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Novak Djokovic pode fazer história em Wimbledon: “O nível de confiança é bastante elevado”

Djokovic iniciou na passada segunda-feira uma caminhada em Wimbledon que o pode levar à histórica marca já conquistada por Nadal e Federer

Rita Meireles

Christophe Ena

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Vencer Roland Garros não foi tarefa fácil para Novak Djokovic. Quando defrontou o italiano Lorenzo Musetti, a partida chegou aos cinco sets. Musetti venceu os dois primeiros, mas, depois do susto, o sérvio acabou por dar a volta e seguir na competição. Para ultrapassar as ‘meias’, Djokovic encontrou um dos grandes nomes do ténis: Rafael Nadal. Na final foi necessária mais uma reviravolta, após ter perdido dois sets contra o grego Stefanos Tsitsipas. No fim, fez-se história. Djokovic duplicou a conta de vitórias e tornou-se o primeiro da era open, desde 1968, a ganhar pelo menos dois títulos em cada um dos quatro torneios do Grand Slam.

É com este rendimento que o sérvio chega a Wimbledon, onde pode, uma vez mais este ano, escrever o nome na história do desporto. Em caso de vitória, Djokovic conquista o 20.º título do Grand Slam da carreira, igualando Rafael Nadal e Roger Federer. E as probabilidades de isso acontecer são elevadas, principalmente pelo momento de forma do tenista, que tem vindo a somar vitórias, sendo neste momento o vencedor em título do Australia Open, Wimbledon e Roland Garros.

“O nível de confiança é bastante elevado”, afirmou Djokovic em conferência de imprensa. "Aquele torneio [Roland Garros] tirou-me muito mentalmente, fisicamente e emocionalmente. Também me deu uma quantidade incrível de energia positiva e confiança que criou uma onda que estou a tentar apanhar”, concluiu.

A ajudar parecem estar também os principais rivais. Nadal não irá participar no torneio, após desistência por considerar não ter tempo suficiente entre Roland Garros e Wimbledon para recuperar a nível físico. Quanto a Roger Federer, o problema pode passar também pela forma física. O tenista suíço, que foi submetido a duas operações ao joelho e enfrentou mais de um ano de recuperação, acabou por desistir do major em França por considerar importante “escutar o corpo” e “não ir demasiado depressa” no seu regresso à competição. Feitas as contas, o sorteio ditou que Djokovic e Federer só se encontrarão em Wimbledon se ambos chegarem à final, marcada para o dia 11 de julho.

Na caminhada pela defesa do título, o tenista sérvio começou por enfrentar o número 250 do ranking ATP Jack Draper, que recebeu um wildcard para a competição, e seguiu para a segunda ronda. Mas não sem um inesperado susto, ao perder o primeiro set frente ao jovem britânico. Segue-se o vencedor da partida entre Marcelo Barrios Vera e Kevin Anderson. A possibilidade de encontrar o grego Stefanos Tsitsipas, que seria nas meias-finais, tornou-se, esta segunda-feira, impossível, uma vez que o grego foi surpreendentemente eliminado na primeira ronda apor Frances Tiafoe.

Tsitsipas foi inicialmente apontado como um dos maiores obstáculos à marca histórica de Djokovic, algo que acabou por não se verificar. O sérvio, que segundo Toni Nadal na sua coluna para o El País tem “um controlo de bola superior a qualquer outro jogador e um deslocamento invejável pela pista”, aumenta assim o seu favoritismo.

O regresso

Segunda-feira marcou o regresso do torneio de Wimbledon, depois de uma pausa em 2020 provocada pela pandemia causada pela covid-19. Esta foi a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que o torneio foi cancelado.

O regresso dá-se com algumas mudanças. Os tenistas ficarão hospedados num hotel em Londres, para que se forme uma espécie de “bolha” já vista em outras modalidades. O torneio vai ter adeptos nas bancadas, mas com a capacidade reduzida para 50%. A exceção são os dias das meias-finais e final, quando poderão estar presentes 15 mil espetadores.

Os tenistas portugueses João Sousa e Pedro Sousa também estão presentes neste major. João jogou e perdeu logo ao primeiro dia com o italiano Andreas Seppi, número 95 do ranking, e Pedro terá pela frente Lorenzo Sonego (27.º) esta terça-feira.