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A ressaca, finalmente, está a acabar

A segunda etapa do circuito mundial da World Surf League (a primeira em 2021) já começou em Newcastle, na Austrália, quase como o arranque da queda dos dominós do regresso do surf competitivo: ainda este mês retornará a Liga MEO em Portugal e, em maio, haverá os ISA Games em El Salvador, onde se atribuirão as últimas vagas para os Jogos Olímpicos de Tóquio

Diogo Pombo

John John Florence, vencedor da primeira etapa do CT, a surfar em Newcastle, na Austrália

Matt Dunbar/WSL

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As ressacas desportivas são estados psíquicos e morfológicos tramados, quando algo que gostamos de praticar ou de ver outrem a praticá-lo - sendo esses outros do melhor que o mundo tem - é interrompido e ninguém se digna a informar quanto tempo terá essa espera, as pessoas entram em parafuso, mais ainda quando o mar, que liga patavina a pandemias, continua a ondular-se despreocupadamente.

As massas a virem, a quebrarem e a rebentarem e o surf em terra, a ver, apenas a assistir durante todo um 2020 que não teve circuitos mundiais, suspensos pela World Surf League devido às repercussões da covid-19 até dezembro, quando finalmente deu uma bolacha para proveito de todos os ressacados.

No último mês do ano anterior fez a primeira etapa do Championship Tour (CT) deste ano, em Pipeline, no Havai, ganha pelo homem John John Florence e pela mulher Tyler Wright, agora que os géneros andarão, finalmente, a surfar as mesmas ondas, nos mesmos lugares, nas mesmas alturas e já com prize money igual para todos. Depois, entrou um novo período de ressaca.

Durou cerca de três meses e meio, até a segunda prova do CT de 2021 arrancar na noite desta quarta-feira em Newcastle, na Austrália, com um mar não muito amigável para com a ocasião.

Em ondas pequenas e esganiçadas de força, com feitio de verão português, a competição começou por regressar com as baterias masculinas e, ao quarto heat do seeding round, foi chamado o único português em competição que teve de esperar mais de um ano para, de facto, cumprir o regresso anunciado ao circuito mundial.

E Frederico Morais, em ondas inapropriadas ao elitismo de condições que tão repetidamente se cola ao CT, surfou as diminutas direitas para terminar à frente de Jordy Smith e Matt Banting, qualificando-se diretamente para a terceira ronda e poupando-se a ter que passar pela segunda, onde os repescados surfam para não serem eliminados.

O período de espera desta etapa de Newcastle acaba a 11 de abril. Depois, os e as surfistas continuarão no continente lá em baixo plantado quase até ao fim de maio, pois a World Surf League lá fixou a segunda, terceira, quarto e quinta provas do circuito, de modo a evitar viagens quebra-fronteiras e manter os surfistas numa espécie de bolha territorial - todos cumpriram 14 dias de quarentena quando chegaram à Austrália.

A australiana e sete vezes campeã mundial, Stephanie Gilmore

A australiana e sete vezes campeã mundial, Stephanie Gilmore

Matt Dunbar/WSL

Ressacar borda fora, cá dentro

Antes de os e as melhores do mundo quase chapinharem na primeira amostra de mar em Newcastle, já a Associação Nacional de Surfistas em Portugal dera conta que também a Liga MEO seria retomada este mês, em Ribeira d'Ilhas, entre 9 e 11 de abril.

A praia da Ericeira acolherá a primeira etapa - a segunda será na Figueira da Foz, de 23 a 25 deste mês - do circuito nacional conquistado, o ano passado, por Frederico Morais, a quem a World Surf League permitiu competir no seu burgo (por norma, os surfistas do CT não podem participar em provas organizadas por outras entidades).

Em 2021 não haverá Kikas, portanto mais ondas ficarão para quem costuma competir em Portugal todos os anos, caso de Vasco Ribeiro, a quem o arranque do circuito servirá para embalar o ritmo rumo aos ISA (Internacional Surfing Association) Games, onde o fim da ressaca se terá que precipitar em El Salvador.

Porque lá acontecerá a prova que, este ano, servirá para atribuir as vagas ainda disponíveis para os Jogos Olímpicos de Tóquio, onde o surf se incluirá pela primeira vez. Vasco Ribeiro, assim como Teresa Bonvalot, irão estar no país da América Central entre 29 de maio e 6 de junho a surfarem pela qualificação rumo ao torneio olímpico.

Ainda restam cinco vagas para os homens e sete para as mulheres, sendo que cada uma das 55 nações apuráveis para os Jogos apenas poderão levar quatro surfistas.