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Miguel Seabra

Carlos Ramos, o árbitro que Serena Williams colocou no olho do furacão

Serena Williams voltou a entrar em colisão com a arbitragem portuguesa em prime time no Open dos Estados Unidos. Há 14 anos, problemas num encontro dirigido por Mariana Alves aceleraram a adoção da arbitragem eletrónica; no passado sábado, o confronto com Carlos Ramos pode mudar a regra do aconselhamento técnico desde o exterior. Mas foi sobretudo um incidente de repercussões sociológicas à escala global, transformando aquele que é provavelmente o mais credenciado árbitro português (em todas as modalidades) simultaneamente num herói e num vilão. Quem é Carlos Ramos? Frequentador habitual (e também comentador) dos torneios do Grand Slam, o jornalista Miguel Seabra aborda a polémica com uma prévia declaração de interesses: é seu amigo pessoal

Miguel Seabra

Serena Williams acusou o árbitro português de ser mentiroso e ladrão

Foto Danielle Parhizkaran-USA TODAY SPORTS

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Foi uma tempestade perfeita... e as consequências ainda estão muito longe de ficar apuradas. A enorme cratera do Arthur Ashe Stadium, o maior estádio de ténis do planeta, acabou por simbolizar o explosivo caldeirão que é atualmente o tecido social dos Estados Unidos – com um árbitro português a tentar implementar os regulamentos e a acabar acusado de sexismo, racismo e misoginia, após uma final de singulares senhoras do Open dos Estados Unidos, na qual a campeoníssima Serena Williams perdeu as estribeiras.

No olho do furacão, Carlos Ramos tem tentado preservar-se. Recebeu centenas de mensagens de apoio de família, colegas, jogadores e ex-jogadores. Não tem ido às redes sociais. Diz-me que só lê artigos ‘equilibrados’ sobre o tema, criteriosamente escolhidos e enviados por amigos. Está seguro da sua atuação mas não pode ser citado sobre o encontro nem sobre a polémica em si. São regras pelas quais se regem os árbitros de ténis. Evitou andar pelas ruas no domingo seguinte, para não suscitar qualquer situação complicada, e está prestes a sair para uma eliminatória da Taça Davis entre a Croácia e os Estados Unidos, em Zadar, a partir de sexta-feira. “Estou bem, tendo em conta as circunstâncias. É uma situação chata, mas arbitragem ‘à la carte’ não existe. Não te preocupes comigo!”. Mas preocupei-me e fiquei quase em choque com o sucedido e todas as repercussões.

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