte com mais velocidade e cadência de jogo, empurrando mais o Estoril contra a sua baliza, e Neto esteve, também, muito perto de marcar ao minuto 61. Amorim lançou Jovane no jogo pouco depois, e aos 67’ dar-se-ia o momento decisivo da partida.

Pablo Sarabia solicitou a desmarcação de Paulinho num passe para as costas da defesa rival, no tipo de lance que, durante muito tempo, o Estoril conseguiu evitar. Dani Figueira, o guardião dos da casa, foi lesto a sair da baliza, parecendo ter tudo para cortar o lance, só que falhou a abordagem e acabou a derrubar o avançado do Sporting, cometendo penálti.

CARLOS COSTA/Getty

Com Jovane Cabral, habitual marcador dos castigos máximos do Sporting mas que tinha desperdiçado um na jornada inaugural da Liga, em campo, foi Pedro Porro a ser chamado para a cobrança, não desperdiçando a oportunidade. Foi o quinto tento do ofensivo lateral espanhol em 43 jogos no clube.

CARLOS COSTA/Getty

Em desvantagem, Bruno Pinheiro tentou dar à sua equipa ferramentas para ser mais perigosa, na forma da entrada de médios como Baró ou Francisco Geraldes, mas o Estoril nunca ameaçou verdadeiramente o empate, muito devido à competência de Luís Neto, à liderança de Coates e à omnipresença de João Palhinha, o médio que festeja cortes e intercepções como se de golos se tratassem.

E foi, justamente, com Palhinha a atirar-se ao chão para evitar um cruzamento do Estoril, festejando essa acção de punho cerrado, que o Sporting evitou a última ocasião na qual a equipa da casa poderia ter colocado a bola na área e criado perigo. O futebol é um estado de ânimo, e ali, naquele festejo do médio leonino, estava a consciência que o Sporting tinha da importância deste triunfo após dias de instabilidade emocional.