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“Deixámo-nos iludir por Bruno de Carvalho, mas ele é ainda a fonte de inspiração de alguns candidatos. Eu diferencio-me pelo caráter”

A Tribuna Expresso publica esta quarta-feira a segunda de sete entrevistas aos sete candidatos à liderança do Sporting. São 12 perguntas a cada um deles, tal como poderá ler aqui, com Pedro Madeira Rodrigues

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O sportinguista Pedro Madeira Rodrigues

Mário Cruz/Lusa

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Diga-nos porque é que merece ser o presidente e o que o diferencia dos outros?
A questão do merecimento é sempre muito subjectiva e não vejo as coisas nestes termos. O que vejo é que em relação aos outros candidatos a nível pessoal diferencio-me pelo carácter, visão e personalidade que evidenciei ao candidatar-me o ano passado; na conjugação de 25 anos de experiência em gestão, maturidade, serenidade e segurança que vem da minha idade que me traz ainda muita garra e capacidade de inovação e de trazer as propostas mais transparentes e as melhores equipas nomeadamente para o futebol e a nível financeiro. Estou preparado para ajudar a mobilizar o grande Sporting a viver os seus valores; a assumir uma visão global e ambiciosa e a conseguir grandes vitórias! Para além disso, até pela minha experiência recente sou a pessoa indicada para conciliar o Sporting e os sportinguistas, respeitando a pluralidade das suas sensibilidades. Foi por isto que tanto lutei e sofri nos últimos tempos: já valeu a pena!

Que experiência tem de gestão desportiva e do mundo do futebol?
Cresci a jogar futebol no Sporting na altura certa do desenvolvimento da personalidade e nunca mais perdi os valores, entre outros, do desportivismo, competitividade, integridade, lealdade, disciplina e espírito de equipa e de sacrifício. Depois acompanhei sempre de perto este fenómeno do futebol, como atleta amador, assistindo a competições em todo o mundo, lendo muito e conhecendo várias pessoas ligadas ao sector, tendo chegado a fazer recentemente um curso na nossa Faculdade de Motricidade Humana "High Perfomance Coaching" e antes na Harvard Business School com uma cadeira dedicada especificamente a "Business of Entertainment, Media and Sports".​​​​​​

Que modelo de gestão da SAD preconiza para o clube?
Preconizo um modelo de gestão fixado em ganhar títulos, nomeadamente o de campeão nacional no futebol. Iremos exercer uma liderança que viva diariamente os valores que são a identidade do clube. Teremos uma gestão profissional liderada pelo Presidente do clube que será simultaneamente o Presidente da SAD. Ao lado da administração teremos um Diretor Geral de Operações com quem iremos definir modelos organizacionais, com organogramas flexíveis mas claros, que atribuam níveis de autonomia e responsabilização às lideranças, promovendo a cooperação. Iremos introduzir um modelo de gestão que assente na equidade e meritocracia, com o grau de exigência com que sempre pautei a minha vida e carreira em gestão de empresas.

Que modelo desportivo quer implementar no futebol do Sporting?
Queremos afirmar uma cultura vencedora, tendo a formação como fundamental base de sustentação. Isso inclui implementar estruturas para o futebol, aproveitando as melhores práticas mundiais, atraindo e retendo profissionais de topo identificados com a cultura leonina. Faremos parcerias com grandes clubes mundiais que nos ajudarão a desenvolver nomeadamente o tema do "scouting" e da atracção de talento. Nas modalidades iremos reforçar o modelo eclético do clube de forma sustentada. Voltaremos a ser uma das marcas desportivas mais inovadoras do mundo, aumentando o sentido de pertença do sócio e adepto, seguindo também aqui as melhores práticas mundiais nomeadamente os exemplos do Lyon e dos Sacramento Kings na rentabilização das infraestuturas desportivas; dos Chicago Bears e All Blacks na proximidade dos atletas aos adeptos e da Ferrari e do Barcelona no aprofundamento da relação emocional dos adeptos com o clube.

Qual é o seu treinador?
Claudio Ranieiri, melhor treinador do mundo 2016. Senhor do futebol que passou por vários dos melhores clubes do mundo; especialista em gestão de balneários e na capacidade de atração e retenção dos melhores jogadores.

Qual é o seu diretor desportivo e o que é que ele traz de novo?
O prof. Mariano Barreto que será mais do que um diretor desportivo mas sim um coordenador do futebol, que inclui a área da formação. Traz conhecimento de mais de 40 anos no futebol e muito mundo com passagens de sucesso por vários continentes. Traz ainda um grande conhecimento do Sporting onde esteve uma dezena de anos e do futebol português que continuou a acompanhar. Garante garra, ambição, disciplina e cultura sportinguista.

Tem investidores consigo? Se sim, quais e que valores poderão eles investir
no Sporting e de que forma?

Dos contactos e conhecimentos que temos no Médio Oriente, nomeadamente através de Imran Mohmed, nosso candidato a VP Finanças e Relações Internacionais e depois de falarmos com pessoas de Qatar, Emirados, Omã e Arábia Saudita optámos por, para já, escolher como parceiro estratégico o sheik Badr Al-Samah do Kuwait, país que está a fazer uma grande aposta no futebol. A lógica do Médio Oriente prende-se com a capacidade financeira e crescente interesse pelo futebol que terá um ponto alto em 2022 com o Mundial no Qatar. Para já trazem-nos uma garantia para 2 empréstimos obrigacionistas de 60 milhões € cada que pagarão o empréstimo que vem de trás, resolverão problemas urgentes de tesouraria e garantirão a compra das VMOCs, assumindo o Sporting quase 90% do capital da SAD. Isto é só o começo do investimento que traremos desta área, que poderá passar mais tarde por "namings", "merchadising", direitos de televisão e parcerias ao nível das Academias, sendo que garantimos que o Sporting manterá sempre a maioria das acções da SAD.

Como é que o clube chegou a este ponto de eleições antecipadas e um número
inusitado de candidatos à presidência?

Porque, de uma forma geral, nos deixámos iludir por Bruno de Carvalho que tinha um projecto de controlo pessoal do clube, o que foi felizmente descoberto e resolvido pelos sócios. O número de candidatos revelam a coragem que foi necessária para concorrer o ano passado e o sentido de oportunismo que muitos têm.

Que papel desempenha Bruno de Carvalho neste processo eleitoral?
É claramente a fonte de inspiração de algumas candidaturas que inclusivamente têm na sua lista para a Direcção elementos com perfil semelhante. Um já foi detetado e afastado. Ainda consegue influenciar o sentido de voto de 10% dos votantes. A nossa candidatura será beneficiada pelo facto de termos sido capazes de alertar para os perigos de um 2º mandato de Bruno de Carvalho que, infelizmente, vieram a concretizar-se e de forma ainda mais violenta do que a prevista.

Qual o seu maior ídolo?
Sem me querer refugiar na resposta fácil do não ter ídolos, tenho o Francisco Stromp, exemplo de abnegação pelo clube, Presidente Ribeiro Ferreira (tempo dos 5 violinos), exemplo de dirigismo e vitórias e o Prof. Mário Moniz Pereira, exemplo de valores leoninos e símbolo do nosso ecletismo que iremos propor se torne o nosso sócio perpétuo número 2.

Qual a sua primeira experiência de Sporting?
Ver a equipa de hóquei que foi campeã europeia em 1977 com Ramalhete, Livramento, Rendeiro, Chana e Sobrinho e em 1980 estar abraçado ao meu pai que chorava copiosamente de alegria depois de ganharmos 3-0 à União de Leiria e sermos campeões. Eu quero e vou viver isto com os meus filhos!