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Frederico Morais vai chegar a Peniche na corda bamba

O português foi eliminado à segunda ronda do Quiksilver Pro France, em Hossegor, mesmo tendo surfado uma onda que lhe deu a quarta melhor pontuação, até então, na prova. Kikas chegará a Peniche, na melhor das hipóteses, na 22ª posição do circuito mundial - ou seja, no limiar dos lugares que garantem a requalificação

Diogo Pombo

Damien Poullenot/WSL

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Até ao momento, os números são:

13, 5, 13, 13, 25, 9, 13, 25.

Estas foram os lugares em que Frederico Morais terminou as oito provas já realizadas do circuito mundial de surf. Mesmo que ainda não apareça no ranking, à frente do seu nome, a esses números terá de seguir-se outro 25, relativo à eliminação que o português registou, esta quarta-feira, no Quiksilver Pro France, a nona paragem da volta ao mundo ao sabor dos sítios onde há melhores ondas, que é prévia ao evento português que vai parar, como de costume, em Peniche.

Ou seja, o português chegará à praia de Supertubos, na melhor das hipóteses, como o 22º classificado, que é a última posição entre 32 surfistas que garante a sobrevivência no circuito.

Essa quase garantia vem do facto de Kikas ter perdido, na segunda ronda, contra o brasileiro Yago Dora, por mais inglório, infeliz e contra as probabilidades que tenha sido. Porque o português terminou o heat com um 15.57, a quarta melhor pontuação da prova, até então, vinda de duas ondas (7.87 e 7.70) que significariam cortes, manobras e leques de água rasgados nas direitas de Hossegor suficientes para ultrapassar, praticamente, todas as baterias surfadas antes. Yago Dora venceu com um 15.77.

O 25º lugar que Frederico pescará de França não lhe vem a calhar devido à forma como funciona o ranking.

Quando o ano terminar, cada surfista fica com os nove melhores registos que logrou entre as 11 provas do circuito mundial. São descartadas as duas piores prestações. No caso de Kikas, a sua vivência nas ondas desde março já lhe dera duas eliminações à segunda ronda, um par de 25º lugares - logo, como acabará com, pelo menos, três classificações dessas, uma delas vai entrar nas contas finais.

Frederico Morais chegou à etapa francesa na 22ª posição do ranking, portanto, o melhor que conseguirá trazer com ele até Peniche será essa classificação, a última que garante a requalificação para os surfistas do Championship Tour (CT). Quem terminar o ano entre os dez últimos do circuito é desqualificado para a Qualification Series (QS), onde, contudo, pode garantir a qualificação caso feche a temporada nos dez primeiros.

Pois quem anda nesta vida pode jogar com esses dois mundos para tentar garantir que tem direito a mais um ano entre a elite. É assim que surfistas residentes do CT podem, assim lhes apeteça, competir em qualquer evento do QS, fazendo a vida um bocadinho negra aos surfistas do QS cuja vida é tentar chegar à primeira divisão do surf e, de vez em quando, têm de competir contra surfistas, em teoria, melhores e com mais nível do que eles.

Só que Kikas está na 42ª posição do ranking do circuito de qualificação (Vasco Ribeiro, por exemplo, está em 20º) e a sua vida não está muito mais facilitada nesse lado. O melhor surfista português chegará à praia de Supertubos, em Peniche, um pouco a baloiçar na corda bamba, mas é sabido - pelo que ele já disse, rediz e sempre sublinha - que o português prospera com o apoio caseiro e a boa pressão que sente em surfar para os conterrâneos.

O período de espera da competição arranca já na próxima terça-feira e vai até 27 de outubro.