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Duas reformas e três filhos depois, Kim Clijsters está de volta ao ténis

Ganhou um torneio do Grand Slam, foi número um e retirou-se aos 23 anos para casar e ter filhos. Voltou, venceu mais três e tornou-se na primeira mãe a liderar o ranking antes de se retirar, ao que se julgava ser de vez. Só que não, porque Kim Clijsters anunciou, aos 36 anos, que vai (tentar) regressar ao circuito em 2020

Diogo Pombo

Dan Istitene/Getty

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As lesões não lhe davam descanso, por mais paradoxal que isto pareça. Era uma atrás de outra e, por causa das mazelas ou em paralelo a elas, foi perdendo vontade de jogar ténis. Tinha 23 anos, um Grand Slam conquistado, uma reputação já de tenista número um do mundo ou lá perto e, do nada, a Kim Clijsters que se engrandecia com o atleticismo inato (quando isento de lesões) retirou-se do ténis.

Dois anos, um casamento e uma filha depois, tirou o pó da raquete, conquistou mais três majors, foi a primeira mãe a liderar o ranking e então sim, reformou-se com 28 anos, idade já não tão desconfiável na escala da precocidade. E pronto, a azáfama de dar voltas ao mundo pelo ténis acabava, a belga virou comentadora televisiva, teve mais dois filhos e a vida continuou.

Até que, nos últimos meses, Kim Clijsters, a “mãe a tempo inteiro durante sete anos”, sentiu as saudades a baterem mais forte. Portanto, e “se tentar fazer as duas coisas?”

A belga anunciou, esta quinta-feira, que regressará ao circuito feminino em 2020, não especificando se será já em janeiro. Como ex-conquistadora de Grand Slams e antiga líder do ranking, Clijsters está imune a algumas regras, como a obrigatoriedade de competir em determinado número mínimo de torneios.

Logo, poderá poupar-se a sobrecargas e dosear o físico, que já começou a treinar intensivamente para, na pré-época, se focar mais no trabalho de campo, com raquete, a bater bolas e a ir buscar o ritmo perdido nos courts. “Senti, nos últimos seis meses, que tive mais energia do que nos dois anos anteriores. Vamos ver se consigo pôr o meu corpo em forma para jogar ao nível em que gostaria de estar”, explicou, em entrevista ao site da WTA.

Por nível, a belga quererá dizer, talvez, algo aproximado à capacidade com que ganhou quatro torneios do Grand Slam - o US Open, em 2005, antes da primeira retirada em 2007, e mais outras duas edições do major americano, 2009 e 2010, e um Open da Austrália, em 2011. Ao todo, conquistou 41 títulos de singulares e 11 em pares, cuja hierarquia mundial também chegou a liderar.

Os filhos têm 11, cinco e dois anos, o mais novo está prestes a entrar na creche e a mãe terá mais tempo para vestir o fato de tenista, sem que a família deixe de ser prioridade. “A nossa vida está formatada com as rotinas dos nossos filhos e isso não vai mudar, não quero que isso mude”, explicou, revelando que a WTA também lhe terá dado garantias de que não terá muitas obrigações com a imprensa.