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Bem-vindos ao voo de resgate da Air Sebastián Coates

Jogo morno do Sporting em Alvalade frente a um Moreirense que colocou muitos problemas ao campeão nacional na 1.ª parte. O salvador foi o do costume: depois dos dois golos a meio da semana para a Champions, Coates voltou a marcar, agora para a I Liga. Um golo único que valeu a vitória (1-0) e a subida à liderança da tabela de mãos dadas com o FC Porto

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Os altos e baixos são cansativos e, não raramente, quando a corda de tanto ranger se quebra normalmente cai para o lado mau. Todas as equipas de futebol passarão eventualmente por períodos destes ao longo de uma época longa e desgastante. O Sporting passou por eles no ano passado quando foi campeão e parece estar agora também num momento ondulante de forma, pontuando exibições simpáticas, como a de Istambul esta semana, com vitórias esquálidas no campeonato, quando o início do ano nos prometera um Sporting aparentemente mais investido no processo atacante, mais seguro.

Sobreviver a variações destas dá trabalho, físico e emocional, e o Sporting sabe bem disso. E tanto na última época como na atual, regressar à tona da água aconteceu porque no plantel há uma constante. O fio de prumo que tudo equilibra, que vem ao resgate sempre que necessário. O homem que há um ano salvou um ror de pontos aos leões nos derradeiros minutos de jogo, o central de ferro que tudo limpa na sua área e que faz miséria na contrária, o uruguaio impassível que na Turquia resolveu nas bolas paradas aquilo que a equipa não conseguia engatilhar em transições atacantes.

Coates é para todos os momentos.

Foi mais uma vez um golo do capitão, numa marrada bem dada a uma bola que lhe chegou redondinha de um canto de Sarabia, logo aos 16’, que deu três pontos ao Sporting, mais uma vitória num jogo pálido e murcho da equipa de Rúben Amorim, em que sentiu até muitas dificuldades para controlar o futebol dinâmico e organizado do Moreirense na 1.ª parte, para na 2.ª, apesar de ter mais bola, se arrastar com ela até a uma área onde mais uma vez Paulinho falhou o que talvez só o paranormal ou esotérico poderá explicar como.

Em dia de Assembleia Geral ali a dois passos, a entrada dos leões foi nervosa e desconcentrada na defesa, com o Moreirense a rondar a área e a cheirar o golo, que até poderia ter acontecido aos 13’, não fosse Rafael Martins ter respondido com um remate à figura de Adán a um cruzamento de Conté, que ganhou na velocidade a Porro na ala. Os laterais do Sporting tiveram, aliás, sempre muitas dificuldades em controlar o dinamismo de Rodrigo Conceição e Conté.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

O golo não traria um Sporting mais dominador - esse, aliás, nunca apareceu. Nem na 2.ª parte, com mais bola, mas com muita resistência em gerir o jogo, em controlar as operações. Mesmo com a criatividade de Daniel Bragança a abrir muitos espaços para a equipa jogar, faltou intensidade na frente, faltou a criação de Pote e pontaria a Paulinho, que teve pelo menos quatro oportunidades de golo, no que já começa a parecer quase uma rábula de comédia, não fossem os bloqueios num desportista algo que, na verdade, se calhar pouco tem de jocoso.

As mudanças numa e noutra equipa nos minutos finais tornaram o jogo ainda mais partido, com o Moreirense nem sempre a tentar bem, apesar de muita presença atacante - nem sempre mais é melhor e os minhotos não tiveram uma oportunidade digna desse nome durante a 2.ª parte.

Foi assim uma vitória q.b. do Sporting, que às duas por três, ainda bem antes do apito final, já parecia satisfeito com aquilo que Coates lhe havia dado na 1.ª parte: um único golo, o mínimo indispensável. Só que Air Sebastián Coates não estará sempre em modo de voo, não poderá vestir em todos os jogos a capa de super-herói, a coroa de espinhos do salvador. E quando ele não estiver para aí virado, este Sporting parece ter opções limitadas, o que não é novidade nenhuma, mas em jogos como este, em que tudo parece sair a custo, essa manta curta nota-se a léguas.