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Um sul-africano prevaleceu nos prédios de água da Nazaré

As ondas da Nazaré não se agigantaram tanto como os dias em que se surfaram recordes, mas as massas entre os 10 e os 12 metros foram suficientes para se realizar a primeira etapa do Big Wave Tour, conquistada por Grant Baker. A final contou com dois portugueses, Alex Botelho e João de Macedo

Diogo Pombo

Damien Poullenot

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O mar, como qualquer fenómeno da natureza, tem vários feitios.

O específico humor com que se precipita contra o areal da Nazaré varia, mas o estado de personalidade que tornou a terra conhecida além-fronteiras nunca seria, em teoria, bonito de experienciar por perto: massas de águas monstruosas, tão massivas na altura que se constroem como os arranha-céus do oceano, furiosos a formarem-se com a ajuda da fissura no fundo do mar (conhecida por "canhão") para carregarem contra a costa. Se há momento para se dizer que o mar está de mau humor, é quando rebentam ondas grotescas na Nazaré.

Como as que, esta sexta-feira, invadiram a Praia do Norte. Não tão epicamente gigantes como em outros dias, quando, por exemplo, deram massas de água para um homem (Rodrigo Koxa) e uma mulher (Maya Gabeira) surfarem as maiores ondas alguma vez apanhadas por humanos. Mas grandes, assustadoras, brutas e muitos outros adjetivos do significado parecido, nenhum que aconselhe uma pessoa a pegar numa prancha, com cerca de três metros de comprimento, para entrar no mar.

Mas é o que fazem 24 tipos, com ondas a oscilar entre os 10 e os 12 metros a quebrarem no horizonte. Eles vestem coletes e fatos grossos, têm a ajuda de motas de água que os levam para longe e os resgatam quando a espuma furiosa os engole, já mais perto da área. O Nazaré Challenge é uma das três etapas do Big Wave Tour que não tem datas marcadas e pode ocorrer, em qualquer um dos três sítios, até 31 de março.

Porque são lugares muito específicos na ondulação, no vento, na maré e nas intensidades e nos tamanhos que precisam para fabricarem ondas gigantes, impossíveis de prever à distância. Apenas na terça-feira soubemos que na sexta era o dia para o evento da Nazaré funcionar e vermos bravos surfistas a fazerem-se a ondas que o comum humano vê como abomináveis e só boas de se ver se for à distância.

A prova contou com seis portugueses e dois, Alex Botelho e João de Macedo, chegaram à final. António Silva, Hugo Vau, Nicolau Von Rupp e João Guedes já estavam em terra para ver como Alex, já com quase todos os 60 minutos contados do derradeiro heat, pediu para sair da água e das espumas castigadoras do mar. E como João de Macedo, nos últimos 10 minutos, caiu ao começar a descer um prédio de água e a ser levado enquanto ele ruía.

Quem mais prevaleceu na Nazaré chama-se Grant Baker, sul-africano que já foi campeão mundial do circuito de ondas gigantes (em 2014). Mas quem protagonizou o festejo efusivo do dia foi Natxo González, um basco que veio ao mundo em 1995 e se enfiou num monumental tubo, do qual sair parecia uma missão impossível.