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Frederico Morais: mais de um ano após celebrar o regresso ao circuito mundial, por fim esse regresso vai acontecer

O único surfista português no Championship Tour (CT) teve de esperar uma volta inteira ao sol para retornar ao Havai, onde garantiu a requalificação para o circuito que a pandemia foi adiando, e adiando, até a cancelar. A edição de 2021 tem ordem para arrancar esta terça-feira, em Pipeline, a meca das ondas tubulares para as quais Frederico Morais passou meses a treinar em Portugal

Diogo Pombo

Kelly Cestari/Getty

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Frederico Morais é todo um monte de felicidade, a licra branca não é mais esbranquiçada que os dentes esbranquiçados no sorriso quando é levantado em ombros, de um lado Vasco Ribeiro à civil e do outro Leonardo Fioravanti, também de licra, mas azul, acabado de largar o mar e pronto a içar o português ao segundo andar. Kikas ergue os braços, flete-os na força e incham com e como ele, acabado de ganhar em Haleiwa, no Havai, onde não se deu apenas uma vitória.

Ganhado essa penúltima etapa do Qualification Series (QS), o português garantiu o retorno ao circuito mundial de surf e ao convívio com a elite, é comum elitizar quem lá anda por, em competição, serem do que melhor que há, caso contrário não estariam ali e ultrapassada a redundância era para lá, o chamado Championship Tour, que Frederico retornaria após ser um dos surfistas despromovidos em 2018. Por esta altura, ele estaria a fechar a época, empacotar roupa no Havai e a pensar como seria mais um Natal caseiro.

Só que a ordem inverteu-se, Kikas está há cerca de duas semanas no arquipélago perdido no meio do Pacífico e há muito mais tempo à espera do que, finalmente, se vai proporcionar.

Uns 12 meses e algumas semanas passaram sem circuitos mundiais, a pandemia fez a World Surf League (WSL) cancelar as provas onde se guardam as elites e adiar tudo até esta terça-feira, dia de retorno anunciado para o CT masculino em Pipeline, no Havai, nas afamadas linhas de tubo para as quais o único português em prova confessou ter dedicado afinco no preparo. "Aproveitei o outono para treinar a técnica do tubo, andar dentro do tubo e senti-me cada vez mais à vontade", disse, antes de partir, revelando olho para o que vinha aí.

Entretanto, a WSL reformulou outra vez as andanças do mundial para mal de Supertubos, em Peniche, onde seria a suposta segunda etapa do circuito que ficou algures para "mais tarde", sendo substituído por uma prova em Sunset Beach, também no Havai, sucedida por outra em Santa Cruz, na Califórnia. A entidade de presidência americana quis minimizar o impacto das restrições de viagem causadas pela pandemia e centrou o arranque dos circuitos nos EUA.

Treinada a vivência dentro de tubos, Frederico Morais rumou ao Havai e no Billabons Pipe Masters - realizado em memória do conterrâneo Andy Irons, que morreu há 10 anos - começará por defrontar o sul-africano Jordy Smith e o italiano Leonardo Fioravanti, um é crónico candidato a vencer qualquer etapa e o outro foi um dos ombros que elevou o português no êxtase da confirmação deste regresso. Antes deles, entre os três do primeiro heat da temporada estará Kanoa Igarashi, o japonês com costelas americanas e algumas já portuguesas - vive vários meses ao ano na Ericeira.

Nenhum, nem ninguém ali, teve a fortuna que Kikas teve de competir em terra própria e não deixar a forma enferrujar. A WSL deixou-o participar na Liga MEO Surf, ele esteve nas cinco etapas, ganhou três e acabou campeão nacional pela terceira vez na carreira antes de concentrar todas as atenções no regresso ao CT. Estava difícil, mas, por fim, vai acontecer.

A primeira ronda da primeira etapa da época, em Pipeline:

Heat 1: Kanoa Igarashi (Japão), Conner Coffin (EUA) e Deivid Silva (Brasil)
Heat 2: Kolohe Andino (EUA), Peterson Crisanto (Brasil) e Morgan Cibilic (Austrália)
Heat 3: Filipe Toledo (Brasil), Yago Dora (Brasil) e Mikey Wright (Austrália)
Heat 4: Jordy Smith (África do Sul), Frederico Morais (Portugal) e Leo Fioravanti (Itália)
Heat 5: Gabriel Medina (Brasil), Jadson André (Brasil) e wildcard
Heat 6: Italo Ferreira (Brasil), Adriano de Souza (Brasil) e wildcard
Heat 7: John John Florence (Havai), Wade Carmichael (Austrália) e Conor O’Leary (Austrália)
Heat 8: Kelly Slater (EUA), Caio Ibelli (Brasil) e Ethan Ewing (Austrália)
Heat 9: Owen Wright (Austrália), Griffin Colapinto (EUA) e Miguel Pupo (Brasil)
Heat 10: Jeremy Flores (França), Jack Freestone (Austrália) e Alex Ribeiro (Brasil)
Heat 11: Julian Wilson (Austrália), Ryan Callinan (Austrália) e Jack Robinson (Austrália)
Heat 12: Seth Moniz (Havai), Michel Bourez (França) e Matthew McGillivray (África do Sul)

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