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Andrei Rublev ainda nem pegou na raquete, mas está nas meias-finais do torneio de Doha

O tenista russo, oitavo do ranking ATP, já superou três rondas da prova do Qatar, no fundo, pela mistura de três coisas: o estatuto de cabeça-de-série (que o isentou da primeira ronda) e a desistência de ambos os adversários que era suposto defrontar depois

Diogo Pombo

Soccrates Images

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Por estes dias, o ténis russo está vivaço, embora não seja propriamente devido a Andrei Rublev.

Ele é pacato, pouco extravagante, dá o ar de procurar as sombras possíveis entre o encadeamento dos holofotes; não tem a exuberância de Daniil Medvedev, que é desbocado no discurso e desfiltrado na contenção tão apregoada pelo ténis, feitio que o tem mediatizado ainda mais, de braço dado com os resultados (duas finais de Grand Slams, a última na Austrália); e também não deu nas vistas como Aslan Karatsev, outro russo, em teoria menor tenista que Rublev, mas muito mediatizado em 2021 por ter chegado às meias-finais em Melbourne.

Mas na realidade crua dos números, o ranking tem Andrei como o oitavo melhor tenista do circuito ATP (Medvedev é o terceiro) pelo que tem feito nos courts, onde a raquete fala por ele: o ano passado, chegou a essa fase em dois majors e venceu quatro provas; este ano, conquistou a ATP Cup, perdeu nos quartos-de-final do Open da Austrália e venceu, no domingo, o torneio de Roterdão.

O passo seguinte aterrou-o em Doha, no Qatar.

Lá se joga um torneio ATP 250 com a presença de vários tenistas feitos íman de atenção, sendo Roger Federer o maior atrator - regressado à ação após 405 dias e duas operações ao joelho, já ultrapassou duas rondas. Rublev conquistou a competição em 2020, mas, nesta edição, o russo ainda nem entrou em campo apesar de estar garantido nas meias-finais.

Ao ser cabeça-de-série, Andrei gozou o privilégio de não ter de jogar a primeira ronda e ficou a saber que teria de defrontar Richard Gasquet na segunda, mas o francês lesionou-se e retirou-se do torneio. Sem uso dado à raquete, Rublev defrontaria então Marton Fucsovics na terceira ronda, esta quinta-feira - mas o húngaro também se retiraria do torneio, igualmente devido a um problema físico.

Pulando de um azar alheio para outro, o tenista russo qualificou-se para as meias-finais sem competir no calor de Doha. Ou seja, poderá revalidar o título jogando apenas duas vezes. A não se repetir a má fortuna noutras freguesias, Andrei Rublev defrontará o vencedor do jogo entre Dominic Thiem e Roberto Bautista-Agut.