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Djokovic teve covid-19, continua a ter dúvidas mas garante que não é "contra todas as vacinas"

Número 1 mundial teve sintomas leves mas já está recuperado e pronto a jogar. Mas a experiência do Adria Tour e da própria doença não parece ter mudado as suas convicções sobre a vacinação obrigatória, ainda que o sérvio frise, em entrevista ao "New York Times", que não é contra todas as vacinas

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Dean Mouhtaropoulos/Getty

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Os tempos de pandemia não têm sido exactamente favoráveis à imagem de Novak Djokovic. Primeiro foram as declarações em que colocava em causa a vacinação, depois os lives com um pseudo-cientista que afirma que as emoções podem mudar a água que bebemos. E, por fim, a tempestade perfeita, o Adria Tour, realizado com medidas de distanciamento social muito relaxadas e que terminou com vários casos de covid-19 entre os tenistas, Djokovic e a mulher incluídos.

Já recuperado, Novak Djokovic está agora em Nova Iorque a preparar-se para o Masters de Cincinnati e para o US Open - o torneio de Cincinnati não se vai realizar no Ohio, como sempre, mas sim em Flushing Meadows. E ter estado doente não parece ter mudado em muito as convicções do sérvio que recusa, no entanto, alguma vez ter dito que era anti-vacinas. É apenas, digamos, um cético em algumas situações.

"A imprensa internacional tirou o que eu disse do contexto, ao dizer que eu sou contra todas as vacinas. A minha questão com as vacinas é se alguém me está a forçar a colocar alguma coisa no meu corpo. Isso eu não quero", sublinhou Djokovic em entrevista ao "The New York Times" a partir da casa isolada que alugou para a sua estadia norte-americana.

Caso a toma da vacina se torne obrigatória para os tenistas, Djokovic garante que a decisão de tomar ou não tomar continuará a ser complicada.

"Eu não contra as vacinas. Quem sou eu para falar quando há pessoas que têm estado em campo a salvar vidas por todo o mundo? Tenho a certeza que há vacinas com poucos efeitos secundários que têm ajudado muito a parar a disseminação de algumas infeções", diz ainda o vencedor de 17 torneios do Grand Slam, frisando, no entanto, algumas das dúvidas que continua a ter: "Como podemos esperar que resolva o nosso problema quando o coronavírus está sempre em mutação, pelo que tenho percebido?"

Sérvio reconhece que a organização do Adria Tour falhou em alguns pormenores

Sérvio reconhece que a organização do Adria Tour falhou em alguns pormenores

ANDREJ CUKIC

Djokovic diz ainda ter sofrido alguns sintomas leves da covid-19, nomeadamente cansaço e alguma perda de olfacto e paladar. No regresso aos treinos sentiu também alguns problemas em manter a intensidade. Agora está recuperado, mas garante que esteve muito perto de não viajar para os Estados Unidos (algo que Rafa Nadal não fez, por exemplo) e que só o fez depois dos tenistas receberem a garantiam que não teriam de fazer quarentena no regresso à Europa.

Sobre o Adria Tour, Djokovic, que este ano tem um registo perfeito de 18 vitórias em 18 jogos, diz ter sido um torneio organizado com "a melhor das intenções", mas que de facto alguns pormenores deveriam ter sido "tratados de maneira diferente".

Na altura, os Balcãs não eram uma zona particularmente afetada pela pandemia, mas o sérvio garante hoje entender algumas das críticas que foram feitas à organização do torneio em que houve abraços entre jogadores, muita gente sem máscara nas bancadas repletas e até festas em discotecas: "Alguém da Austrália ou dos Estados Unidos olha para as imagens e pergunta-se: 'Vocês estão loucos?' Eu percebo isso".

Contudo, talvez farto de todas as críticas, deixa a pergunta: "Serei para sempre culpado por ter cometido um erro?".

O Djoker agora é uma anedota

Nos primeiros anos no circuito, Novak Djokovic era o folião, o miúdo que imitava na perfeição os seus colegas e fazia rir toda a gente. Nos últimos anos, e em particular nesta quarentena, conhecemos o lado lunar do sérvio, que diz não acreditar na vacinação e que promove pseudocientistas nas suas redes sociais. A organização do Adria Tour foi uma espécie de tempestade perfeita: um torneio de exibição com público, sem distanciamento social, com os tenistas a conviverem em discotecas e jogos de futebol e basquetebol. Resultado: uma <em>debacle</em> com já quatro casos de covid-19 entre os atletas, o último dos quais, o próprio Djokovic, que sai desta crise com a reputação em baixa