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Naomi Osaka tem sete máscaras com sete nomes diferentes. E espera chegar à final do US Open para mostrar alguns dos nomes da desigualdade

A tenista japonesa de origem haitiana tem sido uma das vozes ativas do movimento Black Lives Matter na sua modalidade e depois de se recusar jogar a meia-final de Cincinnati, encontrou no US Open uma nova forma de protestar contra o racismo

Lídia Paralta Gomes

JASON SZENES/Getty

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Na última semana, Naomi Osaka, japonesa filha de pai haitiano, seguiu o exemplo dos jogadores da NBA e recusou-se a jogar a meia-final do torneio de Cincinnati, em protesto contra a violência policial e o caso Jacob Blake, afro-americano baleado sete vezes por um polícia em Kenosha, no estado do Wisconsin.

Osaka acabou por jogar a meia-final depois da organização do torneio cancelar toda a jornada em que o encontro originalmente se iria realizar - o objetivo de trazer mais atenção para o caso tinha sido, afinal, conseguido -, mas não quis ficar-se por aí. Agora, no US Open, encontrou outra forma de protesto. A vencedora do torneio em 2018 levou sete máscaras para o torneio do Grand Slam, cada uma com o nome de uma vítima de violência policial ou de racismo e espera poder mostrá-las ao Mundo durante as próximas duas semanas - e para tal, terá de chegar à final.

Antes e depois de finalizado o seu encontro da 1.ª ronda, que terminou com uma vitória sobre a compatriota Misaki Doi, Osaka usou uma máscara facial com o nome de Breonna Taylor, uma afro-americana de 26 anos morta a tiro pela polícia na sua própria casa. Os agentes envolvidos no caso nunca foram julgados e o nome e o caso de Breonna têm sido dos mais referidos pelos atletas em protesto, nomeadamente na bolha da NBA, na Flórida.

"É muito triste que sete máscaras não sejam as suficientes para a quantidade de nomes, mas espero chegar à final para que todos possam vê-las", disse a tenista de 22 anos, que é a atleta feminina mais bem paga do Mundo, de acordo com a revista "Forbes".

"Tenho a noção que o ténis é visto em todo o Mundo e é possível que muitas pessoas não conheçam a história da Breonna Taylor. Talvez essas pessoas depois possam ir pesquisar pelo seu nome na internet", continuou a japonesa, que espera "consciencializar" os fás de ténis com esta ação.