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Novak Djokovic e um número 1 para a história

Após Rafael Nadal anunciar a desistência do Masters de Paris-Bercy, já é garantido que Novak Djokovic vai acabar o ano no topo do ranking. Nunca um tenista que andou pelo lugar 22 da lista ATP conseguiu, no mesmo ano, subir a número 1 mundial

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Justin Setterfield

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Há uma ferramenta muito interessante no site do ATP que nos permite ver a posição no ranking de qualquer jogador no decurso da sua vida enquanto profissional de ténis.

No caso de Novak Djokovic, ali entre 2016 e 2014, é preciso fazer muito scroll down até deixarmos de ver o número 1. Muito scroll down mesmo.

Acontece que a partir do vitória em Roland Garros em 2016, a vida do sérvio deu uma volta. Culpa das lesões, das idas e vindas dos blocos operatórios, das mexidas na sua equipa técnica e também da desmotivação que aparece quando já se ganhou tudo e o objetivo já só é manter um domínio, não conquistá-lo.

Djokovic tornou-se uma sombra de si mesmo em 2017 e em 2018 demorou a atinar. O homem de ferro que devolvia toda e qualquer bola caiu para um inimaginável 22.º lugar do ranking em junho deste ano. E então, voltou a motivar-se, porque o domínio há muito que lá ia.

No mês seguinte, Djokovic venceu Wimbledon. Seguiu-se o triunfo no Masters 1000 de Cincinnati, na antecâmara para o US Open, que o sérvio também venceu, numa das melhores histórias de regresso à forma que o ténis viu nos últimos anos.

Com as vitórias de 2018, associadas às vitórias que não existiram em abundância em 2017, Djokovic foi escalando e escalando novamente no ranking para esta quarta-feira se confirmar mais um dado histórico na carreira do tenista nascido em Belgrado há 31 anos: aconteça o que acontecer no Masters de Paris, Djokovic será número 1 mundial no final do ano. E nunca um tenista que andou pelo lugar 22 do ranking conseguiu, no mesmo ano, subir à liderança do ranking ATP.

Tudo aconteceu in absentia de Rafa Nadal, que desistiu do torneio francês devido a mais uma série de arreliadoras lesões e escancarou as portas para que Djokovic voltasse a um lugar que não era seu desde novembro de 2016.

Djokovic, que na 2.ª ronda do Masters de Paris-Bercy eliminou o português João Sousa, joga na quinta-feira frente ao bósnio Damir Dzumhur, mesmo dia em que Roger Federer, que pode chegar ao seu 100.º título no circuito esta semana, se estreia na capital francesa, frente ao italiano Fabio Fognini.