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Sporting

Matar um fantasma na defesa do título

O Sporting venceu (2-1) o Famalicão, conseguindo, à sexta tentativa, derrotar a equipa do Minho pela primeira vez desde que esta regressou à I Liga. Graças a golos de Ugarte e Nuno Santos, os "leões", que acabaram o encontro a sofrer para garantir o triunfo, só precisam agora de um empate contra o Penafiel para estarem nas meias-finais da Taça da Liga, que na época passada foi o primeiro troféu ganho por Amorim em Alvalade

Pedro Barata

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

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No meio de um mês de outubro que se assemelha a uma dança das cadeiras entre Liga, competições europeias, taças nacionais e compromissos das seleções, o Sporting reencontrou-se com um adversário de má memória numa competição de boas recordações. Na estreia na Taça da Liga, troféu conquistado pelos "leões" em três das últimas quatro edições, a equipa de Rúben Amorim deparou-se com um Famalicão que começava a ganhar fama de rival impossível de bater para o clube de Alvalade.

Desde o regresso dos minhotos à I Liga, em 2019/20, o Sporting havia somado duas derrotas e três empates contra o Famalicão. À sexta ocasião, a equipa de Amorim derrotou, por 2-1, o conjunto de Ivo Vieira, num triunfo que aproxima muito os atuais detentores deste troféu das meias-finais: basta um empate na última jornada do grupo B, em Penafiel, para que os "leões" estejam entre as quatro melhores formações da Taça da Liga.

Como é habitual nestas fases iniciais das taças, o Sporting operou muitas mexidas no seu onze, só mantendo três futebolistas face ao triunfo contra o Moreirense. E foi, justamente, um dos menos utilizados a não perder tempo para abrir o marcador. Ao minuto 8, Manuel Ugarte matou a bola no peito e rematou de pé direito, com esta a desviar em Pickel e a trair Luiz Júnior.

Jogando frente à sua antiga equipa, o médio uruguaio foi muito contido nos festejos de um tento que o lançou para uma das exibições mais destacadas do lado dos locais. Actuando ao lado de Matheus, Ugarte destacou-se na recuperação e nos duelos, com aquele jeito muito uruguaio de se impor no corpo a corpo a meio-campo. Palhinha é o xerife daquela zona em Alvalade, mas Amorim terá ficado com a sensação de ter ali uma alternativa sólida.

Com um Famalicão a realizar um primeiro tempo de pouca qualidade, órfão do critério e talento superior de Iván Jaime, o Sporting superiorizou-se, mas sem criar muito perigo. Com Paulinho no banco e Tiago Tomás, devido a lesão, de fora, a frente de ataque de Amorim tinha Nuno Santos a partir da esquerda, Jovane da direita e Sarabia com muita liberdade de movimentos, um pouco ao jeito do que lhe vimos fazer na Liga das Nações pela Espanha.

À passagem do minuto 30, e logo a seguir a Bruno Rodrigues, num contra-ataque, ter protagonizado o único esboço de perigo visitante na etapa inicial, Sarabia correspondeu com um cabeceamento a belo cruzamento de Nuno Santos, mas Luiz Júnior defendeu com qualidade.

Com o Sporting preocupado em minimizar perdas de bola - para impedir transições como as que tanto perigo criaram no embate disputado entre ambos os conjuntos para a Liga, era evidente que era preciso um Famalicão diferente no segundo tempo. E Ivo Vieira reagiu, lançando, após o descanso, Iván Jaime, Pedro Brazão e Heriberto para os lugares de Pickel, Marcos Paulo e Bruno Rodrigues.

As alterações dos visitantes levaram a um Famalicão de cara lavada para a etapa complementar, impulsionado pelo talento criativo de Iván Jaime, o espanhol de 21 anos que promete não ficar muito tempo no clube (como não ficaram Ugarte, Vinagre ou Pote, que estavam do outro lado). Ivo Rodrigues, num par de remates de longe, ameaçou Virgínia, mas, quando o Famalicão poderia complicar as contas dos "leões", o Sporting voltou a marcar.

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Ao minuto 61, a passada larga de Matheus Nunes abriu um panorama de perigo numa jogada pela direita, a qual foi continuada por Sarabia, que viu Luiz Júnior defender para a frente o seu remate. E Nuno Santos, sempre ligado à corrente do jogo e com facilidade para o golo e assistência, fez um 2-0 que obrigava o Famalicão a escalar uma montanha nos 30 minutos restantes.

Com a tranquilidade da vantagem, Amorim lançou Palhinha, Matheus Reis, Tabata e Paulinho, este último apoiado pelas bancadas de Alvalade mas sem nenhuma verdadeira ocasião para melhorar a sua relação com o golo. O Sporting ia gerindo a vantagem mas, talvez devido ao horário da partida, cujo desfecho, a uma terça-feira, se deu quando o calendário tinha a quarta-feira ali ao virar da página, pareceu haver um certo adormecimento dos campeões nacionais.

E o Famalicão aproveitou para sonhar e relembrar o Sporting das dificuldades para ser batido. Ao minuto 90, o recém-entrado Pablo, isolado perante Virgínia, não conseguiu bater o guardião português, mas o ressalto foi parar os pés de Heriberto, que reduziu para 2-1 e trouxe a intranquilidade a Alvalade. Logo a seguir, após canto da direita e atrapalhação entre Neto e Virgínia, Riccieli colocou a bola no fundo da baliza local, mas o 2-2 foi anulado por fora-de-jogo (recorde-se que na Taça da Liga não há VAR). O suspiro de alívio entre as hostes sportinguistas pareceu bem audível.

Rúben Amorim é um conhecido especialista na Taça da Liga. Seis vezes vencedor do troféu como jogador e outras duas como treinador, a competição permitiu agora ao técnico matar o fantasma de um adversário que vinha sendo sinal de problemas para os "leões". Numa noite que chegou a parecer calma, mas terminou com sobressaltos, o Sporting aproximou-se muito das meias-finais da primeira competição que o antigo médio levou para o museu do clube.