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Um Federer x 1000, dá quanto?

Dá, provavelmente, o melhor jogador de ténis da história. Roger Federer tornou-se o primeiro tenista a contar mil semanas consecutivas entre os cem melhores do ranking ATP, o que equivale a dizer que vive nesse patamar desde 1999

Diogo Pombo

John Patrick Fletcher

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O nosso sobre populado mundo começou a marcar no calendário, não sei bem quando, o dia em que, suposta e aritmeticamente, por estimativas que desconheço, atingimos uma marca especial em termos de quantos de nós há a caminhar sobre esta Terra. E escolheu-se guardar o 12 de outubro de 1999 como a data em que a suposta pessoa número 6 biliões nasceu e aumentou a família humana no planeta.

De todas essas almas que existiam e ainda existem, qualquer uma, apetecendo-lhe praticar desporto, podia ter escolhido procurar um court, equipar-se, pegar numa raquete, arranjar um adversário e experimentar o que conhecemos como ténis. E tentar a sua sorte, como muitas primaveras antes, algures numa pequena vila fria e montanhosa da Suíça, um miúdo tentou.

Esse rapaz cresceu com o jeito que tinha e, para não rebatermos na história batida, cresceu ao ponto de mencionar o seu nome ser mais do que suficiente para sabermos o que significa: Roger Federer.

No dia antes de o mundo passar a ter 6 biliões de pessoas, o suíço deu início à façanha confirmada na mais recente segunda-feira deste ano de 2018, que nenhuma dessas bilionésimas partes (e, para que conste, hoje estima-se que sejamos perto de 7,7 biliões de pessoas) foram capazes, sequer, de se aproximar - ele está há 1.000 semanas consecutivas entre os 100 melhores tenistas do mundo.

Essa centésima de jogadores é definida pela ATP e por um dos mais justos e meritocráticos rankings por pontos que existe, que obriga os tenistas a defenderem os pontos que conquistaram em torneios, no ano anterior. Há muitos jogadores cujo sonho de carreira é entrarem nesse lote dos cem primeiros. Há países que raramente tiveram alguém a lográ-lo: por exemplo, no verão, 34 anos depois, a Bolívia voltou a ter um tenista no top-100.

Depois há Roger Federer, que está lá há qualquer coisa como 19 anos e dois meses.

Roger Federer já conquistou 20 Grand Slams

Roger Federer já conquistou 20 Grand Slams

Getty Images

Ele tornou-se profissional em julho de 1998, ano em que o rapaz imberbe, de cabelo descolorado, perdeu dois dos seis encontros que jogou. Em outubro do ano seguinte espreitou por entre a centena de tenistas com mais pontos do ranking e tanto gostou do que viu que não mais saiu. Nem com as inevitáveis lesões à mistura, nem com os adversários, os eternos, os ocasionais e todos os que vão aparecendo e desaparecendo.

Foram 1.180 vitórias a imperarem sobre apenas 260 derrotas, favoráveis estatísticas que lhe permitiram acumular, à boleia da graciosa esquerda com que bate bolas, 99 títulos na carreira, entre os quais 20 torneios do Grand Slam. Ir mais fundo nos dados da carreira de Federer seria adiar por mais linhas o que o suíço já é no papel: o mais titulado e provável melhor tenista de sempre.

Estes números, se forem comparados aos de outros tenistas, resultam num desnivelamento, como o que existe na lista de quem já contou mais semanas entre o top-100 do ranking:

Roger Federer: 1000
Jimmy Connors: 888
Feliciano López: 857
David Ferrer: 857
John McEnroe: 839
Rafael Nadal: 816

Roger é quem mais sabe o que é usufruir deste estatuto e de muitos outros mais. Federer é o mais velho número um de sempre (36 anos e 320 dias), o único homem a ter uma vintena de troféus de Grand Slams expostos, algures lá em casa. É quem mais semanas passou, consecutivas (237) ou desgarradas (310), na liderança do ranking ATP.

Ele é o tenista que caminha para os 38 anos e ainda não sabe, pelo menos que nos diga, quando vai parar. Roger Federer vezes mil semanas no topo deverá resultar, portanto, em mais tempo de visualização de Roger Federer nos courts de ténis. O que só pode ser coisa boa para nós, os restantes biliões de humanos que o veem a jogar.