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Sporting

O eixo do bem

Depois do festival ofensivo da Champions, o Sporting voltou a encontrar mais oposição dentro de portas e foi de novo um defesa central a desbloquear: Gonçalo Inácio fez o primeiro frente ao Paços de Ferreira, Pedro Gonçalves aumentou para 2-0 e aí vão oito vitórias seguidas para a equipa de Rúben Amorim

Lídia Paralta Gomes

MANUEL FERNANDO ARAUJO/LUSA

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É mais ou menos conversa recorrente entre treinadores portugueses quando falam da sua espécie - leia-se, os treinadores portugueses. Que taticamente são astutos, que sabem muito bem preparar uma equipa para um adversário específico e talvez isso explique em parte o porquê do Sporting parecer encontrar muito mais dificuldades em desconstruir um Vitória, um Moreirense ou, agora, um Paços de Ferreira do que um Besiktas.

Depois do festival de futebol de ataque que apresentou na Champions frente aos turcos, ofensivamente o Sporting não foi a equipa móvel e intensa que foi a meio da semana. Será cansaço também, é possível, será um dia menos inspirado na hora de definir, também, mas há mérito de quem se prepara para um leão que, este ano, é menos urgente e mais paciente no momento ofensivo - e menos eficaz, também.

Por isso mesmo o que vimos em Paços de Ferreira não foi muito diferente do que temos visto do Sporting nos últimos jogos na I Liga: muita bola, muito ataque, mas dificuldades no último terço. E se nas duas últimas jornadas essa questão se resolveu com um canto e um Coates, desta vez o que desbloqueou foi um canto, um Coates e um Gonçalo Inácio, num eixo do bem que dá segurança lá atrás (o Sporting tem apenas quatro golos sofridos em 11 jogos na liga) e, amiúde, resolve na frente.

Após uma 1.ª parte em que o Sporting começou bem, desde logo com oportunidades para Coates (após canto, surpresa) e Esgaio nos primeiros 10 minutos, mas foi perdendo ímpeto na chegada à baliza, o jackpot voltou a aparecer num canto logo a abrir o segundo tempo: Coates, mais habituado a marcar, foi desta vez o “providenciador”, digamos, ao ganhar o lance para depois permitir o aparecimento de Inácio, que cabeceou de cima para baixo e bem colocado.

MANUEL FERNANDO ARAUJO/LUSA

O Paços respondeu bem ao infortúnio, criou perigo logo a seguir e conseguiu por momentos roubar a bola ao Sporting. Um sofrimento que a equipa de Rúben Amorim evitou com o 2-0, numa jogada simples de ataque que os leões tentaram vezes sem conta na 1.ª parte mas que apenas resultou aos 69’, com o entendimento na esquerda entre Tabata e Esgaio a funcionar bem e o cruzamento atrasado do lateral português a encontrar Pote bem no meio da grande área para aumentar a vantagem.

A partir daí abriram-se espaços para o Sporting, que viu Paulinho e Bragança a aparecerem isolados frente a André Ferreira e a falharem da mesma maneira o 3-0: tentando chapéus que não enganaram o guarda-redes do Paços.

Continua a faltar alguma eficácia a este Sporting, mas a vitória em Paços de Ferreira acaba por ser tranquila. Há 31 anos que os leões não sofriam tão poucos golos por esta altura do campeonato e também é essa consistência que os deixa lá em cima, pelo menos mais duas semanas ao lado do FC Porto no topo do campeonato.