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Djokovic e (ainda) as vacinas: "Não sou nenhum especialista, mas quero ter a opção de escolher o que é melhor para o meu corpo"

Depois das polémicas declarações de domingo, tenista sérvio tentou aclarar a sua posição sobre uma possível vacina para a covid-19. E, apesar de manter as suas convicções, admite estar confuso com toda a questão

Lídia Paralta Gomes

Kim Kyung Hoon

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Foi num aparentemente inocente live no Facebook com outros atletas sérvios que Novak Djokovic lançou a frase que o colocou no olho do furacão. "Pessoalmente, sou contra a vacinação e não gostava de ser forçado por alguém a tomar uma vacina como condição para viajar", disse o número 1 mundial e 17 vezes campeão em torneios do Grand Slam, sublinhando, no entanto, que o surto da covid-19 tinha colocado a questão em perspectiva e que ponderaria ser vacinado caso as autoridades do ténis obrigassem todos os atletas a fazê-lo.

Numa altura em que a comunidade científica se uniu para tentar encontrar uma cura para a covid-19, as declarações do jogador de 32 anos causaram desconforto e num comunicado lançado entretanto pela sua equipa, citado pelo "New York Times", Djokovic tentou aclarar as suas afirmações, sublinhando que, apesar das suas convicções, está "confuso" com todo a questão em torno do surto do novo coronavírus.

"Não sou nenhum especialista, mas quero ter a opção de escolher o que é melhor para o meu corpo", pode ler-se no comunicado, em que o líder do ranking mundial diz ainda que mantém "a mente aberta" e continuará a fazer "pesquisa sobre este tópico, porque é uma questão importante e que afeta toda a gente".

"Para ser honesto, como todas as pessoas, estou um pouco confuso. Apesar de ter acesso a informação e recursos, continuo na dúvida sobre o que será o melhor a fazer", revela ainda.

Conhecido pelas suas abordagens mais holísticas ao corpo e ao bem estar - chegou a ter na sua equipa o polémico Pepe Imaz, espanhol que defendia que tudo se podia curar através de abraços fortes - Djokovic resistiu até ao último momento operar o cotovelo direito, lesão que afetou o seu rendimento entre 2017 e 2018.

A sua opção por tentar uma recuperação natural acabou por ser decisiva para o fim da ligação com o então treinador Andre Agassi. Após ser operado, o sérvio voltou a recuperar o estatuto de número 1 mundial e crónico vencedor de torneios do Grand Slam.