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João Kopke: o surfista infiltrado

João Kopke é um surfista profissional, mas não vai a Peniche para competir na etapa do circuito mundial de surf - vai lá à caça de histórias para contar na Tribuna Expresso

João Kopke

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Em Portugal, quando chega o mês de Outubro, um estranho fenómeno natural tem vindo a ocorrer nos últimos anos. Nos cafés de Lisboa, na noite do Cais, dos Algarves ao Porto, os temas de conversa vão ficando mais salgados. À semelhança dos períodos de crise económica, quando todos nos transformamos em especialistas em finanças públicas, em Portugal, nestes ainda quentes inícios de Outono, toda a gente aprende por um mês a falar de ondas, de manobras, do Kelly Slater e do John John Florence.

Em Outubro, em Portugal, só se fala de surf.

Estranhos episódios ocorrem durante este período do ano – ainda ontem, foi-me relatado que dois indivíduos estrangeiros compareceram ao jogo do Benfica de fato de surf e chinelos.

Embora talvez fosse possível encontrar uma correlação estatística entre este fenómeno e o aquecimento global, ou o derretimento das calotas polares, a razão de ser desta especialização nacional no surf é que para cá vêm, por esta altura, os mais hábeis dançarinos de ondas do planeta. E, portanto, ainda bem que todos tiramos o velho fato da gaveta dos disfarces de carnaval e nos entusiasmamos com este desporto tão bonito, que toca os corações de tanta gente.

Certamente, toca muito o meu.

João Kopke é um surfista profissional que não vai competir em Peniche, na etapa do circuito mundial de surf, mas lá vai andar à caça de histórias para contar, aqui, na Tribuna Expresso

O meu nome é João Kopke e sou um surfista. Aliás, sou-o já há muito tempo. Desde os 11 anos que compito cá dentro, onde fui campeão nacional em todos as categorias júnior, e lá fora, por exemplo, no Circuito Mundial de Qualificação. Mas, nos últimos tempos, a minha missão neste planeta tem sido a de contar as histórias dos caminhos por onde me leva uma prancha de surf.

Para além de um apaixonado por ondas, tenho tentado fazer com que essas histórias sejam uma espécie de profissão. Até tenho um blog (storyrider.net) e um canal do Youtube e essas coisas. Não sei se são a última batata do pacote, mas talvez valha a pena darem uma vista de olhos.

A Tribuna Expresso achou-lhes piada. E é por isso que, durante o mundial de Peniche, vou andar a escrever umas palavrinhas diárias sobre as aventuras do campeonato e arredores.

Não te vou falar de scores, estatísticas sobre vitórias e derrotas, nem sobre a técnica do bico de pato. Antes pretenderei mostrar um lado menos conhecido sobre a frenética vida que se vive na península quando o circo do mundial está cá montado.

Mais rapidamente comentarei o esquisito bigode que o Ítalo Ferreira ostenta com orgulho do que os pontos que amealhou o 13º colocado do ranking. Aliás, em matéria de estilo capilar, e pelo facial, o surf é um dos desportos mais interessantes do ponto de vista técnico que fará parte das próximas olimpíadas. Versaremos esse tema nos dias vindouros.

Onde é que será que que o Gabriel Medina janta? Será que o Slater vai elevar a fasquia outra vez e protagonizar o aéreo nunca antes visto, como há uns anos no Baleal? Como é estar entre a multidão quando o Kikas fizer um 10 pontos nos Super? Todos adoram Portugal. Onde é que surfam nos tempos livres? Estar perto deles, viver com eles, surfar com eles. É esta a missão que vou empreender. Um relato na primeira pessoa sobre como é a vida no hotspot do surf na Europa, quando todo o pais guarda a bola no armário e põe os olhos no mar.

Viver o mundial, de dentro para fora.

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