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Serena Williams escorregou e desistiu em lágrimas do torneio de Wimbledon. E voltou a discussão sobre a relva do court central

Após escorregar, Serena Williams lesionou a perna e foi obrigada a desistir da participação no torneio de Wimbledon. Esta foi a gota de água necessária para a discussão sobre as condições da relva no court central se intensificar

Rita Meireles

Julian Finney

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Era uma das partidas mais esperadas da primeira ronda em Wimbledon, ou não estivesse em campo a vencedora de 23 torneios do Grand Slam Serena Williams. A norte-americana, que se apresentou com a coxa direita enfaixada, entrou bem na partida contra Aliaksandra Sasnovich, mas no momento em que o placard assinalava o resultado 3-3 o inesperado aconteceu. Serena escorregou e sentiu dores tão fortes na perna que acabou por cair no Centre Court. Em lágrimas, a tenista ainda foi assistida, mas pouco havia a fazer, o que a levou a desistir.

Depois do ocorrido, a vencedora de sete títulos em Wimbledon optou por não responder a perguntas dos jornalistas, mas reagiu através da rede social Instagram.

“Fiquei de coração partido por ter desistido depois de lesionar a minha perna direita. O meu amor e gratidão aos adeptos e equipa que tornam a presença no court central tão significativa. Senti o extraordinário calor e apoio do público quando entrei e saí do court, o que significou o mundo para mim”, lê-se na publicação da tenista.

Esta foi a primeira vez que Serena deixou Wimbledon nesta fase da competição. Ao longo da sua carreira, o mesmo aconteceu apenas uma outra vez em majors. Em 2012, a tenista foi eliminada na primeira ronda de Roland Garros por Virginie Razzano.

Desde 2018, quando regressou à competição após o nascimento da filha Olympia, Serena tem-se esforçado para chegar ao número recorde de 24 títulos do Grand Slam, que até hoje apenas Margaret Court conquistou. O problema são as lesões que tem contraído pelo caminho. Em 2018 e 2020 retirou-se do torneio de Roland Garros e em 2019, em Wimbledon, lesionou-se ao longo do jogo dos ‘quartos’ contra Karolina Pliskova.

Ano novo, a mesma discussão

Serena é a segunda tenista a desistir no quadro principal de Wimbledon, que regressou depois de uma pausa de dois anos causada pela pandemia. Antes dela, também o francês Adrian Mannarino abandonou o court durante o jogo contra Roger Federer. O facto de ambos os jogadores se terem lesionado após escorregarem levantou uma discussão sobre o relvado do Centre Court.

Roger Federer foi um dos primeiros a reagir, ao saber da lesão de Serena quando ainda estava na sala de conferências. “É essencial passar pelos primeiros dois rounds, quando a relva é mais escorregadia, mais macia”, explica o tenista, que se mostrou incrédulo com a desistência da norte-americana. O suíço realçou o cuidado que é necessário nos movimentos por parte dos atletas, uma vez que “o court está muito escorregadio”.

No dia anterior, ainda em campo durante a entrevista final, Novak Djokovic confessou não se lembrar de ter caído tantas vezes ao longo de um jogo. "É bastante escorregadio. Não sei se é porque o telhado estava fechado ou porque choveu muito nos últimos dias, não sei", disse o sérvio.

Através da rede social Twitter, Andy Murray, que regressou na passada segunda-feira às vitórias em Wimbledon, também reagiu à lesão de Serena e confirmou a dificuldade que os jogadores têm sentido por causa da relva.

Esta não é a primeira vez que as condições da relva de Wimbledon roubam o protagonismo. Em 2013, nomes como Maria Sharapova e Victoria Azarenka, entre outros, lesionaram-se ao longo do torneio por terem escorregado. Na altura a culpa foi atribuída à humidade. Na edição de 2017 a discussão intensificou-se, com nomes como Roger Federer, Andy Murray, Novak Djokovic e Simona Halep a descreverem o court como perigoso, escorregadio e até com falhas na relva.

Tendo em conta os últimos acontecimentos, o All England Club emitiu um comunicado onde abordou as condições da relva. O clube começa por defender que “a preparação da relva tem obedecido exatamente ao mesmo padrão meticuloso que nos anos anteriores”. Lê-se ainda que ao longo dos primeiros dias de torneio “a relva está no seu estado mais exuberante e verde, o que resulta numa humidade adicional sobre o que é uma superfície natural".

Em conclusão, o clube acrescenta que à medida que os jogos se vão desenrolando, “os courts ficarão mais firmes”.