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O risco de não haver surfistas portuguesas nos Jogos Olímpicos ficou um pouco maior

Carol Henrique, Teresa Bonvalot e Yolanda Sequeira foram a Miyasaki, no Japão, tentar garantir a presença na primeira vez que haverá gente em cima de pranchas por causa de medalhas olímpicas. Foram eliminada, esta segunda-feira, dos ISA Games e, para já, nenhuma conseguiu a qualificação para 2020, mas ainda poderão voltar a tentar

Diogo Pombo

Ben Reed

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Lapalissando, qualquer novidade implica sempre coisas novas e assim que embarcaram para a longa viagem com asas até ao Japão, três portuguesas sabiam que, pelo que estava em causa, as ondas que as receberiam em Miyasaki teriam uma densidade anormal de competitividade na salinidade da água. Os International Surfing Association (ISA) Games que, por norma, definem um campeão e uma campeã mundiais de surf paralelos aos que vêm dos circuitos mundiais da World Surf League (WSL), iam ter muito que ver com os Jogos Olímpicos.

Aprovada a estreia da vida em cima de pranchas para o maior conglomerado de modalidades que, a cada quatro anos, há no desporto, uma das formas de os e as surfistas lá chegarem era através destes ISA Games: os dois homens e as duas mulheres com melhor classificação de cada continente em prova (Europa, África, Ásia e Oceânia) ficariam com a certeza de, para o ano, estarem de volta a Tóquio e ao Japão para surfarem em busca de medalhas.

Oito surfistas, portanto, vão sair de Miyasaki com para ficarem entre os 40 participantes (20 homens e 20 mulheres) no torneio olímpico, em 2020. O que relevou o papel um quê de marginal que os ISA Games tiveram nos últimos anos, por serem poucos os e as surfistas dos circuitos da WSL que lá vão.

Não é costume que as brasileiras Tatiana Weston-Webb and Silvana Lima, a sul-africana Bianca Buitendag, as australianas Stephanie Gilmore, Nikki Van Dijk e Sally Fitzgibbons ou a americana Courtney Conlogue se dêem ao esforço de empacotarem as pranchas para as molharem nesta competição. Todas passam o ano no circuito mundial feminino da WSL, onde está se concentram o nível, a competitividade, o talento e o mediatismo.

Essa anormalidade pesou a Teresa Bonvalot, Yolanda Sequeira e Carol Henrique, eliminadas da prova esta segunda-feira.

Carol perdeu num heat da segunda ronda vencido pela francesa Johanne Defay, antes de sobreviver até à quinta fase da repescagem, onde foi eliminada por Courtney Conlogue. A participação de Yolanda durou até apanhar Carissa Moore, tricampeã mundial. Teresa foi a única a não apanhar alguém habituado a outro nível de surf em ondas que fazem inveja a quem as quer aproveitar para este fim.

Ben Reed

Como não integram o circuito mundial da WSL - nunca uma portuguesa logrou qualificar-se -, as três só têm mais uma oportunidade para chegarem aos Jogos Olímpicos. Para o ano, têm que regressar aos ISA Games e surfar o suficiente para ficaram com duas das seis vagas femininas que ainda estarão por atribuir, pouco tempo antes dos jogos de Tóquio. Cada país não pode ter mais de duas mulheres e um par de homens na prova olímpica.

Com o emagrecimento dos lugares disponíveis e mantendo-se a lógica de que mais surfistas não colocadas via classificação final, em 2019, do circuito da WSL (qualificam-se as oito primeiras), voltarão a ter interesse pelos ISA Games, a carga de trabalhos ficará mais pesada.

Quem com elas foi até ao Japão resumiu os resultados não desejados com uma frase quase apologética. "As nossas atletas surfaram muito bem, mas nos heats que acabaram por ser decisivos não conseguiram apanhar as melhores ondas", disse David Raimundo, seleccionador nacional, antes do arranque da prova masculina, que deverá acontecer na terça-feira.

A partir daí, as esperanças portuguesas passarão a andar com Frederico Morais, Vasco Ribeiro e Miguel Blanco, que também terão de remar para ondas sabendo ser bastante provável que se cruzam com alguém acostumado ao circuito mundial de surf.