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Covid-19. A carta de Djokovic que pode mudar a vida de cinco portugueses: “Salvar carreiras, não salva, mas ajuda”, diz Frederico Gil

O ATP Player Council, presidido pelo tenista sérvio, está a estruturar um modelo de doações que pode chegar aos quatro milhões de dólares, a serem distribuídos pelos jogadores que se encontram abaixo do número 250.º no ranking. Há cinco atletas portugueses nesse grupo, Frederico Gil é um deles e diz à Tribuna Expresso que os gastos que tem “são enormes”

Pedro Candeias

Clive Brunskill

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O ATP Player Council traduz-se livremente como conselho dos jogadores do ATP, o circuito dos tenistas profissionais. A responsabilidade desta associação é proteger os interesses dos atletas; é constituída por quatro jogadores do top-50 do ranking ATP, dois do 50.º ao 100.º lugares, dois do top-100 da variante pares, um treinador, um júnior e dois membros eleitos pelos companheiros.

Por ordem de relevância e importância no organismo: Novak Djovkovic (presidente), Kevin Anderson (vice-presidente), Roger Federer, Rafael Nadal, John Isner e Sam Querrey. E em cima dos ombros destes cai o peso brutal de uma crise sanitária que atingirá toda a gente, mas de forma desigual.

Tendo isto bem presente, segundo o Tennis.com, o número 1 Novak Djokovic assumiu-se disponível para criar um fundo para tenistas profissionais que justificadamente irão passar maiores dificuldades durante esta pandemia – sem torneios por disputar, os proveitos baixam drasticamente.

Djokovic escreveu, então, uma carta que partilhou com outros e ninguém desmentiu na qual estruturou um modelo de doações que considera justo. No total, isto poderia angariar 4 milhões de dólares para tenistas abaixo do número 250.º do ranking.

Funcionaria assim: do número um ao número cinco do ranking, cada um contribuiria com 30 mil dólares; do número 5 ao 10, 20 mil dólares cada; do número 10 ao 20, 15 mil dólares cada; do número 20 ao 50, 10 mil dólares cada; do número 50 ao 100, cinco mil dólares cada. E cada um dos tenistas de pares do top-20 daria 5 mil euros, o que, segundo as contas de Djokovic e a Tennis.com, daria mais de um milhão de dólares.

Mais: para se chegar aos tais quatro milhões, o circuito ATP e os quatro Grand Slams (Roland Garros, Open da Austrália, US Open e Wimbledon) doariam 500 mil dólares cada, também. Este volume a ser distribuído pelos tenistas entre o número 250 e 700 do ranking - cada um deles receberia, estima-se, dez mil dólares.

O caso português

João Sousa é o melhor tenista português de sempre e, estando no 66.º posto da lista, seria um dos 'contribuintes' desta causa que abrangeria vários compatriotas seus, acomodados entre o 250.º e 700.º lugares. São eles: Gonçalo Oliveira (278.º), Frederico Gil (478.º), Gastão Elias (532.º), Tiago Cação (547.º) e Nuno Borges (599.º).

Deste grupo, Gil é o mais mediático. O lisboeta de 35 anos já foi 62.º do ranking (2011) e, segundo o ATP, já amealhou mais de um milhão de dólares em prize money durante a longa carreira. O tenista já estava lesionado antes de mundo ficar suspenso com a covid-19; nesta fase, tudo o que possa suavizar a crise é um bálsamo.

“Isto seria uma ajuda muito importante, vamos ver se se concretiza. Nesta fase em que estamos parados, era ótimo ter este income, pois os gastos que temos como atletas são enormes a todos os níveis”, diz Frederico Gil à Tribuna Expresso.

O ténis é um desporto individual ou de pares, mas a generalidade dos atletas profissionais têm, pelo menos, um treinador e um fisioterapeuta. Muitas vezes, nutricionista, encordoador e psicólogo também estão num pacote pago pelos jogadores. E depois há viagens e estadias. Em 2018, João Sousa garantia gastar entre 200 a 220 mil euros por ano para competir no circuito ATP.

Frederico Gil não quer entrar em pormenores nesta fase da carreira. “Os gastos dependem sempre da equipa que tiveres contigo. Se forem os tais 10 mil dólares de que falam, era uma ajuda”. E isto é suficiente para salvar uma carreira? “Salvar, não. Mas ajuda”.