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Não há Nadal, não há Federer, mas há Djokovic no US Open

O tenista sérvio é o único dos três matulões deste século do ténis que vai competir no US Open, que não terá público nas bancadas e contará com muitas restrições devido à pandemia. É uma oportunidade para Novak Djokovic se aproximar do espanhol e do suíço na luta particular que têm em números de torneios do Grand Slam conquistados

Lusa

Matthew Stockman/Getty

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O tenista sérvio e número um mundial, Novak Djokovic, é o grande favorito à vitória no Open dos Estados Unidos, segundo major da temporada, dada a ausência de Rafael Nadal, campeão em título, e Roger Federer em Nova Iorque.

Depois da suspensão do circuito durante quase cinco meses, devido à covid-19, foi criada uma bolha em Flushing Meadows, onde se realizou esta semana também o Masters 1.000 de Cincinnati, para a realização do torneio norte-americano, que, este ano, decorrerá à porta fechada e contará com o menor número possível de juízes de linha e apanha-bolas em court, entre muitas outras restrições.

Perante a pandemia provocada pelo novo coronavírus, que já vitimou mais de 832 mil pessoas em todo o mundo, e as medidas excecionais criadas na bolha nova-iorquina, o líder do ranking ATP vai tentar conquistar o seu 18.º torneio do Grand Slam sem a oposição do espanhol Rafael Nadal e do suíço Roger Federer, cinco vezes vencedor em Flushing Meadows (2004, 2005, 2006, 2007 e 2008).

Se o número quatro mundial, de 39 anos, vai falhar apenas pela segunda vez a presença em Nova Iorque desde 2000, por se encontrar a recuperar de duas cirurgias ao joelho direito, o esquerdino natural de Maiorca não vai defender o troféu por opção e por uma questão de segurança.

“A situação sanitária continua muito complicada por todo o mundo, com casos de covid-19 que parecem fora do controlo. Sabemos que o calendário para este final de época, depois de quatro meses sem jogar, é uma barbaridade, mas agradeço os esforços de todas as partes para que os torneios aconteçam”, avançou Nadal, vencedor em 2010, 2013, 2017 e 2019, garantindo ainda que “não queria tomar esta decisão”, mas está a seguir o seu coração.

Enquanto o número dois mundial só pretende voltar à competição na temporada de terra batida, com Roland Garros previsto entre 27 de setembro e 11 de outubro, o sérvio tem uma oportunidade única de ampliar o seu palmarés em Nova Iorque, onde triunfou em 2011, 2015 e 2018, e em títulos do Grand Slam, igualando, em caso de vitória, os 18 troféus de Nadal.

“A ausência deles será sentida, são lendas do nosso desporto. Mas com exceção do Federer, Nadal e Wawrinka, todos os bons jogadores estão cá. Seria desrespeitoso para todos os outros jogadores dizer que eu tenho mais chances sem o Rafa e o Roger. O [Dominic] Thiem, o [Alexander] Zverev, o [Stefanos] Tsitsipas, o [Daniil] Medvedev são jogadores tão fortes como nós”, defendeu Djokovic, que vai defrontar na estreia o bósnio Damir Dzumbur (107.º ATP).

Daniil Medvedev, finalista de 2019 e número cinco da hierarquia mundial, vai disputar a ronda inaugural com o argentino Federico Delbonis e junta-se a Dominic Thiem (3.º ATP) e ao grego Stefanos Tsitsipas (6.º ATP) no grupo dos maiores opositores de Novak Djokovic, que partilha a metade superior do quadro com o belga David Goffin, sétimo cabeça de série, e o alemão Zverev (7.º ATP).

Ao contrário da prova de singulares masculina, que só conta com a participação de três campeões do Grand Slam - Djokovic, o escocês Andy Murray e o croata Marin Cilic (vencedor do US Open em 2014)-, a competição feminina prevê-se mais equilibrada, apesar de seis jogadoras do ‘top 10’ mundial não disputarem o ‘major’ norte-americano.

Face à ausência da australiana e número um mundial, Ashleigh Barty, e da romena Simona Halep, a checa Karolina Pliskova, primeira cabeça de série e finalista em Flushing Meadows em 2016, rivaliza em favoritismo com a norte-americana Serena Williams, campeã de 23 torneios do Grand Slam, seis dos quais no US Open.

Além de Serena Williams, finalista em outras quatro ocasiões (2001, 2011, 2018 e 219), a jovem norte-americana Sofia Kenin, campeã do Open da Austrália, em janeiro, com 21 anos, e a japonesa Naomi Osaka, campeã do US Open em 2018, poderão ser fortes candidatas ao triunfo em Nova Iorque, onde a canadiana Bianca Andreescu (6.ª WTA) não vai defender o título conquistado em 2019.