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Teresa Bonvalot e Frederico Morais, os vencedores da primeira prova de surf a ser retomada no mundo

O primeiro campeonato de surf a regressar no pós-confinamento aconteceu em Portugal, na Figueira da Foz, para arrancar com a adiada Liga MEO. A etapa foi conquistada por Frederico Morais, que pediu autorização à World Surf League para participar, e Teresa Bonvalot, o e a surfista que mais tempo passam a competir lá fora

Diogo Pombo

Associação Nacional de Surfistas

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O mar da Figueira da Foz, de início, fez-se frouxo, sem manifestações onduladas de justificassem vestir os fatos, molhar as pranchas e remar por ele adentro para apanhar boleias deslizantes de volta à areia. Apequenaram-se na sexta-feira, mansas continuaram no sábado e a organização do Allianz Figueira Pro puxou do improviso, movendo a prova da praia do Cabedelo, onde era suposto estar e fazer figas por senhoras ondas, para a Murtinheira, mais a jeito de mar ligeiro.

Chegou domingo e com o desfecho da semana veio vento mais rabugento, mas, também, uma ondulação maior, que acabou por devolver a prova ao Cabedelo e obrigou os e as surfistas a arrumarem as pranchas a que tinham recorrido, a bem da sobrevivência em mar pequeno, para despertarem as que mais adequadas a ondas pesadas, a roçarem o metro e meio, onde homens e mulheres já lhes devolviam rasgadas, leques de água e manobras bem mais vistosas.

Já havia um surf maior, mais bonito e fiel ao facto de na Figueira da Foz se estar a retomar a primeira competição de surf, no mundo, após a pandemia carregar no botão global de pause global e interromper tudo quanto era desporto.

Quem melhor lidou com as ondas acrescidas foram Teresa Bonvalot e Carolina Mendes, as surfistas em prova com mais léguas na prancha, que já tempo de noticiários da noite era e estavam elas a discutirem a final até aos últimos minutos, com o sol sonolento, a fecharem a estas horas uma prova feminina que apenas arrancara neste domingo, por volta das 8h. Foi meio dia a entrar e a sair do mar e a esgotar energias até Teresa Bonvalot ser a vencedora.

Com o lusco fusco a pairar, era a vez de Filipe Jervis retornar ao mar pela última vez no dia e primeira na vida para surfar uma final nacional. Confessadamente com o corpo de rastos, gasto por muitos heats consecutivos ganhos nos derradeiros minutos e o uso de uma prancha nova, a cabeça a rebolar em emoções pela ocasião, lá foi ele enfrentar logo ele, Frederico Morais, o português que reside no circuito mundial de surf (Championship Tour) e até já lá surfou uma final (2017, em Jeffreys Bay, na África do Sul).

E o deslizante Kikas não deu hipótese. Encarou as direitas de frente, acelerou-se logo no arranque e deixou Jervis em combinação - a precisar, pelo menos, de duas ondas para igualar a pontuação - logo com o primeiro par de ondas que apanhou, enérgico e capaz de espremer várias manobras de cada massa de água. Filipe, a surfar de backside (costas para a onda), nunca foi capaz de deixar tantas impressões digitais nas paredes de água que apanhou, só desenhando semicírculos de água onda fora mais para o final da bateria.

A vitória ficou com Frederico Morais, único português com residência no CT e que obrigado foi a pedir permissão à World Surf League para competir na Figueira da Foz, para onde conduziu sozinho e feliz acabou por partilhar a final com Filipe Jervis. "Foi, literalmente, com quem passei o tempo inteiro, almoçámos e jantámos sempre juntos", diria, no discurso vitorioso, já fora de água e antes da cerimónia de prémios sem discursos e cumprimentos, porque estes ainda são tempos disfarçadamente normais.

Mas, entre a anormalidade da pandemia, o Allianz Figueira Pro conseguiu ser a primeira prova de surf a insurgir-se no planeta após os confinamentos, quarentenas e estados de emergência. Daqui por 15 dias haverá a segunda etapa, na Ericeira.