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Oito semanas, sete torneios, US Open e Roland Garros. O ténis confirma o regresso, só faltam os tenistas

A ATP revelou, esta quarta-feira, o calendário revisto com os torneios que, para já, têm condições para ser agendados, entre os quais estão três Masters, e dois Grand Slams. Pela primeira vez, Roland Garros será o último major a ser jogado numa temporada e o US Open mantém-se nas datas originais, o que já motivou as críticas de vários tenistas, como Novak Djokovic, Rafael Nadal ou Simona Halep. O espanhol chegou até a dizer, no início do mês, que não jogaria nos EUA caso o torneio se realizasse

Diogo Pombo

FRANCK FIFE/Getty

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Houve adiamentos, cancelamentos, indefinição com fartura e, nos últimos tempos, até jogadores a queixarem-se que tinham de ir ao Twitter para ficarem a saber de novidades da raquete e da bola nos quais são profissionais. Esta quarta-feira, por fim, a Association of Tennis Professionals (ATP) revelou o calendário para os primeiros dois meses da retoma competitiva do ténis, confirmado que haverá sete torneios para serem jogados entre 14 de agosto e 4 de outubro.

A primeira prova será o Citi Open, em Washington (ATP 250), onde arrancará uma mini-perna americana. Seguirá para o Masters 1000 de Cincinnati, que se jogará em Nova Iorque, onde depois se realizará logo o Open dos EUA, único dos torneios do Grand Slam que se manteve inamovível durante os picos da pandemia e sempre sublinhou a vontade de se realizar entre as datas originais (31 de agosto - 7 de setembro).

Teve o que pretendia, mesmo que não tenha público nas bancadas, mas corre o risco de não ter alguns dos tenistas que o tornam relevante.

O número um do ranking, o sempre vocal e opinativo Novak Djokovic, já manifestou as suas dúvidas, crítico das eventuais regras apertadas, ou "extremas", como as descreveu, que apenas permitirão aos tenistas levarem um acompanhante, quando muitos empregam um treinador, um preparador físico, um massagista ou um nutricionista, por exemplo. "É impossível levarmos apenas uma pessoas connosco", lamentou, nunca dizendo se iria, ou não, jogar no Grand Slam de Nova Iorque, ao contrário de Rafael Nadal.

A 4 de junho, durante uma entrevista conjunta com vários jornalistas, por vídeoconferência, o espanhol disse que não jogaria no Open dos EUA caso o torneio se realizasse nas datas originalmente previstas. "Não é a situação ideal. Se me perguntarem hoje se vou viajar para Nova Iorque, para jogar, digo que não", garantiu quem está a um torneio do Grand Slam de igualar os 20 de Roger Federer, que certamente não andará de raquete em mão por Flushing Meadows - o suíço aproveitou a suspensão da vida desportiva para ser operado a um joelho e apenas voltará à competição em 2021.

Também a australiana Asleigh Barty, líder do ranking feminino, acautelou a sua presença no US Open, dizendo que tem de "pensar na equipa" que a acompanha e de "compreender a informação e os conselhos disponíveis" para tomar uma decisão. Simona Halep, a romena que a persegue no circuito WTA, já terá dito à "Pro TV", um canal de televisão do seu país, que não irá jogar no Grand Slam americano.

Tem um quê de anti-catarse: na mesma altura em que o US Open confirma que poderá realizar-se nas datas previstas, o par de homens e mulheres no topo dos respetivos rankings amortecem as dúvidas que têm, em vez de baterem uma confirmação que dê força ao US Open.

Findo o Grand Slam americano, o calendário anunciou mais quatro torneios: o ATP 250 de Kitzbühel, na Áustria, e os Masters de Madrid e Roma, todos em setembro, e o Grand Slam de Roland Garros, a começar a 27 de setembro e com final marcada para 5 de outubro.