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Max Sporting Verstappen

Grande noite de Champions em Alvalade, com o Sporting a bater o Besiktas por 4-0 num jogo em que foi rápido, simples e incisivo, em que Pote renasceu e Paulinho voltou a marcar. Muito superiores aos turcos, ainda mais do que em Istambul, os leões têm agora 6 pontos e sonham legitimamente com a passagem à fase seguinte. Verstappen não passou só pelo cabelo de Pedro Gonçalves

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Convém uma pessoa aperaltar-se para os momentos importantes. E Pedro Gonçalves até cortou o cabelo antes de assinar a extensão de contrato com o Sporting, que lhe mete em cima uma cintilante etiqueta de 80 milhões de euros de cláusula de rescisão. Já sabemos que os futebolistas gostam de arriscar na decoração capilar e Pote adornou a zona do temporal com dois riscos bem vincados: “Passou por aqui o Verstappen”, brincou o melhor marcador da I Liga na última temporada, para responder à provocação do colega João Virgínia no vídeo que deu conta da renovação do jovem português.

Mas Max Verstappen, líder do Mundial de Fórmula 1, o neerlandês mais rápido do planeta, não passou só pelo couro cabeludo de Pedro Gonçalves: parece também ter sido osmoticamente incorporado nas pernas e nos movimentos de todos os jogadores do Sporting esta quarta-feira, num jogo em que a equipa de Rúben Amorim foi que nem carro de Fórmula 1 a atacar a Curva Grande de Monza ou a passagem de Eau Rouge para Raidillon, em Spa, na hora de passar por cima de um Besiktas que teve a sorte de sair de Alvalade só com quatro golos no lombo.

Com uma exibição intensa, inteligente e com uma simplicidade de recursos de equipa adulta, os 4-0 aos turcos não só entram para o dossier dos melhores jogos da era Amorim, como deixam os leões em igualdade com o Dortmund e, de repente, com legítimas chances de pensar em algo mais do que a passagem para a Liga Europa, que ficou esta noite, desde já, assegurada.

Tudo isto num jogo em que Pote renasceu, Paulinho voltou a falhar o fácil e a fazer o difícil e o Sporting não permitiu aquilo que tinha deixado acontecer em Istambul: o domínio do Besiktas nos primeiros minutos.

Porque logo aos 9’, já Paulinho enviava ao poste uma bola diligentemente oferecida por Sarabia, numa grande jogada que começou em Adán, chegou a Pote no miolo, com este a abrir para o espanhol que cruzou de forma perfeita. O falhanço do avançado português, esse, já parece quase matéria de esoterismo.

PATRICIA DE MELO MOREIRA

O Sporting percebeu que estava ali o pote (piada involuntária) de ouro: os leões saiam de trás, atraíam a pressão turca e rapidamente conseguiam encontrar espaços para progredir. Aos 10’, mais uma oportunidade, numa jogada semelhante, com o mesmo curto número de passes e os mesmos protagonistas. E desta vez Paulinho não marcou porque Destanoglu salvou com as pernas.

A saída de Porro por lesão significou um ligeiro desligar do jogo por parte do Sporting: o Besiktas foi movendo a suas peças para a frente e Larin esteve por duas vezes em posição de marcar, aos 14’ e aos 28’, pelo que o primeiro golo do Sporting apareceu em boa altura: aos 31', Pote foi empurrado na área e ele próprio se encarregou de marcar a grande penalidade. E o 1-0 deixou o Sporting definitivamente à-vontade para meter prego a fundo e acelerar pelo relvado de Alvalade fora.

Aos 38’, um passe de Matheus Nunes - mais uma vez excelente - encontrou de novo Pedro Gonçalves, o Pedro Gonçalves que ainda não tínhamos visto este ano, o Pedro Gonçalves que recebe com um pé, tira um adversário do caminho e remata com o outro, um grande golo para o português, o segundo da noite e o segundo para o Sporting - adivinhava-se já, então, que poderia vir aí uma grande jornada de Champions em Alvalade, tal era a facilidade dos leões em engatilhar processos ofensivos simples e eficazes para chegar à área.

E foi em nova reação rápida que apareceu o 3-0, aos 41’, com Esgaio a colocar expeditamente a bola em Paulinho, que de meia distância, tal como já tinha acontecido em Istambul, fez do difícil fácil, ele que tantas vezes parece complicar aquilo que é simples.

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Com o Besiktas aparentemente abatido, o Sporting nem por isso colocou travões na entrada da 2.ª parte. Aos 48’, Sarabia quase marcava, ao rematar à barra uma bola que seria, aparentemente, um cruzamento, mas o golo do espanhol apareceria mesmo, nem 10 minutos depois, em mais uma jogada sem rendas de bilros do Sporting: Matheus Nunes mais uma vez excelente na abertura para o homónimo Reis, com o lateral a cruzar para a área. A bola ainda foi cortada, mas Sarabia estava lá para o 4-0.

A partir daí, Rúben Amorim soube que o jogo estava na mão. Sucederam-se as substituições, o Sporting perdeu no ataque mas só em momentos de alguma desconcentração - os jogos que se tornam fáceis podem a isso levar - deixou o Besiktas subir no terreno e criar perigo junto à baliza de Adán. Já dentro dos 15 minutos finais, Daniel Bragança até podia ter feito o 5.º golo do Sporting, mas rematou ligeiramente ao lado depois de Jovane lhe colocar um cruzamento atrasado pela direita.

Para sonhar com uma passagem mais prolongada pela Champions, o Sporting sabia que era essencial ganhar os dois jogos ao Besiktas. E fê-lo, com superioridade, tanto em Istambul como em Lisboa. Tem agora seis pontos, tantos quantos o Borussia Dortmund e será com os alemães que a luta pelo 2.º lugar se vai fazer - agora com um Sporting bem mais confiante do que aquele que jogou na Alemanha, como um piloto de Fórmula 1 que finalmente parece adaptado depois de várias voltas de reconhecimento a uma pista que não conhece.