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Os fabulosos tubos de Frederico Morais em casa, quando ainda se podia sair de casa

Ainda era tempo de preparação para o circuito mundial de surf e, mais à distância, também de treino para os Jogos Olímpicos, quando vírus e pandemia eram temas longe do nosso quotidiano. Frederico Morais passou os meses de inverno a praticar nas ondas de Portugal e agora, que estar em casa é onde preferida por obrigação, lançou um vídeo para mostrar o que andou a fazer. Um aviso: entrou e saiu de muitos tubos

Diogo Pombo

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Quando o inverno bateu à porta e, para variar, forçados fomos a abrir a porta, faça o desfavor de entrar, as boas-vindas de Frederico Morais eram previsíveis. Pela frente tinha ainda uns meses de preparação para o circuito mundial, que arrancaria em março, do lado oposto do mundo, na Austrália, e, mais longínquo, havia de se ir colocando a postos para os Jogos Olímpicos de Tóquio, onde o surf se ia estrear e ele também, na mesma praia onde garantiu a classificação.

Que melhor sítio para se viver e estar do que Portugal, onde os dias invernosos trazem com eles ondulações grandes, que se exploram consoante a direção em que o vento soprar e as horas em que as marés engordam e emagrecem.

Kikas, morando em Cascais, está perto de muitas praias viradas para os mais variados pontos cardinais, privilégio do qual abusou para, voltando atrás, treinar para o regresso ao Championship Tour e as Olimpíadas de 2020.

Mas, depois, eis que o coronavírus se alastrou pelo mundo até cancelar tudo quanto é competição desportiva, chegar a Portugal, nos confinar a todos a casa e adiar, até sabe-se lá quando, os efeitos da preparação na qual os surfistas se aplicaram - a primeira etapa do circuito tinha o arranque previsto para 26 de março, em Snapper Rocks, na Austrália, e talvez ainda estivesse a decorrer.

Antes de o ter de fazer, por estes dias, a horas trocadas e em praias isoladas (para evitar cruzar-se com quem seja), Frederico Morais foi treinando e surfando livremente. Pelo que se vê no filme feito com imagens do que andou a fazer durante o inverno (e realizado por Gustavo Imigrante), parece ter dado especial atenção à exploração de grutas de água salgada, entrando e saindo de muitos e grandes tubos. Precisamente o tipo de manobra que várias paragens do circuito mundial obrigam a ter afinada.