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Nazaré: DGS interdita Praia do Norte ao surf de ondas gigantes para evitar multidões

A Direção-Geral de Saúde decidiu interditar a prática de surf de ondas grandes na praia do distrito de Leiria para evitar situações como a da semana passada, em que uma multidão de gente acorreu ao local para ver vários surfistas fazerem tow-in nos monstros de água da Nazaré. A interdição foi confirmada à Tribuna Expresso por José Zeferino Henriques, capitão do Porto da Nazaré

Diogo Pombo

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Umas pessoas sem máscara, outras com, tudo ao monte e uns em cima dos outros, uma multidão de gente a encher os palmos de terra disponíveis em redor do farol de São Miguel Arcanjo que se ergue sobre a Praia do Norte, na Nazaré. Uns tiram fotos, muitos têm o telemóvel esperto em punho e filmam, todos ali estão pelo fascínio de assistir às gargantuescas massas de água que se formam bem longe da costa, mas nas barbas do promontório faroleiro onde se encontram.

Na passada quarta e quinta-feira, 28 e 29 de outubro, muitas pessoas preencheram o terreno em torno desse farol para verem humanos viciados em adrenalinas a serem puxados por motas de água rumo a ondas enormes. Essa multidão não respeitou as regras de distanciamento que a pandemia trouxe às vidas de toda a gente, a PSP e a Proteção Civil tiveram que intervir para a dispersar e cortar acessos. E agora foi a Direção-Geral de Saúde (DGS) a agir.

A entidade impôs uma interdição ao free surf e tow-in surfing na Praia do Norte. Caso a natureza se agite e dirija outra ondulação gigantesca para a Nazaré, os e as surfistas que se fariam ao mar para a aproveitar já não o poderão fazer, por tempo indeterminado.

A medida que foi confirmada à Tribuna Expresso por José Zeferino Henriques, capitão do Porto da Nazaré que emitiu um despacho a dar conta da decisão da DGS, baseada na "monitorização que tem vindo a ser feita por várias entidades", entre elas a Câmara Municipal da Nazaré, a PSP, a Polícia Marítima e os bombeiros. A interdição, explicou, deveu-se "à multidão" e ao "contexto pandémico que se está a deteriorar".

O capitão do Porto da Nazaré revelou que DGS deu parecer desfavorável à implementação de um plano de contingência para as sessões de treino (free surf e tow-in) para quando uma ondulação gigante desse à costa, mas "o parecer foi desfavorável". Venham as condições que vierem, os surfistas e condutores de motas de águas terão que ficar em terra.

Octavio Passos/Getty

A questão surgiu, também, por já se ter iniciado a temporada das ondas gigantes: a época em que é mais provável surgirem "episódios meteorológicos de um, dois dias", resumiu José Zeferino Henriques, que possam trazer ondas gigantes à Nazaré. É a época que coincide com o período de espera do Nazaré Tow Surfing Challenge, a prova organizada pela World Surf League sem data fixa porque ficar a aguardar pelo dia em que as condições proporcionem ondas a rondar os 60 pés (19 metros).

A interdição da DGS, confirmou a Tribuna Expresso também com outras fontes, não se aplica ao surf de competição. Mas, caso o oceano invente uma ondulação que justifique a realização do evento, a organização terá que apresentar um plano de contingência para ser aprovado pelas autoridades de saúde - e que tenha em conta medidas a aplicar à presença e controlo de pessoas.

Esta medida decretada pela Direção-Geral de Saúde não interdita o acesso à Praia do Norte, que continua aberta ao público em geral. "Não é proibido ir à praia e é só a Praia do Norte, na Nazaré, é que está interditada para a prática do surf de ondas gigantes", ressalvou o capitão do Porto da Nazaré.

Mas, porque tanta e tanta gente não respeitou as regras cujo respeito fica ao critério de cada, agora quem vive de e para as ondas gigantes não pode sequer entrar no mar para as aproveitar.