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Foi com estas ondas que Frederico Morais se pôs a um passo dos Jogos Olímpicos

O um de quatro surfistas europeus que restam nos Surfing Games da International Surfing Association (ISA), prova que qualificará apenas um para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Kikas é o melhor colocado (os outros três estão no lado da repescagem) para garantir o lugar, porque venceu tipos como Kelly Slater, Ítalo Ferreira e Kanoa Igarashi ao surfar ondas como estas

Diogo Pombo

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É uma vantagem óbvia e facilmente explicável: a Frederico Morais falta um heat para chegar à final, a Leon Glatzer, Vicente Romero e Angelo Bonomielli há cinco baterias por ultrapassar para chegarem à decisão dos World Surfing Games. O português está em melhores condições momentâneas de vida do que o alemão, o espanhol e o italiano que são os únicos que ainda lhe podem tirar a coisa que o fez viajar até ao Japão.

Para os não privilegiados – aqueles que não fazem parte do circuito mundial de surf da WSL, onde os surfistas que acabem nos 10 primeiros lugares deste ano seguirão para Tóquio (dois homens e duas mulheres por país) – a qualificação olímpica teria de ser perseguida no sul do Japão, onde estão a decorrer os ISA Games nas águas escuras e mornas de Miyazaki.

De modo a que saia dali com o que pretende, Kikas está obrigado a acabar como o surfista europeu número um da competição, porque os critérios definem que apenas o homem e a mulher com melhor classificação de cada continente (Europa, África, Ásia e Oceânia) têm direito a, no próximo ano, estarem nos Jogos Olímpicos.

E lá foi Frederico Morais, superando três rondas e cortando ondas, desenhando leques e superando adversários que inflacionam o que já conseguiu. Bateu o brasileiro Ítalo Ferreira, o japonês Kanoa Igarashi e o americano e lenda andante Kelly Slater. Ganhou a todos com algumas das ondas que surgem no vídeo e, agora, é esperar que o mar, a inspiração e a sorte continuem do lado do português - e que nada queiram com os três europeus que têm as probabilidade contra eles.

  • O Olimpo não está assim tão longe de Kikas

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    O surfista português Frederico Morais está nas meias-finais dos ISA Surfing Games e aproxima-se assim da qualificação olímpica, num dia marcado pela eliminação do compatriota Miguel Blanco. Já só restam quatro europeus em prova e Kikas tem de ser o melhor deles para garantir a presença em Tóquio

  • Diz quem lhe faz as pranchas: “Não queria fazer o que o Kikas faz, que é ter de surfar ondas de meio metro à volta do mundo”

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    Jason Stevenson nunca quis ser o centro da atenções: não inclui o nome nas pranchas que fabrica, apenas as iniciais, mais um símbolo de um trator, em memória do pai, que trabalhava nas minas de sal em North Stradbroke, na Austrália. Ele é um dos líderes da indústria, é quem faz as pranchas para Frederico Morais e esteve em Portugal para lhe desenhar mais algumas, na Ericeira. Diz que o português é dos surfistas mais fáceis com quem trabalhar e, por oposição, recorda como Andy Irons achava, sempre, que "as pranchas de toda a gente eram melhores do que as dele"