Tribuna Expresso

Perfil

Surf

O limbo continua no surf: adiados os ISA Games, onde Portugal pode conseguir mais três vagas olímpicas

Os ISA Surfing Games, última hipótese de Portugal conseguir mais vagas olímpicas para a prova de surf (onde Frederico Morais garantiu a primeira, o ano passado), foram adiados de maio para junho. A situação será novamente avaliada a 20 de abril

Diogo Pombo

Kelly Cestari/Getty

Partilhar

Em setembro, no Japão, houve um brilharete arrancado das águas salgadas de Miyazaki, onde Frederico Morais surfou para garantir uma vaga olímpica para Portugal. Estávamos a muitos anos de luz de sequer imaginar que um coronavírus se espalharia pelo mundo à velocidade de quem apanha uma onda e colocaria, agora, tudo num limbo do qual ninguém arrisca adivinhar quando haverá saída, mas já se sabia que haveria mais uma oportunidade semelhante para surfistas.

Os ISA Surfing Games onde Kikas guardou um assento português são um eventual anual e estava agendado outro, entre 9 e 17 de maio, para as ondas vindas do Pacífico contra El Salvador, que foi esta segunda-feira adiado para 6 a 14 de junho. "Compreendemos as preocupações dos surfistas de todo o mundo. Estamos empenhados numa abordagem responsável deste problema, para que possamos voltar à água o mais depressa possível", explicou Fernando Aguerre, presidente da International Surfing Association.

A qualificação olímpica no surf prevê que cada país tenha, no máximo, quatro surfistas (dois homens e duas mulheres), sendo que há duas formas de a conseguir: através da classificação final dos circuitos mundiais de surf de 2019, organizados pela World Surf League (WSL), ou via os ISA Games.

A decisão da ISA surge no mesmo dia em que o Comité Olímpico Português (COP) revelou ter enviado uma carta ao Comité Olímpico Internacional (COI), pedindo o adiamento dos Jogos de Tóquio, cujo arranque continua a estar previsto para 24 de julho. Também esta segunda-feira, o comité australiano anunciou ter aconselhado os seus atletas a prepararem-se para que a prova seja adiada.

À semelhança de tudo quanto é modalidade desportiva, o surf segue a sua navegação no limbo. Os circuitos mundiais da WSL estão suspensos, pelo menos, até junho. A hipótese de alguém sonhar com a qualificação olímpica, idem. Em Portugal, seja profissional ou amador, não se pode tocar no mar para surfar, dado o estado de emergência cujas medidas vigoram desde domingo, 21 de março.

Por enquanto, é como diz João Aranha, presidente da Federação Portuguesa de Surf: "Desaconselhamos vivamente o surf até se ultrapassar esta pandemia".