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Ele defende tudo, tudo, tudo. E foi ao limite para defender o título de Wimbledon

Novak Djokovic venceu pela 5.ª vez Wimbledon ao bater Roger Federer na mais longa final de singulares de sempre do torneio: o relógio só parou às 4 horas e 55 minutos, com o resultado em 7-6(5), 1-6, 7-6(4), 4-6 e 13-12(3). Para o sérvio, é o 16.º título em majors. Já Roger Federer, que chegou a ter dois pontos para vencer o encontro, perde uma oportunidade de ouro para aumentar a lenda. E prestes a fazer 38 anos, chegar ao 21.º título no torneio do Grand Slam vai ser cada vez mais complicado

Lídia Paralta Gomes

Clive Brunskill

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"Vou tentar esquecer-me". As primeiras palavras de Roger Federer após a derrota frente a Novak Djokovic numa final de Wimbledon que durou quase cinco horas foram mais sorridentes do que a semântica poderá dizer. Mas nos próximos tempos o suíço lembrar-se-à seguramente daqueles momentos em que, a servir e com o resultado em 8-7 no 5.º set, deixou fugir dois pontos para levantar pela 9.ª vez a taça de campeão de Wimbledon.

Com dois championship points à disposição, com a mulher Mirka nas bancadas, de cabeça enfiada nas mãos, sem querer ver o que se passava na relva, Federer fraquejou. E frente aquele que será muito provavelmente o melhor tenista da história a jogar à defesa, o mais elástico e fisicamente indestrutível, não dá para fraquejar. Djokovic virou o jogo, salvou os dois pontos que o tinham refém da guilhotina e ainda foi ganhar mais uns quantos que lhe permitiram quebrar o helvético e manter a final por mais longos minutos.

Prestes a fazer 38 anos, Roger Federer sabe que perdeu este sábado uma oportunidade única para aumentar a lenda, para levar o recorde de títulos de Grand Slam para os 21. E mesmo que nunca tenha parecido fisicamente inferior a Djokovic nesta maratona corrida por dois artistas, dois dos melhores de sempre, o facto é que a janela de tempo começa a fechar-se para o suíço.

ADRIAN DENNIS

O relógio parou às 4 horas e 55 minutos, na final mais longa de sempre em Wimbledon, com o sérvio a levantar os braços antes de ir comer o pedacinho de relva do court central do All England Club, como sempre faz, e parou aí porque desde este ano que acabaram os 5.º sets intermináveis em Wimbledon: aos 12-12, avança-se para tie break e nesse particular Djokovic esteve intratável esta tarde - ganhou os três que se disputaram. Porque não havendo tie break na 5.ª partida, é possível que este texto só fosse escrito daqui a um par de horas, tal o nível que o encontro teve, de parte a parte, de tão nobre e intensa e espectacular que foi a luta.

Entre Federer e Djokovic, viu-se todo o acervo de pancadas que se espera numa final entre Federer e Djokovic. Os amorties impossíveis do suíço contra a dureza do fundo de court do sérvio, a esquerda que é uma obra de arte do helvético contra as acelerações de bola imbatíveis do balcânico.

No final, pendeu para Djokovic, que é hoje um jogador mais pragmático e objetivo que o suíço, mais duro emocionalmente, que foi ao limite do tempo e do marcador para bater Federer, defendendo assim o título que já havia conquistado no ano passado e mais três vezes antes disso. Para defender, não há ninguém como Novak.

ADRIAN DENNIS

No marcador 7-6(5), 1-6, 7-6(4), 4-6 e 13-12(3), num encontro que entrará seguramente para o panteão dos grandes encontros de ténis da nossa era e que, excepção feita ao 2.º set, em que Djokovic esteve desaparecido em combate por alguns minutos e pagou cara a viagem, foi sempre equilibrado - o sérvio teve o primeiro ponto de break a favor quando perdia por 5-2 no quarto set.

Este é o 16.º título num major para Novak Djokovic, de 32 anos e o mais novo do big 3, que se vai aproximando a passos largos de Rafael Nadal, que tem 18 títulos, e Federer, que tem 20.