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Pedro Porro, o descobridor do caminho Marítimo para o golo

O Sporting venceu (1-0) o Marítimo, num encontro decidido com um golo ao minuto 98, quando Pedro Porro, pela segunda jornada consecutiva, deu o triunfo ao Sporting através de um penálti. A equipa de Amorim dominou totalmente a partida, criou muitas oportunidades, mas abusou do desperdício na finalização e teve de sofrer muito para garantir os 3 pontos

Pedro Barata

NurPhoto/Getty

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Muito se escreveu sobre o triunfo do Sporting no campeonato nacional da temporada passada. Entre tantas causas apontadas para a espécie de renascimento que Rúben Amorim operou no reino do leão, uma delas foi a tão famosa "estrelinha". Os verde e brancos, crentes até final, vivendo com enormes doses de confiança, fizeram das partidas decididas no ocaso dos duelos uma das grandes armas para, 19 anos depois, pintarem o país com as cores do clube.

O desfecho do Sporting - Marítimo, com uma vitória da equipa da casa por 1-0 graças a um tento de penálti ao minuto 98, poderia sugerir o regresso da tão badalada "estrelinha". Mas, mais do que sorte, crença ou alinhamento dos astros, os 3 pontos foram para o pecúlio da equipa de Amorim porque, durante todo o encontro, esta foi claramente superior ao rival.

O Sporting instalou-se quase sempre perto da baliza insular, teve muito mais tempo a bola (terminou com 72% de posse), rematou muito mais (25 tiros contra quatro, não tendo Adán feito qualquer defesa em todo o duelo) e criou ocasiões de golo em quantidade suficientes para ter um resultado avolumado, mas muita ineficácia na finalização ditou que os homens da casa fossem adiando o seu encontro com o golo. No entanto, quando se está tanto tempo a rondar a baliza rival com perigo, o facto de haver uma sucessão de ressaltos na área que levam a uma má abordagem do guarda-redes rival, provocando um penálti, deixa de ser casual para se tornar consequência do que se passa dentro do campo.

NurPhoto/Getty

Com Feddal por Matheus Reis como única alteração frente ao onze que batera o Estoril, o Sporting, quatro dias antes de se deslocar a Dortmund, até entrou com dificuldades para penetrar no bloco do Marítimo. A equipa de Julio Velázquez é um conjunto difícil de bater, como se vê por, em 20 partidas com o espanhol no comando técnico, só ter perdido quatro por mais do que um golo. E os insulares foram a Alvalade com a clara intenção de manter o nulo durante a maior quantidade de tempo possível, com muita gente atrás da linha da bola e isso, no começo do embate, dificultou a vida ao Sporting.

Ainda assim, terminada essa fase inicial, os locais aumentaram a velocidade do seu jogo, passaram a atacar com mais perigo e, na segunda metade da etapa inicial, criaram oportunidades suficientes para ir para o descanso em vantagem. Só que foi aqui que o desperdício entrou em cena.

Pedro Gonçalves foi o melhor marcador da Liga no ano passado e os quatro tentos que apontou em cinco partidas esta temporada, antes da sua lesão, sugeriam que a influência do jogador na finalização dos lances na equipa de Amorim iria continuar ao longo da presente campanha. E, sendo certo que a amostra ainda é curta, a verdade é que, nos quatro jogos sem Pote, o Sporting ainda não marcou mais do que um golo em nenhum, tendo sido hoje particularmente evidentes as dificuldades que a equipa apresenta, neste momento, para concretizar as ocasiões que cria.

NurPhoto/Getty

Nuno Santos já havia pecado na finalização frente ao FC Porto, e hoje voltou a não ser feliz no remate. No primeiro tempo, por três vezes esteve em boa posição para marcar, e em nenhuma das três conseguiu bater Paulo Víctor. Até ao intervalo, também Sarabia - que esteve em destaque com dois belos passes para Nuno Santos, mas que ainda procura o seu melhor entrosamento neste Sporting - obrigou o guarda-redes do Marítimo a aplicar-se, mas o nulo duraria mesmo até ao segundo tempo.

Na segunda parte, o monólogo leonino intensificou-se. Logo nos primeiros 10 minutos, Nuno Santos, mais uma vez, Coates e Palhinha voltaram a roçar o golo, mas um misto de falta de pontaria e eficácia de Paulo Víctor foram adiando o tento, perante um Marítimo que, à medida que o tempo passava, revelava cada vez mais dificuldades para sair da sua área.

Amorim fez, então mexer o seu banco. Tiago Tomás, Jovane, Bragança, Esgaio e Tabata foram entrando em campo, sempre mantendo o teórico posicionamento base da equipa, mas adicionando características diferentes - sempre mais atacantes - a cada uma das posições.

O tempo ia avançando, a ansiedade crescia em Alvalade e ia passando da bancada para o relvado. O Marítimo ia demorando mais na reposição de bola e o Sporting apressava o seu futebol, nem sempre com a maior clarividência. O fantasma da ausência de Pote, e da ausência dos golos de Pote, ia pairando.

Só que, nesses minutos finais, entrou em jogo a rebeldia e talento de Pedro Porro. O espanhol, sempre com muita energia para dar à partida, atirou ao poste ao minuto 74 e foi pelo seu lado direito que as melhores situações foram sendo geradas. Ao minuto 89', o espanhol voltou a disparar contra a muralha defensiva dos visitantes, não conseguindo, depois, Tiago Tomás bater Paulo Víctor, mas já em período de compensação iria chegar mesmo o tento leonino.

A equipa de Velázquez foi recuando cada vez mais, como se a sua baliza tivesse um íman, e isso gerou que, ao minuto 94', Coates e Paulinho disputassem duas bolas de cabeça já dentro da área do Marítimo. Na sequência de alguns ressaltos, Jovane Cabral disputou a bola com Paulo Víctor, chegando o guardião insular atrasado ao lance e derrubando o atacante do Sporting, assinalando o árbitro penálti.

O guarda-redes foi expulso, Edgar Costa, jogador de campo, teve de ir para a baliza face à ausência de substituições disponíveis, mas Pedro Porro, pela segunda jornada seguida, não tremeu e deu os três pontos ao Sporting. O espanhol está a maquilhar a ausência de Pote.

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Rúben Amorim é o primeiro a admitir que a ausência do melhor marcador de 2020/21 pesa. Pela segunda jornada seguida, foi de penálti que o Sporting obteve um triunfo fundamental para, no meio de duas partidas da Liga dos Campeões, garantir que a diferença para o topo da Liga, pelo menos, não aumenta. Enquanto os leões estiverem numa má fase da sua relação com o golo, ganhar partidas será difícil, mas os triunfos surgirão sempre com mais naturalidade quando o Sporting apresentar tamanho domínio face os seus rivais e produção de ocasiões de perigo.