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Bianca não era nascida quando Serena venceu pela primeira vez o US Open. Agora as duas vão jogar a final em Nova Iorque

Foi precisamente há 20 anos, na edição de 1999 do US Open, que Serena Williams, então uma menina de 17 anos, vencia o seu primeiro major. Quase um ano depois, do outro lado da fronteira, numa cidade dos arredores de Toronto, nascia Bianca Andreescu. No sábado, jogarão a final do último torneio do Grand Slam da temporada, Serena de novo à procura de igualar Margaret Court, Bianca em busca do primeiro grande título. Entre elas há 19 anos de diferença, mas algumas semelhanças no jogo

Lídia Paralta Gomes

Vaughn Ridley/Getty

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Foi há tanto tempo que, por essa altura, ainda nenhum norte-americano olhava para o dia 11 de setembro com pesar, mas apenas como mais um dia de setembro. Mas 11 de setembro de 1999 tem história, a história de uma miúda de 17 anos, com o cabelo adornado de muitas tranças e contas, que se tornou na primeira afro-americana a vencer um título num torneio do Grand Slam na Era Open.

De Serena Williams já se esperavam grandes coisas a partir do momento em que se tornou profissional com apenas 14 anos. O título no US Open surgiu naturalmente, uma vitória segura frente à então número 1 do Mundo, a suíça Martina Hingis, de 19 anos, também ela uma menina prodígio, nos tempos em que elas surgiam tantas vezes à mesma velocidade com que se eclipsavam.

Apesar dos cinco títulos do Grand Slam, o primeiro dos quais conseguido com apenas 16 anos e três meses, Martina Hingis nunca mais venceu um major individual depois dos 20. Com Serena, sabemos hoje, 20 anos depois, a história foi bem diferente.

Porque 20 anos depois daquela vitória em Nova Iorque, Serena Williams, prestes a fazer 38 anos, está de novo na final do US Open. Nestas duas décadas chegou a mais 32 finais de torneios do Grand Slam, vencendo 22 delas. E, do outro lado estará alguém que não se lembrará de todo da primeira final de sempre de Serena Williams no US Open.

Não se lembrará porque nem sequer era nascida.

Foi quase um ano depois da final feminina do US Open de 1999 que Bianca Andreescu nasceu, em Mississauga, a poucos quilómetros de Toronto, no Canadá. Filha de pais romenos que emigraram para a América do Norte, Andreescu, de 19 anos, chega à final do US Open à primeira tentativa, numa temporada de altos e baixos: começou o ano no lugar 107 do ranking e depois da vitória em Indian Wells, considerado o 5.º Grand Slam, teve de lidar com uma arreliadora lesão no ombro, que a condicionou boa parte da época. De regresso em agosto, venceu o título em Toronto, beneficiando na final do abandono de, precisamente, Serena Williams, o que lhe valeu uma subida ao 15.º posto WTA e a entrada no coração da norte-americana, depois de um bonito gesto da canadiana, que fez questão de consolar Williams quando esta se debatia na sua cadeira com espasmos nas costas.

Bianca Andreescu, a miúda canadiana que chegou à final do US Open na primeira vez que chegou ao quadro principal do torneio

Bianca Andreescu, a miúda canadiana que chegou à final do US Open na primeira vez que chegou ao quadro principal do torneio

JOHANNES EISELE/Getty

Andreescu, que começou a jogar na Roménia, para onde a família voltou brevemente antes de regressar ao Canadá, cresceu a admirar Simona Halep e as irmãs Williams, com quem partilha um estilo de jogo em que o serviço, a forte direita e a força mental são algumas das principais armas. Para chegar à final do US Open, a primeira da sua carreira, na primeira vez que conseguiu chegar ao quadro principal do torneio (há um ano perdeu na 1.ª ronda do qualifying), bateu a suíça Belinda Bencic em dois duros sets, com parciais de 7-6 e 7-5.

Será agora, Serena?

Foi já grávida de Alexis Olympia que Serena Williams venceu o seu 23.º e até agora último título em majors, no Open da Austrália de 2017. A norte-americana, atual 8.ª do ranking mundial, regressou aos courts em fevereiro de 2018 e daí para cá, a 24.ª vitória num dos quatro principais torneios do calendário, tem-lhe fugido nos momentos decisivos.

Williams saiu derrotada por Angelique Kerber na final de Wimbledon de 2018, na polémica final do US Open de 2018 por Naomi Osaka e novamente na final de Wimbledon em julho passado, por Simona Halep.

Serena a fazer a vénia ao estádio onde há 20 anos venceu o primeiro título do Grand Slam. Vinte anos depois, é no US Open que pode levantar o 24.º

Serena a fazer a vénia ao estádio onde há 20 anos venceu o primeiro título do Grand Slam. Vinte anos depois, é no US Open que pode levantar o 24.º

Tim Clayton - Corbis

Esta será a quarta hipótese para Serena Williams igualar Margaret Court na lista das tenistas com mais títulos do Grand Slam, frente a uma atleta 19 anos mais nova - é aliás a maior diferença de idades de sempre entre duas finalistas num major - e que se tornou na primeira jogadora nascida nos anos 2000 a atingir uma final de um Grand Slam.

Para tal, nas meias-finais ultrapassou a 5.ª pré-designada, a ucraniana Elina Svitolina, por 6-3 e 6-1, num duelo mais complicado do que os números poderão indicar.

Agora, 19 anos e 362 dias depois, no maior estádio de ténis do planeta, pode chegar ao seu 7.º título em Nova Iorque. Frente à miúda que era só um projeto de gente quando ela já era uma campeã.