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John John: campeão do mundo a velejar em vez de surfar

John John Florence já foi campeão mundial de surf por duas vezes (em 2016 e 2017), mas, no boxing day, está a competir a bordo de um veleiro. O surfista havaiano que nutre um especial carinho por barcos (além da fotografia e da apicultura) está a participar numa regata na Austrália, entre Sydney e Hobart, na ilha da Tasmânia

Diogo Pombo

Jason Childs

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O João chamado João em dose dupla é o surfista, ou um dos, naturalmente mais talentosos da geração em que nasceu. As manobras, os tubos, as descolagens aéreas das ondas e tudo a sair-lhe do corpo com a graciosidade de um cisne e a constância de uma fábrica industrializada deram-lhe, em dois anos seguidos, o título de melhor homem do mundo a o mar.

John John Florence foi campeão em 2016 e 2017 depois de vários anos a ser reconhecido, um pouco por todo o lado, como o surfista com talento e potencial a esquentar-lhe do corpo, tão incandescente que lhe alourava o cabelo, que só precisava de fixar a mente no objetivo e concentrar-se. Mas, em 2018, o oceano trouxe-lhe o azar a meio do ano: o havaiano lesionou-se e falhou as seis derradeiras etapas do circuito que o punha às voltas pelo mundo.

Um afastamento azarado das pranchas que o terá levado a aproximar-se de outra forma de andar no planeta pelo mar: velejar.

Porque o surf não contém o John a dobrar e as paixões dele chegam à fotografia e a aos barcos, como, há mais de um ano, nos chegou a revelar em Peniche. “Gosto mesmo muito de velejar, tem sido uma grande parte da minha vida no último par de anos”, confessou, dizendo que escolheria uma volta ao planeta à vela a um segundo título mundial (que, entretanto, conquistaria)

- Faria essa viagem. É o sonho da minha vida, sabes?

O que sabemos é que, no dia de Natal, o havaiano deu um presente a si próprio e participou na corrida Sydney-Hobart, tradicional prova australiana que liga a maior cidade do país à capital do estado da Tasmânia.

São 628 milhas náuticas que John John está a fazer a bordo do Winning Appliances, iate que estava na sétima posição da classificação, ao fim da primeira contagem da prova. “Acho que, às vezes, vai ser miserável, mas estou bastante entusiasmado só por fazer parte disto e por ir aprender. Vou estar sentado na prova e tentar ajudar no que possa”, disse o surfista, antes da prova, à "AAP", agência de notícias da Austrália.

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John John é um tipo nascido em Oahu, uma ilha no Havai, irmão de outros dois Florence louros, filhos de uma mãe que os criou sozinha e os cativou a interessarem-se por muitas coisas fora do surf, que a família sempre teve mais como um passatempo.

E, aos 26 anos, John John é um surfista mundialmente conhecido – demasiado até, aos olhos da mãe–, já duplamente campeão, mas que continua a não ter o seu maior amor no surf de competição. Tem, antes, amores distribuídos por coisas como a fotografia, a apicultura (cria abelhas no quintal de casa) e os barcos (construiu um na própria garagem).

O peculiar interesse por barcos especificou-se em barcos à vela. John John Florence adora velejar e, há mais de um ano, comprou um veleiro com 48 pés de comprimento a Travis Rice, um snowboarder, que valia quase um milhão e meio de euros na altura. Depois, chegou a usá-lo para, com uns amigos a bordo, velejar de Oahu à ilha de Maui, perseguindo uma ondulação que daria vida a Jaws, lugar onde quebram ondas gigantes.

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