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França cancelou os seus campeonatos nacionais de surf, mas vai receber um rendez-vous da WSL

Há uma semana, a Federação Francesa de Surf cancelou o evento, agendado para outubro, que iria determinar os campeões nacionais de surf em 2020, sobretudo devido a preocupações com as viagens de surfistas ultramarinos. Mas, esta quarta-feira (se o mar sorrir para esse lado), a World Surf League vai realizar uma prova em Anglet, com alguns competidores estrangeiros, embora nem todos, necessariamente, vindos de países fora da Europa

Diogo Pombo

Damien Poullenot/WSL

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Hossegor é terra do sul de França, nome de incontáveis grãos de areia aglomerados à frente e por baixo de uma onda de nome na Europa, há muito amante do surf, sedutora de provas-mil quando os elementos naturais congeminam para a agigantar e fazer quebrar como se quer, ou é mais como os surfistas querem: com blocos de água verticalmente a imporem respeito que, caso estejam nos seus dias, abrem longas grutas com entrada e saída para essa gente com talento e coração movido a adrenalina lá se meterem.

Entre 19 e 25 de outubro era suposto que lá se realizassem os Campeonatos de Surf de França se, por acaso, um elemento bem mais recente, feroz, apressado e letal da natureza, maior em imprevisibilidade que marés, ventos e suas respetivas direções, amainasse a sua propagação. Mas não. A ondas e mais ondas de casos de coronavírus em França fizeram a federação do país cancelar o evento devido a "precauções sanitárias".

Críticas à decisão levaram o diretor técnico da entidade, a justificar que existe "uma incerteza muito forte" relacionados com "os ricos para a saúde e a falta de conhecimento sobre a evolução da propagação do vírus". Em longas explicações publicadas no site da federação, Michel Plateau explicou, também, que o cancelamento em muito se deveu a quem viria sempre de fora, de bem longe, dos territórios ultramarinos franceses.

Porque de Guadalupe, de Martinica (ambas nas Caraíbas) e da Ilha Reunião (Pacífico) vem "cerca de um quarto" dos surfistas participantes na prova, que costumam compor "um terço das medalhas". Nenhuma dessas delegações, lamentou, "sabia se poderia viajar face ao contexto atual, que se degrada de dia para dia", ou se "tinha condições de assumir os riscos financeiros de se comprometer com despesas logísticas importantes". A um mês da prova, certezas não havia de que conseguiriam enfiar-se num avião para França.

E Hossegor perdeu a companhia deslizante para este outono, uma vez mais roubada, porque já em julho soubéramos que ficaria, também, fora do itinerário do próximo circuito mundial de surf. Mas, a meia hora automobilística dali, outra praia continuou com as pranchas anunciadas.

Kikas é um de 24 surfistas convidados (12 homens, 12 mulheres) pela WSL a participarem no French Rendez-Vous of Surfing

Kikas é um de 24 surfistas convidados (12 homens, 12 mulheres) pela WSL a participarem no French Rendez-Vous of Surfing

Damien Poullenot/WSL

A sul está Anglet, outra comprida língua de areia salgada pelo Atlântico que, esta quarta-feira, haja a ondulação com vontade e o vento com feitio bem dirigido que está prometido, acolherá o The French Rendez-Vous of Surfing, título emproado pelo cliché francês para o evento que a World Surf League (WSL) anunciou mais ou menos na mesma altura em que anunciou a retirada de Hossegor, 2021, do circuito mais importante da modalidade.

Este rendez-vous não exigirá cartões de embarque a tantos surfistas que venham de tão longe, embora, entre os 24, esteja Ítalo Ferreira, que talvez tenha vindo do Brasil, ou Michel Bourez, nativo do Taiti, um é o atual campeão mundial e o outro um dos peritos em tubos mais destemido que rema para gargantas de água no circuito.

Cancelou-se os Campeonatos Nacionais de França, mas manteve-se o evento da WSL e a federação gaulesa, agora via Jean-Luc Arassus, presidente da entidade, justificou-se dizendo, simplesmente, que essas águas não são suas para patrulhar: "Não organizamos as competições internacionais, que são exclusivas da World Surf League. A federação apenas dá uma aprovação que enquadra as condições de ética desportiva".

Será o primeiro que a WSL organiza na Europa, pós-confinamento, em plena pandemia e depois de confirmar que essa onda não se desmanchará aí em espuma, mas seguirá, como um banco e areia que a ressuscita antes de alcançar a praia, para Portugal: entre 28 de setembro e 2 de outubro está agendado o Portuguese Cup of Surfing, que convoca muitos desses mesmos surfistas para algures entre a Ericeira e Peniche, onde o mar sorrir com melhores ondas.

A lista dos 24 participantes no The French Rendez-Vous of Surfing:

Homens:
Italo Ferreira (Brasil)
Kanoa Igarashi (Japão)
Michel Bourez (França)
Leonardo Fioravanti (Itália)
Frederico Morais (Portugal)
Joan Duru (França)
Gatien Delahaye (França)
Vasco Ribeiro (Portugal)
Ramzi Boukhiam (Marrocos)
Maxime Huscenot (França)
Andy Criere (Espanha)
Kauli Vaast (França)

Mulheres:
Johanne Defay (França)
Pauline Ado (França)
Vahine Fierro (França)
Maud Le Car (França)
Yolanda Hopkins (Portugal)
Tessa Thyssen (França)
Cannelle Bulard (França)
Teresa Bonvalot (Portugal)
Nadia Erostarbe (Espanha)
Anat Lelior (Israel)
Rachel Presti (Alemanha)
Juliette Lacome (França)