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O Olimpo não está assim tão longe de Kikas

O surfista português Frederico Morais está nas meias-finais dos ISA Surfing Games e aproxima-se assim da qualificação olímpica, num dia marcado pela eliminação do compatriota Miguel Blanco. Já só restam quatro europeus em prova e Kikas tem de ser o melhor deles para garantir a presença em Tóquio

Tribuna Expresso com Lusa

José Sena Goulão

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O português Frederico Morais qualificou-se, esta sexta-feira, para as meias-finais dos ISA Surfing Games, a decorrerem em Miyazaki, no Japão, aproximando-se da qualificação olímpica, num dia em que o compatriota Miguel Blanco foi eliminado nas repescagens.

Frederico Morais ultrapassou a terceira, quarta e quinta rondas, sempre com a melhor pontuação do seu heat, batendo três atletas do top-10 do ranking mundial, o brasileiro Ítalo Ferreira (sexto), o japonês Kanoa Igarashi (sétimo) e o norte-americano e senhor lenda, Kelly Slater (10.º).

Kikas é também o surfista europeu em melhor posição para conquistar o apuramento olímpico, pois os três adversários que restam - o alemão Leon Glatzer, o espanhol Vicente Romero e o italiano Angelo Bonomielli - têm ainda de disputar as repescagens, encontrando-se em situação de grande desvantagem em relação ao português.

Os Mundiais atribuem vagas para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 aos quatro melhores surfistas masculinos de Europa, Ásia, África e Oceânia, uma vez que a vaga do continente americano ficou definida nos Pan-Americanos e foi conquistada pelo Peru.

Portanto, o português tem que terminar o evento como o melhor surfista europeu para garantir já a qualificação para Tóquio.

Kikas obteve 10,53 pontos na terceira ronda, superiorizando-se ao salvadorenho Brian Perez, ao indonésio Ketut Agos Aditya e ao alemão Lenni Jensen, repetindo a 'dose' na quarta eliminatória, que venceu com 10,83, batendo Slater (9,34), 11 vezes campeão mundial, e o britânico Jay Quinn (8,56), bicampeão europeu.

Na 5.ª ronda, o português elevou a fasquia, terminando com uma pontuação de 13,83, à frente de Ítalo Ferreira (13,7), do costa-riquenho Carlos Munoz (12,73) e de Igarashi (7,53), que contava com o apoio do público japonês.

Na 6.ª eliminatória, equivalente a meias-finais, Frederico Morais vai reencontrar Slater - que se apurou no segundo lugar do 'heat' vencido pelo português -- e o compatriota do melhor surfista de sempre Kolohe Andino, número três mundial.

Na outra meia-final defrontam-se o campeão mundial Gabriel Medina, Ítalo Ferreira e o marroquino Ramzi Boukhiam. Os dois melhores classificados de cada bateria disputarão as medalhas dos Mundiais de 2019.

Miguel Blanco perdeu logo na terceira ronda, na qual terminou em terceiro lugar no seu 'heat', com 9,53 pontos, atrás de Medina e do indonésio Rio Waida, confirmando a eliminação nas repescagens, nas quais terminou no mesmo lugar, com 11,33, batido pelo peruano Tomas Tudela e o japonês Shun Murakami.

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    O um de quatro surfistas europeus que restam nos Surfing Games da International Surfing Association (ISA), prova que qualificará apenas um para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Kikas é o melhor colocado (os outros três estão no lado da repescagem) para garantir o lugar, porque venceu tipos como Kelly Slater, Ítalo Ferreira e Kanoa Igarashi ao surfar ondas como estas

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    Jason Stevenson nunca quis ser o centro da atenções: não inclui o nome nas pranchas que fabrica, apenas as iniciais, mais um símbolo de um trator, em memória do pai, que trabalhava nas minas de sal em North Stradbroke, na Austrália. Ele é um dos líderes da indústria, é quem faz as pranchas para Frederico Morais e esteve em Portugal para lhe desenhar mais algumas, na Ericeira. Diz que o português é dos surfistas mais fáceis com quem trabalhar e, por oposição, recorda como Andy Irons achava, sempre, que "as pranchas de toda a gente eram melhores do que as dele"